Etiquetas

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A rádio sobreVIVE

Já quase se tornou cliché vaticinar o fim da rádio quando, na verdade, tudo não passa de um mal entendido. Actualmente a rádio faz companhia a mais de 240 milhões de pessoas em todo mundo, numa média de pelo menos duas horas e 45 minutos por dia. Nada mal para um moribundo!


Quando em 1979 os Buggles cantavam que o vídeo tinha matado a estrela da rádio, não adivinharam porém que a sua carreira estaria morta muito antes disso. Na era dos podcasts e do Spotify há toda uma nova geração de ouvintes sequeosos e, a verdade é que já não é preciso ter uma telefonia para experienciar a chamada “magia” da rádio. É o meio de comunicação mais presente porque subsiste em qualquer plataforma: Blogues, Itunes, Televisão e a sair de qualquer aparelhinho com 3G ou uma simples antena. A parte boa é que qualquer pessoa pode escolher de que forma quer ouvir rádio. Aqui reside a confusão que certamente se tem gerado na cabeça dos profetas da desgraça: confundir descentralização com fraqueza. Como se sabe, tudo o que envolve evolução e recriação é marcado por versatilidade e, em vez de morte, o que existe na rádio é toda uma prosperação nesta nova era digital - e ainda só vamos a meio de todo um processo de renascimento. Não há atalhos para o sucesso e a radio é a prova disso, pouco a pouco vai-se adaptando ao mundo que a rodeia procurando estar presente onde haja ouvidos para ela.


O Spotify, por exemplo, não é mais do que uma rádio criada por nós próprios. Ao criarmos playlists que podem ser partilhadas pelos nossos amigos estamos a dar “audiência” à nossa pequena rádio, e ainda pagamos por isso com todo o gosto. O mesmo acontece com a chamada rádio tradicional: existem playlists criadas ao gosto dos seus ouvintes-tipo que são partilhadas de cada vez que alguém carrega no ON, seja do carro, da aparelhagem, do live streaming do computador ou do smartphone. O ciclo é o mesmo e todos saem a ganhar.
Se é realmente verdade que gastamos cada vez mais do nosso tempo com multiplas plataformas de comunicação, também é verdade que a rádio continua a ser um dos canais primordiais de noticias e entretenimento em todo o mundo. Ainda não há nenhum meio de comunicação no mundo capaz de substituir a humanidade impressa na rádio. A presença de uma companhia humana do outro lado das ondas hertzianas cria empatia e incita à imaginação dos milhões que escutam. A chamada “magia” da rádio, actualmente reside na sua capacidade de estar presente em todo o lado.

Texto de Filipa Galrão

Sem comentários:

Share Button