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domingo, 23 de março de 2014

Olhar a Semana - Um erro histórico

Esta semana o novo governo ucraniano assinou com a União Europeia um acordo comercial. A razão pelo qual Viktor Yanukovich foi demitido está relacionado com a aproximação de Kiev a Bruxelas. Como bem se recordam, a maioria da população em Kiev pretende aderir à UE, mas o presidente deposto sempre foi reticente por causa da sua amizade com a Rússia. 

A UE decidiu apoiar a revolução de Fevereiro e agora dá a mão a um governo ilegítimo e que nasceu de uma revolução sem sentido. Acho que a UE tem estado muito mal neste processo porque o novo governo de Kiev não tem legitimidade democrática. Na minha opinião Bruxelas deveria ter esperado pelas eleições de 25 de Maio para tomar uma posição e fazer os acordos que bem entendesse. Se tivesse actuado assim, Bruxelas tinha mais legitimidade para estabelecer parcerias e estava mais segura relativamente aos intervenientes no processo. 

Os dirigentes europeus não sabem quem são os novos donos do poder em Kiev. Ao menos com Yanukovich sabiam com o que podiam contar, mas com Yartseniuk e a sua "malta", estão a negociar com desconhecidos que podem transformar a Ucrânia num país pró-europeu mas anti-Rússia. Ao dar apoio a Kiev, Bruxelas está a transmitir a mensagem que não quer trabalhar com Moscovo. Na minha opinião isolar a Rússia numa altura destas e apoiar um bando de radicais que contratam snipers para matar os seus próprios manifestantes, é correr um risco que pode vir a tornar-se fatal em termos económicos, políticos e sociais. E sabemos muito bem como a UE anda dividida. 

A pressa é inimiga da perfeição, pelo que também não considero sensato o facto dos principais líderes europeus terem apoiado a revolução da praça da independência, o que só mostra o baixo nível intelectual e político das pessoas que lideram a Europa neste momento. 

É pena que a UE tenha decidido apoiar uma revolução ilegítima, numa altura em que a ajuda de Moscovo seria muito bem vinda, até porque não consta que na Rússia haja problemas económicos. O mais grave é que a maioria dos países europeus irá novamente emprestar dinheiro para pagar a reconstrução de um país que foi destruído pelos seus actuais governantes. 

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