quarta-feira, 12 de março de 2014

A campanha para o referendo já começou

A campanha para o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia já está em marcha, muito antes da campanha para as próximas legislativas britânicas que se realizarão em 2015. Caso o governo de David Cameron mantenha o poder a consulta popular vai ser uma realidade em 2017, como se pode notar pelo cartaz apresentado. 

Esta propaganda dos Conservadores surge depois de Ed Miliband, líder do Labour, ter vindo anunciar publicamente que não vai haver referendo caso o antigo partido de Tony Blair vença as eleições do próximo ano. Embora os Liberais-democratas liderados por Nick Clegg estejam no governo com os Conservadores, é público que o 2º partido da coligação governamental britânica entende que a "população vai votar contra a saída da UE". 

Há muitos analistas em Londres que entendem o eurocepticismo de Cameron, não para saír da UE mas para dar a oportunidade às pessoas de se pronunciarem. À semelhança do que fez em relação à independência da Escócia, o actual primeiro-ministro pretende uma clarificação popular sobre os temas que dividem a sociedade escocesa e inglesa. 

David Cameron está a usar esta questão para pressionar a Europa a fazer reformas, mas também para reforçar os poderes do Reino Unido na UE e juntar-se à França e Alemanha, mas o melhor seria mesmo expulsar os franceses da liderança europeia. 

Mesmo que o Labour vença as eleições, o que eu acho improvável, Ed Miliband não devia ter tomado esta posição quando ainda falta um ano para as legislativas e três para o dito referendo. É que se Miliband for o próximo primeiro-ministro vai ter a comunicação social e a população a exigir uma consulta popular sobre a matéria, até porque não há sinais de Miliband vir a ser um bom defensor do Reino Unido na UE. 


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