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terça-feira, 29 de abril de 2014

Bloquear as redes sociais não é censura

Os governos africanos e do médio-oriente estão a recorrer ao bloqueio das redes sociais para evitar o descontrolo da liberdade de opinião e a origem de manifestações incómodas para os seus líderes.

Nos últimos tempos têm surgido pedidos de apoio e denúncia de actos cometidos pelas autoridades através do Youtube, Facebook e Twitter. Se há uma nova forma de organizar um protesto, as autoridades já perceberam como podem impedir a realização de uma manifestação. 

A tecnologia tem servido para ajudar uns e outros, mas tem beneficiado mais as autoridades porque estas ainda conseguem bloquear sites de conteúdo duvidoso. Os governos de alguns destes países estão com medo, não só da tecnologia mas de quem a usa em benefício da democracia e liberdade. Este tem sido o principal problema das autoridades, já que não conseguem controlar o surgimento de novas ferramentas em prol da democracia. 

Por muito que se tente bloquear tudo e mais alguma vai aparecer outra rede que serve os mesmos propósitos. E não é por causa do facebook ou do twitter que se consegue organizar uma grande manifestação capaz de derrubar um governo. Muito menos o Youtube. Na minha opinião estas medidas não são censura, uma vez que são atitudes ridículas e disparatadas por parte das autoridades. Se ao menos as autoridades justificassem a invasão da vida privada para fechar estes instrumentos ainda se compreendia. 

Não vejo como é que o Youtube pode derrubar um governo. Ou isto é só mera propaganda internacional para calar os média e evitar uma revolução a sério? 

Em meu entendimento os governos têm mais medo da divulgação que a comunicação internacional faz dos problemas internos de certos países do que propriamente do próprio povo. 


10 comentários:

Fernando Vasconcelos disse...

O facto de ser totalmente ineficaz não reduz a dimensão do problema, isto é, é de facto censura.

Francisco Castelo Branco disse...

As redes sociais não são fonte de "liberdade de expressão"

Fernando Vasconcelos disse...

Não são? Então são o quê? E não são porquê? Claro que são Francisco. É uma forma de comunicar com um número ilimitado de pessoas, certamente fora do circulo privado, logo não estou a ver como classificas as redes sociais como não sendo uma das formas contemporâneas de liberdade de expressão. Espero avidamente a explicação.

Francisco Castelo Branco disse...

As redes sociais não são um orgão de comunicação social, logo não obedece a critérios de rigor e disciplina. Um simples comentário não é liberdade de expressão.

Fernando Vasconcelos disse...

Mesmo admitindo o pressuposto que invocas - de que as redes sociais não são um órgão de comunicação social - Desde quando a liberdade de expressão apenas se aplica a órgãos de comunicação social? Desde quando é que a censura apenas censura órgãos de comunicação social? Como deves saber a definção de censura aplica-se a toda e qualquer tentativa de reduzir a liberdade de um cidadão de se exprimir livremente. By the way incluindo por exemplo o direito de resposta que como sabes está consagrado nos estatutos editoriais de todos os orgãos de comunicação social direito esse só para te dar um exemplo exercido por cidadãos que não são forçosamente jornalistas. Tens, desculpa de rever a definição de censura. Agora quanto ao pressuposto de rigor dos órgãos de comunicação social não me faças falar Francisco, não me faças falar ... a comunicação social portuguesa é tão má mas tão má que a maioria esmagadora dos blogs de opinião deste país neste momento são muito mais profissionais e isentos do que os "pasquins" que se vendem por aí. Um simples comentário como dizes é liberdade de expressão sim sr. e para que vejas estou aqui a exercer essa mesma liberdade. A presunção que para exercer essa liberdade tenho de ter carteira e escrever para um "órgão" de comunicação social é totalmente errónea. Aliás se queres que te diga toda a verdade a noção de "comunicação social" está caduca sendo gerida com uma lógica corporativa do século XIX totalmente desadequada à realidade dos nossos dias.

Francisco Castelo Branco disse...

A questão é esta:

O Youtube, Facebook ou Twitter funcionam como orgãos que reproduzam a liberdade de expressão capaz de incomodar um governo?

Como se viu na Primavera Árabe sim, mas bloquear um site da internet pode não ser por razões políticas ou sociais.

A intenção destes governos passa por fechar as redes sociais para apagar o seu conteúdo e não limitar a liberdade de expressão. Na minha opinião claro. os governos temem também a propagação dos conteúdos nestes países.

Por exemplo: uma empresa fecha o acesso ao facebook. Para mim não é censura mas uma forma de impedir a distracção dos seus trabalhadores. Ou mesmo se passa em relação aos sites pornográficos.

Quero com isto dizer que bloquear sites de internet não é censura mas uma mera acção governativa para impedir o acesso a um site que tem conteúdos "impróprios".

Fernando Vasconcelos disse...

Francico, a questão é precisamente essa. Quando falamos em censura falamos sempre na supressão de conteúdos considerados impróprios seja porque razão for. Por vezes essas razões são consideradas legitimas e mesmo necessárias pelo conjunto da sociedade, por vezes não. Quando um governo fecha um site como o Youtube está sempre a exercer censura. Caberá aos cidadãos desse país determinar se sim ou não essa censura está de acordo com os princípios segundo os quais aceitam viver em sociedade. No que me diz respeito recusaria viver num país com um governo com esse tipo de noção de legitimidade. Essa "mera" acção governativa é sempre uma forma de censura. Outras formas de censura como por exemplo impedir o acesso a conteúdo pornográfico a menores são formas de censura que são aceites e que subscrevo.

Francisco Castelo Branco disse...

Podemos falar em "censura social" e não em "censura política"

Fernando Vasconcelos disse...

Se quiseres fazer essa distinção. Embora isso assuma que as redes sociais não têm conteúdo politico o que no meu entender é uma limitação grave do alcance do direito de expressão. Precisamente porque parece que estás a querer restringir a aplicabilidade desse direito à comunicação social quando de facto a liberdade de expressão politica se aplica a qualquer cidadão em qualquer forum.

Francisco Castelo Branco disse...

Eu acho que as redes sociais não têm conteúdo político, pelo menos que mereça a desconfiança dos governos ao ponto de censurar.


quando uma empresa bloqueia o facebook não está a violar o direito à liberdade de expressão

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