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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Subir degrau a degrau

Paulo Portas sempre foi um político influente, quer esteja na oposição ou no executivo. A sua primeira passagem no governo quando CDS e PSD estiveram juntos em 2004 foi uma aprendizagem para se tornar mais adulto com Passos Coelho. Quando Sampaio fez cair Santana Lopes, Portas tinha a certeza que mais cedo ou mais tarde iria voltar ao executivo com o PSD. 

Portas sabe que o eleitorado do PSD está confuso e por isso aproveita para ir buscar alguma coisa nas eleições. As suas jogadas políticas tendem sempre a prejudicar o actual parceiro de coligação mas que quando estão os dois na oposição se torna no principal ódio de estimação político. Como Portas nunca vai fazer um acordo com o PS resta aproveitar os cacos deixados pelos sociais-democratas para ir subindo os degraus muito lentamente. 

Não é novidade para ninguém que Portas não gostava de Vitor Gaspar, mas as revelações do ex-ministro das Finanças demonstra bem como o líder do CDS vai conquistando o poder dia após dia. O futuro dirá se Portas consegue chegar a PM aproveitando uma desorganização social-democrata. O próximo congresso dará uma resposta de como está a popularidade de Passos Coelho dentro do executivo mas Portas já conquistou a obediência do PM. Quem sabe se um dia Paulo Portas não é o candidato presidencial da direita apoiado pelo PSD.....

O actual líder centrista conseguiu remover Relvas e Gaspar do governo, os dois braços-direitos que protegiam Passos Coelho. Com a eliminação destes "protectores" e a pasta da economia nas mãos do CDS, a política financeira do país vai mudar. Não é por acaso que o CDS pretende alterações ao IRS a breve prazo, o que contraria o discurso cauteloso de Passos Coelho. Acho que Portas vai impor a sua vontade porque a partir do momento em que a troika sair do país, está aberto a possibilidade de surgir uma nova crise política. Com os mercados calmos e sem programa cautelar não interessa quando se realizam eleições, sejam este ano, no princípio ou final de 2015. Em minha opinião, o problema do IRS no orçamento para 2015 será motivo para termos eleições legislativas no princípio do próximo ano.

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