sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quem vai tramar Paulo Bento?

Desde sempre estive contra o actual seleccionador porque a equipa não joga um futebol atractivo e, mais importante do que isso, não tem a pretensão de ter a bola nos pés. Na meia-final do euro 2012 Portugal se tivesse sido mais ousado conseguia vencer a Espanha. Em primeiro lugar o futebol praticado pela selecção não pode ser o de estar à espera de conquistar a bola e metê-la em Ronaldo para que este resolva. Em segundo lugar os vários problemas que Paulo Bento teve com alguns jogadores diminuíram as suas escolhas. Não é possível abdicar de atletas como Ricardo Carvalho, Bosingwa e Danny por questões relacionadas com feitio. Estas são as duas principais razões pelo qual Paulo Bento deve demitir-se e passar o comando da selecção a outra pessoa. 


É legítimo que o seleccionador e a Federação queiram cumprir o contrato. No entanto, este foi celebrado tendo em conta um previsível apuramento para os oitavos-de-final da competição que ainda decorre no Brasil. Não acredito que Fernando Gomes esperasse um desaire como este. O problema é que Paulo Bento sempre confiou que esta era a melhor maneira de passar à segunda fase, até porque o objectivo de estar presente na fase final foi conseguido. Com tropeções e mau futebol, mas chegámos lá. Tendo em consideração que Paulo Bento não abandona o barco por si, e que a nação futebolística, adeptos e imprensa, estão descontentes com o trabalho do actual seleccionador, não deverá haver margem mínima para continuar no longo prazo. Não digo que o mister vai cair assim que chegar ao aeroporto e enfrentar a multidão furiosa. Nos próximos jogos vão haver manifestações de desagrado e a imprensa escrita e falada não perderá uma única oportunidade para bater ainda mais. Embora se mantenha no cargo, Paulo Bento não vai ter vida fácil e duvido muito que aguente a pressão de no próximo jogo particular ouvir assobios ao primeiro passe falhado. 


Em 2002 e 2010 a selecção nacional vivia uma situação semelhante. Após os desaires na Coreia e na África do Sul, tanto António Oliveira como Carlos Queiroz, não queriam sair do comando técnico da selecção (os dois tinham contrato após a competição) mas acabaram por ceder à pressão vinda de todo o lado. Quem não se recorda da forma como Oliveira foi recebido no aeroporto e o facto de Queiroz ter sido tramado em pleno campeonato do mundo de 2010. Tenho a convicção que alguma situação parecida vai acontecer ao actual seleccionador. Por fim, é de registar o facto de que quando a selecção joga mundiais fora do continente europeu acaba sempre mal. Foi assim no México 86, Coreia 2002, África do Sul 2010 e Brasil 2014. O único que teve uma saída limpa foi Scolari no Alemanha 2006, apesar de ter orientado a equipa das quinas no Euro 2008. 

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