domingo, 4 de maio de 2014

Hoje saímos limpo

Desde que se começou a falar da forma para Portugal sair do programa da troika defendi uma saída limpa ou à irlandesa, e nunca a possibilidade de sermos "vigiados" por um programa cautelar, como muitos defenderam, inclusive o próprio Presidente da República. 

Os sacrifícios a que os portugueses foram obrigados, nomeadamente com um enorme aumento de impostos e os cortes nos salários dos funcionários públicos bem como as pensões, deveu-se ao desequilíbrio das contas públicas, daí que o programa tenha sido concluído com sucesso e no prazo definido. Eu percebo a austeridade imposta pelo executivo, porque só assim foi possível reduzir o défice de 10% para abaixo dos 3%. 

É natural que ninguém gosta de ver os seus salários e pensões cortados (porque também é uma injustiça) e ficar desempregado. Bem sei que os números do desemprego são elevados, mas com uma economia a crescer a percentagem desce rapidamente. Convém não esquecer que o governo também criou em tempos de crise estágios profissionais para ajudar as empresas a criar emprego jovem. 

Na minha opinião Portugal não precisa de nenhum plano B de reserva para fazer face a eventuais necessidades. O que o país precisa a partir de hoje é de uma consciência, sobretudo a nível de quem nos governa. É um facto que os portugueses fizeram um esforço por culpa da má gestão de vários governos, mas sobretudo do executivo liderado por José Socrates que decidiu aumentar o rendimento dos funcionários públicos em vésperas de eleições. Este tipo de inconsciência política não pode voltar a acontecer.

Hoje saímos limpo mas o futuro ainda nos reserva alguns desafios, em particular a nível político porque são esses que vão estar em jogo nas próximas eleições europeias mas também nas legislativas 2015. Vejo muitos analistas a fazerem o funeral ao executivo. No entanto, convém recordar que os portugueses não têm memória curta e, apesar da excessiva austeridade imposta por esta maioria, não esquecem quem nos levou aos sacrifícios. 

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