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terça-feira, 17 de junho de 2014

Sob o espectro do desastre do Mundial 2002

A derrota de ontem frente à Alemanha poderia ser aceitável se os nossos conquistadores tivessem lutado arduamente para conquistar a vitória, e talvez um empate. No entanto, não foi nada disso que aconteceu. As  horas intermináveis com que a televisão acompanha a selecção só pode ter efeitos negativos no alto astral dos jogadores. É impressionante a importância que se dá a 23 jogadores que vão chutar numa bola durante um mês. 

É óbvio que o futebol é um desporto de paixões e que neste mês não se fala noutra coisa. Contudo, não se pode chegar ao ponto de elevar esta equipa à condição de deuses. De dois anos em dois anos assistimos a uma cobertura da selecção que não lembra ao menino jesus. Tenho a certeza que os jogadores não fazem por mal, mas isso é motivo para que haja um certo relaxamento. O que se passou no Arena Fonte Nova não foi uma selecção empenhada, lutadora e crente. É verdade que há aspectos técnicos e de liderança que já vêm do passado. Sempre que Portugal defronta uma equipa com mais credenciais a primeira coisa que faz é entregar a bola, esperar a oportunidade de um contra-ataque e meter a bola em Cristiano Ronaldo e noutro jogador que por ali ande. Normalmente é o craque português porque os outros 10 estão a defender. 

Não gosto desta maneira de jogar e sempre critiquei Paulo Bento por isso, porque com outra atitude tínhamos estado na final do Euro 2012. Foi o próprio seleccionador que colocou o peso da responsabilidade em cima do número 7 com a sua estratégia defensiva e que só ataca quando sente uma verdadeira necessidade de o fazer. Por exemplo, ontem Portugal não reagiu bem aos golos sofridos porque o chip era defender e só defender. 

Por último, a atitude de Pepe pode causar instabilidade no grupo. Espero que não aconteçam cenas semelhantes à da Coreia. 

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