Etiquetas

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O que vem a seguir

Portugal vai sair à irlandesa do programa da assistência e financeira, não estando previsto um programa cautelar. No entanto, o primeiro-ministro anunciou que uma entidade independente virá a Portugal daqui a seis meses para fazer uma avaliação. Independente claro!

Ora, depois de três de esforço e sacrifício ainda vamos ter de aturar as entidades externas e numa altura em que se prepara o OE 2015. Ou seja, esta entidade que se diz independente vem a Portugal para que não se cometam asneiras na elaboração do próximo orçamento. Posto isto, é pouco provável que haja margem para reduzir os impostos e criar condições para os portugueses respirarem melhor. Numa palavra: a austeridade não acaba aqui, ou melhor controlo financeiro não vai terminar. 

É uma evidência que as entidades financeiras internacionais ainda não confiam em Portugal. A troca por uma saída à irlandesa foi a aceitação por parte do governo de técnicos internacionais durante um período. Economicamente isto não tem relevância, mas do ponto de vista político tem. Se o governo vai sair favorecido com o facto da troika sair definitivamente de Portugal, esta avaliação periódica pode ser entendida pelos portugueses como a continuidade do programa, embora em moldes diferentes. Contudo, as pessoas sabem que se trata da mesma coisa e não aceitar mais controlo orçamental. 

Por tudo isto, Passos Coelho pode ter pouco tempo para recuperar nas sondagens. Na minha opinião, o PM só sairá favorecido eleitoralmente se nunca mais uma entidade estrangeira, seja ela independente ou não, aterrar em Portugal. 

Sem comentários:

Share Button