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quarta-feira, 11 de junho de 2014

A culpa é dos apelos ao consenso

O país assistiu ontem com preocupação ao desmaio de Cavaco Silva durante o discurso proferido nas comemorações do 10 de Junho que tiveram lugar em Guarda. 

Na minha opinião a culpa desta situação é o constante apelo que o presidente da República tem feito ao consenso partidário, agora que a troika deixou Portugal. No entanto, eu não sei como é possível haver diálogo quando a um ano das legislativas cada partido puxa para o seu lado e muito previsivelmente vamos ter um Partido Socialista metido nos seus problemas internos até final do ano, isto porque as primárias não vão ser um caso arrumado no dia das eleições.

Em meu entendimento Cavaco Silva está a fazer um alerta que terá efeitos depois do acto eleitoral. Isto é, se não houver um acordo político dificilmente algum dos partidos irá obter maioria absoluta nas legislativas 2015, pelo que o próprio presidente encarregar-se-à de fazer uma união partidária que leve à criação de um executivo de governo unidade nacional.

Penso que esta é a leitura correcto dos constantes avisos feitos chefe de Estado ao PSD, CDS e PS, mas mais às duas forças que têm a responsabilidade de criar condições para tornar viável um executivo de coligação que permita estabilizar politicamente o país. É certo que PSD e CDS conseguem governar juntos, o problema é que o PS nunca se vai entender com PCP ou BE. Perante este cenário, o PR nunca vai aceitar um governo minoritário e antes de ir embora de Belém, Cavaco Silva quer deixar o país arrumado. Acho que estamos na iminência de assistirmos à criação de um governo de unidade nacional e de iniciativa presidencial. Isto só vai acontecer se a direita não conseguir uma maioria absoluta em 2015, mas com o PS a ajudar tudo é possível. 

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