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quarta-feira, 9 de abril de 2014

A vingança de Moscovo

Um mês depois da revolta em Kiev e que terminou com a queda de Viktor Yanukovich, é a vez dos ucranianos que vivem no leste do país defenderem a bandeira da Rússia. A população é ucraniana, mas há muitos que são filhos e netos de russos. Após a independência da Ucrânia e dos apelos de Yanukovich e Putin, aqueles que votaram no primeiro e gostam do segundo não podiam ficar sentados à espera que Yartseniuk e Tymoschenko dessem cabo do país. 

A revolução que surge em Donetsk, Luhansk e Kharkiv é compreensível e revela um sentimento de vingança em relação ao que se passou em Fevereiro na capital. É curioso verificar que o modus operandi é o mesmo, pelo que a história vai acabar da mesma forma. O que vai acontecer no leste ucraniano vai determinar o adiamento das eleições presidenciais e por via desse facto, o país vai ficar novamente ingovernável. Ao contrário do que muitos pensam, a Rússia não está por detrás da revolta popular no leste da Ucrânia, já que são também grupos radicais, mas pró-russa, que se estão a organizar para fazer face à polícia local e começar uma guerra naquelas cidades. 

Tendo em conta que os rebeldes russos já se instalaram nos edifícios, só à força é que os vão conseguir tirar de lá. Na minha opinião a única forma de evitar uma guerra civil e mais um banho de sangue é sentar na mesma mesa Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, porque a UE já não tem poder para resolver estas coisas. No entanto, esta reunião não vai acontecer porque Washington fez questão de dar a mão a Kiev e excluir Moscovo de qualquer tentativa para serenar os ânimos naquela zona. O resultado da intervenção norte-americana neste processo é uma guerra civil que vai deixar marcas no resto da Europa, porque assim que as tropas ucranianas entrarem pelo leste do país, haverá uma resposta imediata por parte da Rússia. É por isso que as tropas leais a Putin há muito que estão na fronteira entre a Crimeia e a Ucrânia. 

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