terça-feira, 11 de março de 2014

Cavaco não sabe estar calado

O Presidente da República fala quando não deve mas não abre a boca quando o momento exige a sua opinião. Vem isto a propósito da opinião demonstrada por Cavaco Silva sobre a forma como Portugal deve sair do programa de assistência financeira. Ora, pensava eu que esta era uma matéria da exclusiva competência do governo mas também do Parlamento e na qual o PR não deveria fazer interferências. 

Tendo em linha de conta que a opinião presidencial é susceptível de causar várias interpretações bem como pressões junto dos orgãos executivo e legislativo, Cavaco não deveria ter emitido a sua opinião e omitido qualquer preferência institucional, embora a visão de um Presidente é sempre pessoal, visto que se trata de um cargo unipessoal. 

Porque fica Cavaco muito tempo calado quando o país precisa dele, como foi o caso da situação política em Julho 2013 e agora quando tem o dever de estar isento, faz ouvir a sua voz de Chefe de Estado ao impor uma saída do programa com ajuda cautelar. Estará o PR na posse de todos os elementos financeiros e económicos que lhe permitam dar uma opinião sustentada? Ou a sua teimosia é apenas pessoal e partidária? Cavaco Silva deveria ter ficado pela tentativa de reunir consenso entre os partidos políticos, no entanto os seus esforços esfumaram-se em Julho e a partir de agora nada há a fazer.

Em minha opinião Cavaco não está a prestar um bom serviço ao governo porque se defende um programa cautelar, está indirectamente a dizer que o executivo de Passos Coelho falhou os seus objectivos e dá razão a Seguro que continua a pedir eleições antecipadas se o governo optar pela via mais segura. 

Espero que o governo não se deixe influenciar por esta atitude de Cavaco Silva. Como dizia o antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, "saber quando nos devemos calar é uma das regras básicas da vida, mas também na política". 

Cavaco tem um problema porque não sabe estar calado quando deve e não fala quando é fundamental que o faça. Para mim não se trata de incompetência mas de pura estratégia política, o que não faz sentido quando Presidente nunca tem o lugar em risco.

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