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domingo, 16 de março de 2014

Olhar a Semana - Cenários em aberto após o SIM no referendo da Crimeia

Os habitantes da região autónoma da Crimeia vão hoje votar em referendo a integração na Rússia. Em 1964, Ucrânia e Moscovo acordaram, de acordo com o tratado de Budapeste, que a Crimeia faria parte do segundo maior país da Europa, mas que as tropas russas poderiam ficar instaladas na região até 2045.

Em primeiro lugar o resultado de hoje significa o fim do tratado de Budapeste e das relações de paz entre Kiev e Moscovo, mas não só. A tensão entre a Rússia e a Europa e os EUA será uma evidência após o dia de amanhã. E estou a falar apenas do campo diplomático. Muitos analistas falam das comparações com a Chéchenia e outras regiões, contudo o que está hoje em causa é a integração de uma região num país e não a independência da Crimeia. Esse assunto poderá ser discutido lá mais para frente, quando Moscovo estiver instalado em Simferopol sem o ruído internacional, mas por agora o que se discute é a saída das mãos de Kiev e o regresso às origens. 

O Sim vai ganhar hoje, pelo que é importante prever cenários.

Moscovo vai aceitar o resultado, mas Kiev, Washington e Bruxelas não. Para não haver conflito armado, é preciso que a Ucrânia, UE e os EUA não utilizem a via armada para tentar devolver a Crimeia à Ucrânia, pelo menos do ponto de vista constitucional. A questão que se coloca é saber qual destas três "personagens" vai dialogar com a Rússia e o Presidente Putin, uma vez que o presidente russo já disse que não se senta à mesa com Kiev e não há "acordo" entre a Rússia e os EUA. Este é o cenário de conflito diplomático.

O segundo cenário é o conflito armado. A Rússia já se preparou para um eventual ataque contra a vontade da Crimeia manifestar a vontade fazer parte do território russo. Neste caso, os EUA estarão na linha da frente do combate militar, cabendo à UE e a Kiev um papel secundário, já que não têm força para fazer face às forças russas. A UE pode tentar um papel fundamental ao aplicar sanções económicas a Moscovo.

O terceiro cenário, e o menos provável, é o facto de todas os agentes envolvidos nesta crise reconhecerem o resultado do referendo. Com esta hipótese tudo fica na mesma, e só o território da Ucrânia sofre uma pequena redução, mas poderá haver exigências no leste do país, e este facto é o que mais preocupa os novos membros do governo ucraniano. Contudo, Kiev e Washington já disseram que não vão aceitar qualquer resultado do referendo, pelo que voltamos ao primeiro cenário descrito acima. 


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