domingo, 5 de janeiro de 2014

O melhor de sempre?




Quando se discute a qualidade de um jogador de futebol é inevitável que se façam comparações temporais. O desporto-rei tal como hoje o conhecemos teve o seu apogeu no príncipio dos anos 50 quando começaram as provas internacionais de clubes mas sobretudo a nível de selecções. Com o surgimento das grandes equipas, por exemplo Uruguai, Brasil apareceram os craques. 

A história do desporto-rei já conheceu inúmeros craques: Pelé, Garrincha, Beckenbauer, Eusébio, Platini, Cruyff, Maradona, Litmanen, Cristiano Ronaldo, Figo, Leonel Messi..................a lista é infinita e nunca terá um fim porque a evolução do jogo permite criar alguns "astros". No entanto o futebol português não está recheado de talentos e só três é que figuram na história. São eles Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo. Depois há uma série de jogadores que estão perto dos três mágicos, no entanto nunca figurarão no estrelato. 

Se hoje em dia discutimos quem é o melhor entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo não é difícil de imaginar quais eram os temas há cerca de trinta ou quarenta anos atrás. Pelé foi um génio e tinha uma equipa brilhante, no entanto a selecção e 66 e o Benfica daquela época giravam em torno de uma só figura. Depois apareceram os génios Cruyff, Maradona e Beckenbauer que coincidiram todos ao mesmo tempo. Hoje há três craques à solta por essa Europa fora mas só dois deles é que podem ambicionar o céu porque também jogam em equipas de outro calibre. 

Discutir quem foi o melhor jogador de sempre é uma perda de tempo porque as circunstâncias são diferentes. O aumento do número de jogos e competições e as "obrigações" a que os jogadores estão sujeitos hoje em dia não permitem uma avaliação exacta. Poderíamos ir pelo número de golos ou assistências, no entanto isso são indicadores meramente quantitativos. 

Considero Eusébio o melhor português do seu tempo, pese embora nunca tenha assistido a um jogo ao vivo naquela altura. Figo também teve o seu auge na década de 90 e principio do século XX até ter aparecido um menino da Madeira. Felizmente o pantera nunca mudou de clube pelo que o seu reconhecimento internacional deveu-se muito à época de ouro do Benfica na década de 60. Apesar de ter sido um talento individual convêm não esquecer o suporte que a equipa encarnada oferecia a Eusébio. Nos dias de hoje os grandes craques são mais valorizados pelo que fazem individualmente do que vale o colectivo em que integram. É verdade que o Pantera Negra marcou muitos golos importantes mas na altura era a equipa do Benfica que ostentava o título de "melhor". 

Não quero retirar o mérito e o brilhantismo ao recém-falecido mas é justo enquadrar o sucesso do jogador na estrutura que o ajudou a tornar famoso.

1 comentário:

Fatyly disse...

Partiu uma figura que por mais elogios que façam não são suficientes para a grandeza como futebolista e sobretudo como ser humano.

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