terça-feira, 22 de abril de 2014

E se o PS português fizer o mesmo?

O Partido Socialista francês está em peso contra as medidas de austeridade anunciadas pelo novo primeiro-ministro Manuel Valls. O novo líder indicado por François Hollande não é do agrado do restante partido e isso notou-se na apresentação do seu programa. Se Hollande não convence os franceses, Manuel Valls não será bem recebido pela opinião pública, o que dá à direita um bom motivo para ficar contente, em particular Sarkozy que tem intenções de voltar ao Eliseu. 

O problema do PS francês é Valls mas também Hollande. Se o novo chefe do governo cair antes da eleições presidenciais é sinal que Hollande não vai lá, mas pode muito bem acontecer que Valls se candidate ao Eliseu e faça uma tramóia ao actual presidente. Caso o PS gaulês não se der bem com Manuel Valls, o problema é de Hollande e não do próprio que caiu ali por acaso. Ou seja, os socialistas franceses pretendem atingir politicamente o chefe de Estado, mas primeiro fazem cair o líder do governo para chegar a Hollande, que nunca resistirá a uma segunda mudança de executivo. É verdade que Hollande tinha de fazer alguma coisa depois da derrotas nas eleições autárquicas, contudo mudar o primeiro-ministro foi arriscado demais. Mas a pior opção foi escolher alguém que politicamente pode destruir o próprio presidente, não só pela contestação interna, mas porque pode ser um adversário político difícil de combater em futuros actos eleitorais. 


 A pergunta é se o partido socialista português vai começar a fazer a cama ao seu líder, António José Seguro, da mesma forma que o PS francês já está a fazer ao novo primeiro-ministro. E se o PS nacional decidir não esperar que Seguro tenha condições para ser o novo primeiro-ministro português? Isso pode acontecer a qualquer momento porque o ciclo económico vai fazer uma inversão e tudo aquilo que o líder socialista disse sobre o programa de assistência e financeiro será usado contra o próprio.

Não tenho dúvidas que haverá movimentações no Largo do Rato a partir de Junho. Penso que os socialistas (afastados do poder há muito) não vão esperar ano e meio para conseguirem um líder que lhes garanta a maioria absoluta, porque só isso é que devolver o poder absoluto. Tenho a certeza que Seguro já se imagina a governar Portugal com todo o poder na sua mão. 

O que está a acontecer em França pode muito bem suceder em Portugal, porque o objectivo comum é derrubar o líder. Seja ele Presidente de França ou o candidato a primeiro-ministro de Portugal. As europeias que se avizinham vão servir de segundo teste. 

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