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segunda-feira, 10 de março de 2014

Não é justo pagar menos e beneficiar mais

O princípio que tem norteada as políticas públicas nos últimos anos é que as pessoas pagam menos impostos mas pretendem ter mais benefícios. A utilização dos equipamentos públicos tem de ser racional e obedecer a vários critérios, entre os quais o rigor, disciplina e necessidade. Não é possível num país onde apenas 40% das pessoas pagam impostos ter serviços públicos de qualidade e que o Estado seja o garante da manutenção e investimento desses mesmos serviços.

Normalmente aqueles que reclamam mais Estado e não querem a intervenção privada em alguns sectores são os mesmos que não contribuem com o seu rendimento para a melhoria e capacidade de resposta dos hospitais, escolas, segurança social, melhor policiamento, serviço público de televisão....

Como é possível manter o Estado forte, coeso e financeiramente saudável se os próprios cidadãos desse Estado não o ajudam?

Em Portugal há muito a cultura do "grátis". Ora, a saúde tem de ser gratuita, a educação também, bem como outras áreas em que seria possível fazer funcionar a relação entre qualidade do serviço prestado vs lucro decorrente da actividade. Este é o pensamento da maioria das pessoas que têm responsabilidades políticas no aumento da dívida, devido ao facilitismo com que se entregou a gestão dos equipamentos públicos nas mãos do Estado, mas o próprio Estado não consegue que 60% dos seus cidadãos paguem impostos para ajudar a ter mais receitas. 

Sinceramente que fico chocado quando se defende que o objectivo do Estado não deve ser a obtenção do lucro mas a prossecução do interesse público. As duas realidades não são compatíveis? Penso que são, até porque é necessário pagar salários, pensões, manutenção dos equipamentos. O Estado pode e deve criar mecanismos para aumentar a sua receita. Porque senão vai ter de obrigatoriamente fazer cortes. E isso dói muito mais.

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