segunda-feira, 16 de junho de 2014

A surpresa dos "ticos"

Para quem não me conhece, meu nome é Larissa Bona, sou brasileira e, por alguns anos, escrevi semanalmente sobre o Brasil para Olhar Direito. E volto, em caráter especial, para relatar minhas experiências com a Copa do Mundo no Brasil.
Hoje, falarei da primeira partida das quatro que assistirei no estádio do Castelão, localizado na cidade-sede de Fortaleza, local no qual também resido há sete anos.
No último sábado, compareci ao jogo Uruguai x Costa Rica, válido pela primeira rodada do Grupo D, na primeira fase do mundial e, de antemão, informo que quase não vi a partida. E vocês entenderão o porquê no decorrer do meu texto.
A partida estava marcada para as 16h e sai de minha casa meio dia para encontrar com o meu irmão em um dos bolsões de estacionamento destinados a todos aqueles que iriam ver a partida. Estes bolsões existem, porque toda a área em um diâmetro de 2 km do estádio foi interditada pelo Poder Público, não podendo circular qualquer automóvel no local, exceto os credenciados pela FIFA.
Assim sendo, todos aqueles que compraram ingressos para a partida, deveriam dirigir-se até estes bolsões espalhados por toda a cidade e de lá pegar ônibus gratuitos, oferecidos pela Prefeitura Municipal e especialmente fretados para aqueles que iriam aos jogos.
Faltando cerca de 20 minutos para as 15h, eu, meu irmão e nossos amigos, pegamos o ônibus para o Castelão e chegamos ao local às 15h30min. Porém, o ponto de descida ficava exatamente há 2 km do estádio e tivemos que caminhar esta distância toda, sob um sol escaldante, até chegar ao Castelão.
O caminho que os torcedores percorriam até chegar ao estádio era separado por grades de ferro e as pessoas que moram no entorno do Castelão, na maioria pessoas bem pobres, ficavam presas em suas casas, apenas observando aquela multidão de privilegiados dirigirem-se para o jogo.
Por mais que fosse um jogo entre Uruguai e Costa Rica, ao meu redor só via pessoas vestidas com camisas amarelas da seleção brasileira ou com camisas do SPFC[1]. Apesar dos pesares, parece que os brasileiros finalmente assumiram o clima de Copa do Mundo e estão dando um show de simpatia e hospitalidade aos estrangeiros. E, curiosamente, não houve qualquer manifestação ou protesto antes, durante ou depois do jogo.
Cheguei ao Castelão faltando 10 minutos para começar a partida. Porém, as enormes filas do lado de fora e falta de pessoas da FIFA para orientá-las, fizeram com que eu apenas conseguisse entrar no estádio depois de 10 minutos que o jogo começou.
Eu mal assisti ao 1º tempo da partida, por conta do deslumbramento inicial de finalmente estar em um estádio lotado para um jogo de Copa do Mundo! Puxa vida, para uma amante do futebol como eu, assistir a uma partida de um mundial de futebol naquele que é considerado o país do futebol, que coincidentemente é o país no qual nasci, era simplesmente surreal e emocionante.
Das torcidas estrangeiras, a que tinha o maior número de pessoas era a uruguaia, seguida da costa-ricensse. Mas também havia torcedores de outros países, como México, Argentina, Estados Unidos, Dinamarca e outros que não consegui identificar.
O clima no estádio era excelente, parte da torcida brasileira apoiava os uruguaios, em especial os são paulinos, ignorando completamente qualquer eventual rancor em virtude do Maracanazo de 1950 (é fato, já não temos este trauma), e outra parte apoiava a Costa Rica, porque o brasileiro também tem a tendência de sempre torcer pelo time mais fraco, como em um sinal de compaixão.
E o mais engraçado disso tudo é que, apesar de ser um jogo de seleções estrangeiras, os brasileiros resolveram entoar o tradicional hino da nossa torcida: “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”.
Devo de admitir que foi hilário, ver jogadores uruguaios e costa-ricenses tocando bola no campo e a torcida cantando o Brasil, totalmente alheia a eles. E isso vem acontecendo basicamente em todos os jogos até agora.
Veio o intervalo e cometi o maior erro que poderia ter cometido: resolvi comprar um copo de cerveja e um copo de refrigerante, caríssimos, por sinal. No entanto, a lanchonete estava FECHADA durante o intervalo e tive que entrar em uma fila quase sem fim de um pequeno quiosque, que parecia não andar.
Sinceramente, esta foi uma falha inaceitável da FIFA! Como é que eles deixam algumas das lanchonetes fechadas durante o intervalo de uma partida de Copa do Mundo, em um estádio com cerca de 60 mil pessoas? Houve bastante protesto das pessoas neste momento e, inclusive, algumas estavam bastante exaltadas. Quase no final do intervalo, as lanchonetes foram abertas, resultando em uma ação quase inútil.
E quero deixar bem claro que a falha não foi dos organizadores brasileiros, mas sim da própria FIFA, pois estou acostumada a ir a jogos dos times locais no mesmo estádio e tudo funciona muito bem.
O certo é que não consegui ver os dois primeiros gols da Costa Rica e não consegui comprar o refrigerante, porque havia acabado. E acabei que fiquei sem muito que comentar sobre a partida em si, porque a organização não me deixou assisti-la.


Finalizado o jogo, com todos muito surpresos com a derrota uruguaia, brasileiros saíram de braços dados com a torcida da Costa Rica, celebrando a vitória deles como se fosse a vitória do Brasil. E acredito que fariam o mesmo se o Uruguai tivesse ganho o jogo, porque as pessoas que lá foram queriam celebrar de qualquer maneira, não importa com quem.

Texto e fotografias de Larissa Bona 

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