quinta-feira, 22 de maio de 2014

O primeiro choque

O Reino Unido dá hoje o pontapé de saída nas eleições europeias. De hoje até domingo os países Estados-Membros irão escolher os seus representantes no parlamento, sendo que após esta votação os eurodeputados vão eleger o seu representante: o presidente da comissão europeia. 

No Reino Unido a campanha tem sido interessante já que David Cameron introduziu o tema da saída do país da UE. Não é de agora, mas o actual primeiro-ministro disse durante estes dias que saía do governo caso o referendo sobre a manutenção britânica na UE não se realizasse. Ou seja, o partido conservador tem uma posição anti-europeísta, o que é bem diferente de ser eurocéptico. Cameron quer o Reino Unido fora da UE e por isso é que tem insistido neste tema. Por seu lado, o Labour liderado por Ed Miliband não vê com bons olhos uma mudança de estratégia, mas entende que os britânicos devem lutar por melhores condições em Bruxelas. No fundo, pretendem a partilha do poder que está demasiado concentrado no Eixo Franco-Alemão, se bem que com a entrada de Hollande no Eliseu seja a Alemanha a dominar todos os campos europeus. 

Perante este cenário era de esperar uma campanha interessante e com temas europeus em cima da mesa. No entanto, o aparecimento do UKIP na liderança das sondagens veio transformar o escrutínio britânico bem mais apelativo do que era à partida. O UKIP presidido por Nigel Farage é eurocéptico e adopta uma postura bem diferente do primeiro-ministro. O caso do UKIP é comparado pelos analistas europeus à Frente Nacional francesa de Marine Le Pen, por isso é que no Velho Continente estão com medo de uma vitória deste pequeno partido britânico nas eleições.

Não considero o UKIP semelhante ao partido e extrema-direita em França porque Nigel Farage não é nenhum anti-Europa. Nestes termos, uma vitória do UKIP ou do Labour hoje é bem melhor do que ser David Cameron o primeiro classificado. 

Em primeiro lugar porque se o Partido Conservador vencesse isso legitimaria a posição anti-Europa de David Cameron e fazia temer uma provável vitória no referendo agendado para depois das legislativas 2015. E todos sabemos qual a posição dos britânicos em relação a Bruxelas. Em segundo lugar, a questão escocesa poderia caminhar no sentido da independência. Por fim, a principal preocupação de Bruxelas seria o Reino Unido e o tabuleiro de xadrez europeu iria sofrer algumas mudanças caso David Cameron obtenha a maioria dos eurodeputados, porque o seu discurso perigoso em relação à UE está a causar apreensão em Bruxelas e não só. 

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