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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Má opção política e social

A entrada da Guiné-Equatorial na CPLP está a levantar problemas a Portugal, não só a nível interno, mas também externamente. A Amnistia Internacional mostrou a sua preocupação relativamente à possível adesão, muito por culpa da pena de morte que ainda não foi abolida. 

Não se percebe como é que Malabo não tem como prioridade abolir uma prática que não faz sentido numa civilização que vive quase toda em democracia e tem leis penais adequadas à realidade em que vivemos. 

As preocupações da organização internacional são credíveis se tivermos em linha de conta o apoio que está a ser dado antes do trabalho dentro da Guiné ser feito. Ou seja, primeiro Malabo faz as reformas necessárias e depois manifesta-se o apoio a uma adesão. Não é só a CPLP que funciona assim, porque o alargamento da União Europeia também tem sido feito nesta base. É a entidade "internacional" que obriga a alterações no regime para fazer parte do clube. O que se passa com a Guiné-Equatorial em relação a uma possível entrada na CPLP é o que está acontecer na Sérvia no que diz respeito à UE.

Na minha opinião o apoio dado pelas instituições supra-nacionais aos países deve ser transmitido "depois" das reformas internas estarem efectuadas, e não contrário. Isto porque, toda e qualquer "mudança" feita à pressa e com vigilância internacional pode ser mal feita e corre o risco de estar inacabada. 

Tenho a certeza que a entrada da Guiné-Equatorial na CPLP é um destes casos e acho que todos os membros vão passar pela vergonha de admitir um país que viola constantemente os direitos humanos, sendo que Portugal irá ser alvo de críticas internacionais. Pode ser que a adesão de Malabo pode servir os interesses económicos nacionais, contudo o apoio demonstrado por Lisboa desde o primeiro momento pode vir a revelar-se um erro político que terá custos sociais.  

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