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sexta-feira, 2 de maio de 2014

1ª Conferência Olhar Direito: 40 anos do 25 de Abril

Na terça feira passada o Olhar Direito realizou uma conferência sobre os 40 anos do 25 de Abril na Faculdade de Direito de Lisboa. Os oradores desta tertúlia foram Mendro Castro Henriques, José Adelino Maltez e Francisco Moita Flores.

Os oradores começaram a sua intervenção fazendo uma abordagem histórica para depois falar sobre o estado actual do país, focando a sua atenção nos vários vícios que têm atingido Portugal há 40 anos. Francisco Moita Flores considerou que "a tomada pelos burocratas de todo o processo político contribui para a alteração da demografia e da forma como ela se expressa". O antigo director da PJ não tem dúvidas que o "25 de Abril falhou porque houve uma tomada do poder sindical e partidária por carreiristas e isso reflecte-se numa participação mais fraca e da lenta renovação dos quadros". No entanto, Moita Flores acedita que a "maior perda está relacionada com a língua portuguesa porque tem sido mal tratada". 

A intervenção do antigo presidente da Câmara Municipal de Santarém centrou o seu discurso nas várias "revoluções" e "transformações" que o país tem sofrido desde o 25 de Abril. Para Moita Flores os ideais de Abril falharam pelas razões acima enumeradas. 

O historiador José Adelino Maltez garante que o "25 de Abril não foi um golpe de Estado nem uma revolução, mas uma onda inspiral". A frase que mais espantou a audiência foi quando Adelino Maltez disse que o "o 25 de Abril já não é de esquerda". Numa intervenção focada muito nos aspectos históricos actuais, o historiador terminou em beleza ao ter dito que "Abril é liberdade". Aliás, esta foi uma ideia partilhada por todos os presentes. 

Apesar de recordar o 25 de Abril ser um exercício meramente histórico, há sempre lições a tirar do golpe efectuado há 40 anos. É normal que todos os anos ouçamos os mesmos relatos, visionamos as imagens de sempre e os heróis de Abril nunca deixarão de ser aqueles que deram o corpo às balas. No entanto, há um problema que as gerações mais novas enfrentam: Como é que aqueles que não viveram Abril vão contar aos seus filhos e netos a história da revolução?

Fica a pergunta...

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