terça-feira, 30 de julho de 2013

Gaspar não é bom amigo

Inqualificável o comportamento de Vitor Gaspar. Na primeira intervenção após a sua saída da pasta das finanças, o primeiro comentário é para a sua sucessora e ainda por cima para atacar Maria Luís Albuquerque. O ex-Ministro podia ter ficado calado e não abrir a boca numa altura em que tanto o PM como a Ministra estão a ser alvo de acusações. O caso iria ser esquecido com as férias de verão e as autárquicas, no entanto Gaspar decidiu dar um presente a toda a oposição. Quem diria que seria o ex-Ministro das Finanças o primeiro a prejudicar o actual executivo.....e a dar uma força a Portas!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Aguenta, aguenta é o lema de Passos Coelho

Passos Coelho ao longo destes dois anos tem revelado astúcia, coragem e determinação para fazer algumas reformas necessárias mas sobretudo impor uma austeridade excessiva que já levou à saída do seu Ministro das Finanças. Apesar disso, o PM tem sido um mau gestor do seu governo ao não perceber os sinais resultantes de algumas das suas políticas. Ora, Passos Coelho não liga muito ao que se passa na rua, no Parlamento e até dentro do seu próprio executivo, adoptando uma atitude de autismo no que toca a algumas opções que faz, nomeadamente na escolha de alguns nomes para o seu executivo. 

A manutenção de Miguel Relvas como Ministro quando todos já pediam a sua demissão e a nomeação da nova Ministra das finanças ilustram bem a teimosia com que Passos Coelho ainda gere o executivo. Confesso que não sei bem se é falta de experiência política ou teimosia. O PM ainda não percebeu que as oposições nunca desistam daquilo que pretendem, e tendo em conta que elas surgem de todos os lados torna-se difícil insistir no erro, pelo que mais vale dar o braço a torcer e mudar rapidamente, porque a manutenção da teimosia tem custos para o governo. 

Portas deu o primeiro sinal do erro enorme que Passos Coelho estava a cometer ao nomear Maria Luís Albuquerque para a pasta das finanças e nem a crise de que resultou a remodelação governamental calou os críticos. Pode ter acalmado Portas e o CDS, no entanto mal o novo governo tomou posse, a oposição veio em força pedir a demissão da nova ministra. O barulho promete continuar pelo menos até ao início das eleições autárquicas e nem um mês Agosto quentinho vai arrefecer os ânimos. Infelizmente Passos Coelho não vai sair bem desta polémica, já que deveria ter aproveitado a remodelação para remodelar a nova ministra. Não podia ter feito outra coisa e agora vai ter que arranjar uma solução sozinho já que o CDS não o vai ajudar. 

É na gestão dos momentos políticos que Passos Coelho tem de aprender com profissionais. São situações como estas que ajudam a oposição.

Mestres da Ilusão

Um filme de enorme suspense, ilusionismo, ficção e drama. Mestres da Ilusão apresenta-nos quatro mágicos que são capazes de fazer os truques mais incríveis como assaltar um banco. A sua magia nem sempre é a mais correcta, contudo não há ninguém que os tente apanhar, mesmo quando se trata da pessoa que lhes deu a mão. 

Este filme é repleto de magia e enigmas ao longo da sua duração, contudo é o seu final que espanta todos aqueles que acham que os magos vão ser apanhados, já que o final vai surpreender a maioria das pessoas. É um filme tipicamente norte-americano, sendo que nesta película não há ninguém que não fique do lado dos ilusionistas. 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Um governo cheio de boas intenções

A remodelação governamental correu bem a Passos Coelho. Num momento díficil, o PM respondeu à altura e reformulou o governo com pessoas capazes, competentes, mantendo os Ministros que estavam a fazer um bom trabalho. À primeira vista este executivo parece querer iniciar um novo ciclo em Portugal, no entanto costuma dizer-se que "de boas intenções está o inferno cheio". Assim sendo, por muita força de vontade e querer em mudar a actual situação, vai ser difícil ao governo mudar o actual estado da economia e social em que vivemos. Não só porque as reformas agora prometidas já deviam estar cá fora há muito tempo mas também porque Passos Coelho não deixar de ter o rótulo de "PM da austeridade". A não ser que haja uma redução dos impostos já este ano. Redução defendida em tempos pelo novo Vice-Primeiro Ministro e por António Pires de Lima. O choque entre os dois homens forte do CDS mas também do governo e a Ministra das Finanças pode ser o próximo diferendo que a coligação vai ter de aguentar. Além do mais, a provável derrota nas autárquicas vai obrigar Passos Coelho a mudar rapidamente a estratégia e a não esperar mais pelo Orçamento de 2015, onde aí seria lógica reduzir significativamente a carga fiscal que tantos nos asfixia.  
Tenho a convicção que Cavaco Silva vai ter de intervir novamente lá para meados de Novembro/Dezembro....

O novo líder Francisco

O Papa Francisco trouxe uma nova mentalidade para a Igreja. Pelo menos conseguiu reaproximar a Igreja do povo. Este Papa tem algumas semelhanças com o João Paulo II, pelo menos os primeiros meses de pontificado assim o determinam. 
Ainda bem que este Papa está a conquistar simpatia e popularidade em todo o mundo. Também é um factor positivo o facto de Francisco quebrar o protocolo para estar mais perto das pessoas, revelando um sinal que a Igreja está aberta a todos, fiéis e não crentes o Papa recebe todos de braços abertos. 
Ao ter este gesto, Francisco está a mostrar aos líderes políticos, sobretudo na Europa, que falta empatia entre os eleitos e os eleitores, no fundo as pessoas protestam porque os eleitos já não contactam com o povo. Longe vão os tempos em que existia uma relação saudável entre os dois pólos e há muito que não se vê um líder no meio da multidão a ser acarinhado, ao invés são recebidos com um enorme coro de assobios. Não se pode pedir mais ao Papa, porque o que ele fez é notável, para além da sua mensagem ser cativante e transmitida de uma forma leve. 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Para os defensores da monarquia

A monarquia ainda tem algumas coisas bonitas como é o facto de milhões de pessoas estarem à espera para saber o sexo do novo membro da família real. Quem ganha com isso são os media mas também a economia. Milhares de comerciantes ganham fortunas só por um pin ou uma moldura do novo membro da realeza. Talvez fosse bom em Portugal voltarmos ao antigo regime, porque assim era uma boa forma de relançar a economia, contudo como o nosso povo só liga ao futebol não sei se em termos mediáticos iria resultar...

Um Vice disfarçado de PM

À primeira vista a composição do novo governo parece-me acertada. As entradas de Pires de Lima, Rui Machete e Jorge Moreira da Silva são de aplaudir e garantem qualidade a um governo que estava demasiado preso às figuras de Portas, Relvas e Gaspar. A ascensão do CDS é visível com a chegada de Portas a vice-Primeiro-Ministro e a nomeação de Pires de Lima para a economia. Neste novo formato as faces mais visíveis serão a de Paulo Portas e António Pires de Lima, pelo que o CDS ganha notoriedade já que mantêm Mota Soares na segurança social e Assunção Cristas na agricultura. 

Esta remodelação é uma tentativa do CDS impôr as suas políticas bem como tentar ganhar um novo fôlego para as próximas legislativas sejam elas em que ano forem. As vitórias do governo terão um rosto que se chama Portas e nos falhanços será Passos Coelho a dar a cara. Apesar de ficar claramente a perder, a tomada do poder por parte do CDS pode dar algum descanso a Passos Coelho e ao PSD no sentido de não ficarem muito expostos, contudo o alvo da contestação será sempre o PM e nunca um outro ministro, é assim que as leis do jogo democrático funcionam. 

Apesar da pequena vitória dos populares este governo é melhor do que o anterior. Pires de Lima pode trazer novidades na pasta da economia, bem como Jorge Moreira da Silva em relação ao ambiente. O problema é que não são duas pastas com relevância política e cujo resultado favorável não contribuirá para a mudança de opinião relativamente ao executivo como um todo. 

Há que dar os parabéns a Paulo Portas porque conseguiu levar o CDS ao topo do governo. No entanto, há o perigo da queda ser maior e aí não acredito que o actual líder possa resistir. Apesar de algumas mudanças positivas, este governo tem um prazo de validade, pelo que o melhor é começar a preparar a sucessão enquanto o líder se anda a divertir a negociar com a troika, porque se não houver movimentações internas nestes dois anos, o CDS corre o risco de voltar a ser o partido do táxi, até porque o povo não perdoa e além do mais não gosta de Portas, seja ele ou não um PM disfarçado de Vice.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Agora venha as autárquicas!

Finda a crise política inicia-se agora a campanha para as autárquicas. Todas as atenções estão para os 308 municipios e muitas freguesias que vão a votos no próximo dia 29 de Setembro. Muitos consideram que o governo vai perder as eleições, no entanto não acho que se possa misturar alhos com bugalhos. As autárquicas têm uma importante característica que é a proximidade do eleitor com o eleito, algo que não acontece nas legislativas apesar das romarias pelo país fora. 

Além do mais as eleições autárquicas estão a assistir a um novo fenómeno que é o dos candidatos independentes. A falta de credibilidade e espaço que há nos partidos leva cada vez mais pessoas a constituírem uma lista própria para concorrerem a um orgão municipal ou à freguesia. É bom que assim seja, já que é sinal da vontade dos independentes em mudar, mas sobretudo dar uma nova esperança aos que estão fartos dos partidos. Hoje pouco se fala em candidato do partido X ou Y mas no nome da lista que vai a votos, já que esta integra elementos dos partidos mas não só. Para quem queria mudanças na forma de fazer política, as eleições autárquicas são um bom exemplo de cidadania pura. É importante que as pessoas se mexam e não passem a vida a criticar e a exigir alterações, pelo que é de saudar as inúmeras listas independentes que dia 29 de Setembro vão a votos. E que no futuro sejam cada vez mais. 

Caras novas por favor!

Já aqui defendi que a actual crise política se deve à falta de qualidade técnica, humana e política de quem lidera os partidos políticos. Também é um sinal de necessidade de mudança da organização e funcionamento dos partidos. É triste reparar que António José Seguro, Paulo Portas e Passos Coelho q.b, começaram a sua carreira política nas juventudes partidárias e desde então não têm feito mais nada da vida do que se dedicarem à política. Sobretudo Paulo Portas e Seguro. 

Não acredito que os partidos tenham percebido a mensagem do Presidente, no entanto gostaria que algo fosse feito. Infelizmente vai continuar tudo na mesma no que toca ao modus operandi dos partidos. Há muito que estes deixaram de se preocupar com as pessoas, passando a sua acção para questões internas. 

O repto do PR deveria funcionar para que houvesse uma reforma do sistema eleitoral mas também dos partidos. Ao mesmo tempo deveriam entrar novas caras nas lideranças partidárias, a fim de dar lugar à juventude que anda por aí. Ela tem mais qualidade, está mais qualificada e não tem certos vícios que ainda perduram na sociedade. Felizmente nas estruturas dos principais partidos há jovens com valor e que são substancialmente melhores do que os famosos "notáveis". Como eu não acredito que esta maioria dure até 2015, e que o PR vai convocar eleições para daqui a um ano, durante este período os partidos deveriam entrar em profunda reflexão, até porque se assim não for o cenário de um governo minoritário saído das legislativas é um cenário a admitir. 

O tiro dado por Cavaco Silva deveria ser aproveitado....

domingo, 21 de julho de 2013

Olhar a Semana - Portugal é um Estado Selvagem

Cavaco falou ao país e decidiu manter o governo em funções. Fez bem já que a alternativa não era a melhor. Não percebo como é que o PS quer ir para o governo nestas condições e tem o descaramento de falar em alternativa à austeridade quando todos sabemos que neste momento não há outro caminho senão seguir a cartilha da troika.

A semana foi marcada pelas negociações tendo em vista o acordo tripartidário sugerido pelo PR. À boa maneira portuguesa, o mediatismo foi enorme mas o resultado zero. Como é natural nestas alturas, a principal mensagem que os intervenientes passaram foi de responsabilizar o outro pelo fracasso. A falta de propostas tendo em vista o crescimento do país e a atitude de queixinhas após uma derrota são duas características que os portugueses têm muito e que já está a passar para as entidades colectivas. Da semana que passou ficou a certeza que os nossos políticos são muito maus e os partidos necessitam urgentemente de uma reforma. 

Apesar do fracasso negocial foi uma semana divertida. No jogo entraram também BE e PCP que quiseram fazer uma coligação à esquerda, como se alguma vez o PS da forma que está organizada iria aceitar estas condições. Ora, os socialistas nem estão à esquerda nem à direita, estão ali no meio à espera de não sei o quê. Os socialistas têm o feito o seu jogo da forma a obterem um resultado positivo no próximo eleitoral que lhes dê a maioria absoluta necessária para governarem com tranquilidade. Para já estão a ir bem, no entanto podem muito bem queimar-se caso não obtenham um resultado esmagador nas autárquicas e não consigam conquistar a Câmara do Porto. Não é por acaso que no meio da confusão, Mário Soares mete-se ao barulho. Em primeiro lugar para prejudicar o governo e depois para queimar o seu rival Cavaco Silva. Não tenho dúvidas nenhumas que grande parte do PS não está minimamente interessado em ajudar o Governo, até porque Passos Coelho em 2011 tirou o tapete a Sócrates. Contudo, muitos socialistas não desejam governo neste momento, daí que a táctica seja desgastar a imagem do governo ao máximo para depois assaltar o poder. Não com António José Seguro como líder mas com outra figura, muito provavelmente António Costa, daí que a entrada de Mário Soares em cena não tenha sido por mero acaso. O Presidente da CML apresentou esta semana a sua candidatura, mas mais do que isso fez o seu manifesto eleitoral para o largo do Rato. 

Em minha opinião este governo dura apenas um ano. Tempo suficiente para mandar a troika embora, depois entra um novo governo seja ele de que partido fôr. Tenho convicção que iremos assistir a algo inédito no que à organização dos partidos diz respeito, ou seja, acho que pela primeira vez num ano os três partidos do arco governamental vão fazer história e mudar de líder quase em simultâneo, e já agora se BE e PCP fizessem o mesmo não era má ideia. 

A semana que passou mostra bem que Portugal vive num Estado Selvagem, isto para homenagear a visita do PR às ilhas. Penso que esta visita não foi de propósito, tendo sido mais uma provocação de Cavaco Silva. Porque ele é o único que sai bem na fotografia nesta confusão política que foi montada por Paulo Portas para ter mais poder. Com tudo isto que se passou, Cavaco Silva tem a faca e o queijo na mão e o protagonismo político todo em seu redor. Nada melhor para quem está de saída da cena política.....

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Duas etapas para o Rui

Ao contrário do que acontece na maioria dos jornais desportivos, nós por cá gostamos de felicitar os atletas portugueses que triunfam no estrangeiro. A primeira vitória numa etapa do Tour de Rui Costa este ano não foi registada aqui, porque sabíamos da qualidade do ciclista português: Rui Costa vence a segunda etapa na edição deste ano do Tour e só não é candidato porque a liderança técnica da Movistar preferiu apostar em Valverde deixando o português mal classificado na geral. Contudo, o ciclista respondeu da melhor forma!

95

No meio da confusão política em que o país vive, passou despercebido o 95º aniversário de Nelson Mandela. A viver momentos complicados, mas no entanto recuperando a sua saúde, Madiba completou 95 anos de idade. A sua obra é extraordinária, não só em termos políticos mas sobretudo na forma humana como conduziu a África do Sul. Não nos podemos apenas agarrar às ideologias e regras quando estamos no poder. A única preocupação dos governos deve ser sempre o bem estar das pessoas. É natural que não se pode cumprir este desejo, no entanto hoje as políticas não são viradas tendo em conta as preocupações das pessoas. Até o contacto com os governantes se tornou mais difícil porque as decisões nem sempre são realizadas tendo em vista a prossecução do bem público. 

O bem público é o valor mais importante numa sociedade. Nélson Mandela foi um homem do povo e é por isso que o seu aniversário foi festejado em todo o mundo. Os políticos muitas vezes esquecem-se que transmitir simpatia, afecto, seriedade e responsabilidade vale muito mais do que uma medida. É importante uma mudança de comportamento para que as pessoas voltem a acreditar que o que se está a fazer é para o bem de todos. 

Quem fica Vice-Primeiro Ministro?

O Verão animou com a intervenção do PR a pedir aos três maiores partidos que se unissem e em conjunto encontrassem uma solução de compromisso nacional de forma a cumprir o programa da troika que tenderá a acabar daqui a um ano.

Como se nota pelas constantes reuniões, o acordo não está fácil, até porque os "notáveis" socialistas como Soares e Manuel Alegre vieram defender a ausência do PS nesta negociação. Soares tem uma dupla personalidade porque tanto dá para ter boas acções como para dizer asneiras. Ora, não foi no tempo de Soares que foi necessário unir os partidos democráticos no combate ao MFA? Ou Soares não gosta do PR ou não gosta de Portugal, porque para ameaçar Seguro é por uma destas duas razões. 

Há duas questões que estão em cima da mesa neste momento: Se Passos Coelho fica como PM de um governo de salvação nacional e qual é o papel de António José Seguro. No fundo, apesar das questões de conteúdo que são o mais importante, a base de entendimento passará sempre por questões de lugares, como não podia deixar de ser. É importante saber que lugar vai ocupar Seguro num eventual governo tripartido. Excluída a hipótese de ser PM, resta ser Vice-Primeiro, no entanto nesse lugar já está Portas e o próprio Passos Coelho já veio dizer que o líder do CDS será sempre o número 2. Não podendo haver dois Vice-Primeiro Ministro, porque aí seria a confusão total, terá de se colocar Seguro em algum lado. Não vejo o que possa contentar o líder do PS, até porque pela lógica os socialistas vinham em segundo, contudo o governo precisa do CDS e de Portas para se aguentar. Na minha opinião, Seguro vai fugir das suas responsabilidades com o rabinho entre as pernas, primeiro porque vai ceder às pressões e em segundo lugar porque não vai ter o protagonismo que o líder da oposição merece num futuro executivo, isto porque o lugar que pretende já está preenchido e nem à bomba Portas deixará de ser Vice. 

Estes dois factores farão com que o PS abandone o acordo. Nestes termos Cavaco tem um problema para resolver. Contudo, face à ausência do PS, o PR não tem outra alternativa que não dar um voto de confiança a esta maioria, culpando o Partido Socialista pelo fracasso das negociações. E assim, CDS, PSD e Cavaco saem por cima desta trapalhada toda.

Quem fica a perder somos nós que durante semanas achámos que íamos ter um governo de salvação nacional e condições políticas para que o programa da troika fosse cumprido. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

caciques

O acordo político pretendido pelo PR pode ser um pau de dois bicos, chegando mesmo a ser possível que se esteja a cometer um suicídio político. Não é muito comum na tradição política portuguesa os três maiores partidos estabelecerem acordos. Não vejo como será possível que três líderes diferentes uns dos outros e com perspectivas diversas vão conseguir chegar a um entendimento, mesmo que Cavaco esteja a supervisionar. Além do mais, as bases partidárias preferem uma crise política e o país à deriva do que sorrisos para a fotografia. Há bastante tempo que Cavaco "ordenou" os partidos para chegar a bom porto e até hoje só se fala em jogadas de bastidores para que não haja uma solução. Se calhar o melhor era haver eleições para limpar esta classe dirigente, no entanto temo que nem à bomba faria com que as actuais direcções partidárias dessem lugar a outros. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O corporativismo ainda está bem presente

Portugal é um país de facções e clubites. Vivemos pouco em democracia, preferindo o nosso cantinho e o nosso grupo. As áreas onde este aspecto é mais notório é a política e o desporto, mas também nas empresas e nas profissões liberais verifica-se muito esta situação. 

Durante três anos não foi possível alcançar um acordo partidário para estabilizar o país e evitar a vinda da troika a Portugal. Agora o que está em causa é a sobrevivência do país em termos económicos e só mesmo a mão do Presidente é que vai conseguir juntar os três líderes dos maiores partidos portugueses, para fazer uma troika governamental e assim aguentar o barco. 

A dificuldade de se trabalhar em conjunto está relacionado com a competitividade existente no nosso país, mas também pelo desejo de poder bem como o sentimento de inveja que ainda perdura na nossa sociedade. O pensamento não é o de colaborar para enriquecer a actividade mas o de ser o mais forte, o melhor. Esta atitude está errada porque posteriormente resulta em práticas pouco ilegais e ilícitas que levam a que a concorrência por vezes seja desleal. 

Voltando ao exemplo político, não se percebe porque razão é que só após 3 anos, duas eleições e uma queda e meia de um governo, os partidos estão dispostos a cederem nos seus objectivos eleitorais em prol da nação. Se o tivessem feito mais cedo, ficavam a ganhar até em termos eleitorais, já que a contribuição de propostas e ideias para tirar o país da crise é sempre bem vindo. Por aqui se nota duas coisas: a fraca qualidade dos líderes em termos políticos e humanos, bem como a sua pouca sagacidade política. No fim,o povo sabe reconhecer quem combateu e lutou em prol do país. 

Esta ideia de Portugal ser um país de facções está muito ligada às corporações do Estado Novo. O corporativismo ainda é algo que está muito bem patente na nossa sociedade. O nosso atraso reflecte aquilo que escrevi neste post. A concorrência é saudável, no entanto deve haver uma ajuda para que determinado sector seja o mais rentável. Não sei quanto tempo se demorará a chegar a esta conclusão, no entanto já perdemos muito tempo a pensar como derrotar o outro. 

domingo, 14 de julho de 2013

Olhar a Semana - Pai Cavaco toma conta dos miúdos

A palavra de ordem agora é: entendam-se! Os três maiores partidos portugueses têm de fazer um governo de salvação nacional para levar o país a bom porto até à saída da troika. Depois logo se vê e pode ser que o cenário político venha a estabilizar-se. É difícil fazer um governo de coligação à esquerda, contudo à Direita e com Paulo Portas na liderança do CDS também no resulta. 

Portas, Passos e Seguro vão estar obrigados a colaborarem mesmo que isso represente um enfado para qualquer um deles. Cavaco conseguiu fazer o que os líderes partidários por si só nunca fariam: colocar os interesses do país à frente das opções partidárias. Esta situação revela a fraqueza humana e política dos nossos líderes políticos, pelo que é urgente uma renovação nas lideranças do CDS, PSD e PS. Não só nas lideranças mas também na forma como se elege os líderes, porque o que está mal é a forma como as estruturas estão organizadas. Não é por acaso que tanto Portas, Passos e Seguro "subiram" na hierarquia partidária, controlando hoje os aparelhos partidários que tão bem conhecem desde os tempos das juventudes partidárias. 

O sistema está podre pelo que não é de admirar que faça subir ao poder pessoas sem nível político nem humano. 

O único agente político que saiu bem na fotografia da crise foi Cavaco Silva. O Presidente da República adoptou a atitude correcta ao não criar instabilidade política numa altura importante para o país. Todos nós queremos uma mudança na situação política, contudo ninguém quer que os responsáveis políticos fujam das suas responsabilidades. Se for para aguentar o barco durante mais um ano e depois haver uma renovação, tudo bem. Essa solução é melhor do que dar oportunidade para que as mesmas figuras continuem a sobreviver à nossa custa. O PR que foi criticado por não fazer nada, desta vez deu o exemplo a todos, em especial a Passos, Portas e Seguro. No fundo, Cavaco vai ser o Primeiro-Ministro de um governo de salvação nacional que terá apenas medidas de gestão e de cumprimento do programa da troika. O maior problema vai ser a elaboração do Orçamento de Estado. Tenho a convicção que Belém vai tomar conta do documento, o que seria inédito na história da nossa democracia. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O negócio feito pela calada

O mercado futebolístico está a ser animado pelo Caso Bruma. As dúvidas em torno do fim do contrato do jogador está a criar um pé de guerra. O Sporting luta pelos seus direitos, contudo não tem a vontade do jogador do seu lado o que é decisivo para o desfecho deste caso. Por outro lado, jogador e representante tentam a todo o custo uma desvinculação a todo o custo para que o jogador seja livre de assinar por um outro clube. Este espera a todo o custo um desfecho favorável para que possa ter nas suas fileiras um craque e ainda para mais a custo zero. O clube interessado na contratação de Bruma tanto pode ser uma equipa estrangeira como um clube português chamado FCP. 

Em Portugal ainda se faz tudo muito pela calada como se costuma dizer. Este é apenas um caso que decorre neste verão, mas poderia enumerar tantos outros que preenchem a nossa sociedade. Se na semana passada assistimos a uma encenação de uma demissão para ficar com lugares, no caso Bruma falamos de uma tentativa de ficar com um jogador talentoso, o que é legítimo, no entanto são utilizados todos os meios "ilegítimos" para ficar com uma jovem pérola. O que está em causa não é a questão financeira, mas o facto que está por detrás da recusa do jogador em voltar a vestir a camisola do Sporting. É notório que o jogador já está com a cabeça noutro lado, porque é lá que lhe proporcionam as melhores condições financeiras e desportivas. 

O chico-espertismo nos negócios ainda é recorrente em Portugal e é por isso que ainda há muita corrupção e falta de verdade. Mais do que estar sempre a acusar os políticos, convêm estar atento a estes casos que minam a credibilidade do nosso país. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O PR finalmente vai falar

O país hoje vai ficar a saber que Cavaco irá aceitar a proposta de governo apresentada por Pedro Passos Coelho. Não que a esta seja a solução ideal mas é a que neste momento melhor serve os interesses do país. Ir para eleições agora não fazia sentido, não só porque estamos em vésperas de autárquicas mas porque o próprio resultado não iria trazer mudanças na política que é necessário prosseguir. Com o novo figurino governativo, Cavaco tem a garantia que o programa da troika é cumprido à risca e assim sendo, daqui a um ano estamos a festejar a partida dos senhores que nos têm avaliado. Contudo, a austeridade é para continuar ainda que com outros pacotes, no entanto é necessário mudar de rumo. Daí que no próximo verão estejamos a preparar as legislativas após as europeias ou que venham os dois actos eleitorais coincidir no mesmo dia. Até lá os partidos do "arco" governativo têm tempo para se preparar e quiçá mudar de liderança, perspectivando um pós troika com novas caras e outras opções políticas que nos levem ao crescimento e prosperidade. 

Cavaco não vai arriscar demitir um governo para sair em glória de Belém. O PR só mesmo em último caso é que irá utilizar a bomba atómica. É bom recordar que o PR aguentou Sócrates até à última, obrigando o ex-PM a ser ele a dar o passo de se demitir. Cavaco espera que Passos Coelho faça o mesmo mas só no postroika. 


Para já é tempo de aguentar!


trair a pátria

Durante a vigência do Estado Novo muito se falava em traição à Pátria. Aqueles que eram contra o regime representavam os que conspiravam e colocavam a pátria em causa. 
Com a democracia a expressão ganhou menos significado e importância, visto que não há nenhum sentimento nacionalista e colectivo que corra a favor da pátria. No entanto, os que são contra a pátria colocam os interesses individuais ou partidários acima dos colectivos e não olham a meios para atingir os fins. Perante este cenário deveriam ser punidos, para além das consequências politicas decorrentes dessa atitude?



segunda-feira, 8 de julho de 2013

governo coxo

Concordo com a maioria das análises que este governo está coxo e não pernas para andar, pelo menos depois de 2014. Se tiver duração de um ano já é muita sorte, no entanto entendo que tanto Passos Coelho como Paulo Portas irão ficar juntos até à saída a troika, depois cada um irá para seu lado ficando à mercê do seu eleitorado. Se o governo não cumprir a legislatura duvido que tanto PSD como CDS consigam vencer as eleições e os seus líderes sejam de novo eleitos. Este problema coloca-se mais ao CDS, já que faz parte do ADN social democrata mudar de líder quando um PM não funciona. A grande questão é saber se as vidas de Portas duram após a previsível hecatombe de 2014. Caso o executivo cumpra o mandato pode ser que o PSD tenha maioria absoluta e já nem sequer precisar do apoio do CDS. Duvido que assim seja porque o povo está descontente com esta maioria apesar dos esforços feitos para combater a crise. 

Portas já conseguiu o que queria, pelo que não irá almejar mais. Por forças de algumas circunstâncias poderia ambicionar liderar um governo com uma subida do CDS, no entanto a birra do líder centrista deu resultados. O Presidente do CDS quer ter o protagonismo sem que seja ele a dar a cara nos maus momentos, aguardando-se para celebrar nas vitórias. No fundo,o líder do CDS é parecido com aqueles treinadores que reclamam a vitória para si e culpam os jogadores na hora da derrota, quando deve ser precisamente ao contrário. Portas vai ter o papel mais importante deste governo, cabendo a Passos Coelho ser o porta voz do executivo, nada mais. Podemos assegurar com toda a certeza que Portas é o primeiro ministro deste governo. Caberá a ele desfrutar da ocasião e sair por cima na altura certa....

Cavaco vai ter de aceitar esta solução porque é a única que lhe garante estabilidade. Percebo que o PR queira Portas no governo porque é mais complicado controlá-lo se estiver fora do executivo. Perante a opção apresentada, Cavaco Silva passará a ter um papel quase diário de intervenção neste executivo. 

domingo, 7 de julho de 2013

Olhar a Semana - O Coelho entalado numa Porta

A semana que agora termina foi uma das mais intensas politicamente. A demissão de Vítor Gaspar fez abanar um governo que já dava sinais de fragilidade. Gaspar foi o pretexto para Paulo Portas consumar uma birra que há muito vinha ameaçando, acabando por ser o protagonista da semana. 

O ex-MNE e actual Vice-Primeiro Ministro saiu no governo na terça e reentrou para o executivo no sábado. O seu maior apoiante não foi Passos Coelho que não aceitou o seu pedido de demissão, mas o Presidente da República que exigiu ao PM que cedesse perante os pedidos do líder do CDS. 

A birra de Portas foi inqualificável, a atitude do PR incompreensível e a postura do PM de dignidade porque não abandonou o barco à primeira tempestade, contudo é Passos Coelho quem sai mais beliscado desta crise provocada pela direcção do CDS. Passos não só fica refém de Portas e agora Pires de Lima como perdeu o apoio institucional de Cavaco Silva, já que o PR acha mais importante ter Portas no governo do que continuar Passos como PM. 

Paulo Portas há muito que vem subindo degraus na hierarquia política. O seu objectivo de chegar a PM está perto, no entanto para ele basta ser Vice já que assume as funções desempenhadas anteriormente por Miguel Relvas. E aqui reside o principal problema de Passos Coelho e do PSD: O líder do CDS tem carta branca para fazer o que quiser nos bastidores de São Bento. É o número 2 do governo, tem a pasta da economia e ainda para mais vai ser ele o interlocutor nas negociações com a troika, o que faz de Maria Luís Albuquerque uma mera espectadora. Ora, o CDS conquista a pasta das Finanças Externas e a Economia, o que para segundo partido da coligação não é nada mau, além de ascender ao topo o que condicionará Passos Coelho para o resto da governação. Sem apoio nestas pastas, o PM será um mero joguete ao serviço de Portas, Pires de Lima e toda a direcção centrista. 

Passos Coelho não tinha alternativa mas cedeu em demasia, quanto a Portas admiro a sua sagacidade política, contudo não gosto da postura do actual Presidente do CDS já que desde sempre usou a política para subir na vida e a encenação desta semana prova isto mesmo. Para o líder do CDS, o topo da pirâmide está ao alcance de um deslize de Passos que o faça abandonar o cargo de PM por falta de apoio no governo mas também do próprio PR. Perante esse cenário e para garantir a estabilidade governativa, pelo menos até 2015 Cavaco opta pela segurança e nomeia Portas para PM. É uma jogada de mestre a de Portas......

Não compreendo a decisão do PM ter aceite integrar uma lista única com o CDS para as europeias. Duvido que o PSD aceite este cenário para as eleições de 2014, bem como o novo figurino do governo. Se Passos Coelho esta semana teve de ceder às pressões do CDS, o PM vai ter de preocupar-se com as vozes do PSD que se vão insurgir com este novo figurino. 

Para concluir a questão é simples: O PSD não gosta de Portas e Portas despreza o PSD na sua totalidade. O pior é que controla o CDS a seu bel prazer. Paulo Portas está no céu. 

sábado, 6 de julho de 2013

E tudo acaba como era dantes

Seria bom para o país que Portas fosse embora do governo e substituído por outro elemento do CDS. Era óptimo que Portas abandonasse a liderança do CDS e deixasse o partido continuar a sua viagem sob a liderança de outra pessoa. Era excelente que Paulo Portas sumisse da vida política portuguesa para sempre. Contudo nada disso vai acontecer, já que o menino embirrento afinal parece que vai ficar mesmo no governo e com poderes reforçados. Já era de esperar este desfecho tendo em conta o que Cavaco pediu a Passos Coelho, mas sobretudo a atitude do PM perante o abandono do barco de Portas. Para Passos, Portas fica a assumir as responsabilidades e depois na campanha pré-eleitoral para as legislativas que deverão ser em 2014, o CDS e o seu líder já não são mais necessários. E aí começa a guerra uma guerra que levará o Partido Socialista de novo ao poder. Esqueci-me de dizer que Cavaco Silva mais uma vez não fez nada.....

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Pela Porta de baixo

Quando se está num cargo político a coerência e a credibilidade são dois aspectos muito importantes. A primeira define um rumo, um objectivo, um discurso uno que pode ou não ser credível. A credibilidade conquista-se perante os actos que se vai praticando ao longo dos mandatos. Aqueles políticos que se mantêm no cargo durante quase uma vida inteira conquistaram a sua credibilidade e coerência perante os eleitores. Esses fenómenos raros de honestidade política acontecem em particular nas autarquias onde o contacto entre autarca e população é diário, pelo que se vai gerando uma relação de proximidade e em certos, até de amizade com quem resolveu um problema comum a várias pessoas. 

O político tem um poder enorme nas mãos pelo que é natural que ambicione chegar o mais longe possível. Isso acontece nas empresas, nas famílias, nos clubes desportivos e em todas as áreas onde está presente um ser humano, já que não há ninguém que não queira ter poder. No entanto, o político é diferente de um empresário, advogado, jogador de futebol porque o seu desejo de poder colide com o interesse público. O bem comum deve estar acima da ambição pessoal que depois é reflectida nos jogos de poder que naturalmente preenchem o dia a dia em qualquer instituição. Chegar ao poder significa controlar a causa pública, isto é, os cidadãos, a informação, e sobretudo "secar" à sua volta qualquer tentativa de usurpação de poder por iniciativa de outrem ou através de um grupo dedicado exclusivamente àquela tarefa. Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, são os que estão no poder os mais vulneráveis, porque o seu lugar é o mais apetecido e concorrido, mesmo pelo amigo mais fiel ou companheiro de governo que jurou lealdade à nação mas em primeiro lugar ao chefe de governo. 

A traição é uma coisa má em qualquer circunstância. Normalmente falamos de traição passional, familiar, de um amigo, de um colega de trabalho. Nestes casos há formas de ultrapassar a traição, contudo na política não é bem assim. Aquele que trai é o que deseja o poder e não o poderoso, tendo ou não uma estrutura que o apoia nessa infidelidade. A expressão "tirar o tapete" aplica-se que nem uma luva nas traições políticas, já que não é passível de ser desculpada. As formas de trair são variadas mas têm um denominador comum: nunca dar a cara na hora da traição.

A situação política que vivemos e o episódio de terça feira é um caso de pura traição política. Para bem do país não foi uma traição colectiva mas meramente pessoal. O país ficou em choque, contudo já se esperava uma atitude destas tendo em conta os antecedentes do autor material da traição. Até hoje, o líder do CDS ainda não deu a cara nem explicou ao país as razões da sua demissão, escrevendo apenas uma carta que é insuficiente tendo em consideração o momento que atravessamos mas a importância do Ministro em causa. A colectividade que é dirigida pelo ministro em causa esteve bem já que do Parlamento a bancada parlamentar manteve o seu apoio ao governo mas também ao PM. Pelo que se percebe, não será a colectividade a deixar o país sem governo mas uma mesquinhez política de alguém que está a prejudicar o próprio partido que representa. 

Ao contrário do que seria de esperar, o partido não está com o seu líder nem está para aturar mais atitudes de pequena dimensão. O partido foi um dos fundadores da democracia portuguesa e nele estiveram dirigentes que muito contribuíram para o desenvolvimento do país, para além de serem conhecidos pela sua competência, honestidade política e intelectual, características que o actual líder nunca teve apesar dos discursos a roçar a falsidade. Em boa hora o partido acordou e reagirá conforme a sua história e papel que desempenha na sociedade portuguesa. Não há líderes insubstituíveis quando a organização é forte e tem jovens valores dispostos a lutarem pela ideologia em questão e que só não estão mais activos porque o único que aparece é o seu líder. O CDS não é o BE nem os seus dirigentes têm a falta de qualidade que alguns bloquistas já evidenciaram após a saída de Louçã. Felizmente o CDS-PP está muito para além de Portas e dos seus três ou quatro rapazes de estimação que ainda o bajulam. Contudo, todos os ciclos terminam e o de Portas está quase no fim, tendo o actual líder dado um grande passo para que saísse do partido pela porta debaixo e não por um grande portão. É urgente uma substituição do actual líder bem como dos seus amigos de sempre, para que o CDS seja um partido aberto às várias tendências que o PP tem dentro do seu círculo. Continuar apoiar Portas e a sua política tacanha é pedir a certidão de óbito do CDS.....


A única solução é a salvação nacional

Depois da birra de Portas e da intransigência de Passos Coelho, o futuro do país está nas mãos de Cavaco Silva. Desta vez o Presidente tem de tomar uma atitude e não se ficar pelos pensamentos e indecisões que têm sido constantes ao longo deste segundo mandato. 
Tenho a plena convicção que Cavaco não quer Seguro em São Bento, pelo que evitará a todo o custo convocar eleições antecipadas, ou então quebra uma regra democrática e não escolhe o líder do partido mais votado para PM. 
A continuação deste governo depende da presença de Portas no mesmo, pelo que é o líder do CDS que tem a chave para abrir a cabeça de Cavaco. Sem Portas no executivo só há uma solução para que não haja nova traição: que os centristas tenham a coragem de colocar o seu líder fora do partido o quanto antes. Apesar de algumas movimentações internas, duvido que consigam afastar o ainda líder pelo menos até à saída da troika. Não vale a pena especular porque até 2014 Portas e Passos vão-se manter como respectivos líderes de CDS e PSD caso não haja eleições, contudo um novo acto eleitoral a ser realizado antes do verão do próximo ano era pouco tempo para que estes dois partidos substituíssem os actuais líderes por alguém capaz de ganhar as eleições ao PS de António Seguro. Mesmo com a popularidade em baixo, o secretário geral socialista venceria a qualquer entrada recente nos partidos da direita. 

A intenção de Cavaco é clara. Para além de não querer este PS no governo, pelo menos de forma solitária e com a ameaça da entrada da esquerda, o Presidente fará tudo o que estiver ao seu alcance para levar este governo até à saída da troika que acontecerá em 2014. Depois era natural que se realizassem eleições para resolver o conflito mas para ter um governo sólido que iniciasse o caminho da recuperação. Uma coisa é certa, vamos ter eleições ou já este ano ou em Setembro de 2014, nunca este executivo aguenta até 2015. Se Portas e Passos não chegarem a um acordo, o mais natural é que seja o Presidente a escolher um governo de salvação nacional até à saída da troika, à semelhança do que aconteceu com Itália. No entanto, a personalidade indicada por Cavaco sairá da Assembleia da República e terá o apoio de todos os partidos governamentais. Manter-se-ão alguns ministros que têm feito um bom trabalho como Paulo Macedo, Miguel Macedo, Assunção Cristas, Pedro Mota Soares e Nuno Crato, contudo haverá alterações na liderança do governo bem como nas pastas das finanças e economia. O problema deste governo tem a ver com a liderança e com a política fiscal que está a ser orientada e não com a qualidade de alguns ministros que até estão afastados das guerras partidárias. Por isto o PR terá de chamar alguém que reúna consenso entre os três maiores partidos do "arco" governamental e que tenha capacidade de liderança e política para durante um ano estabilizar o país nas suas várias vertentes. 

Com esta solução, PSD e CDS terão tempo para se organizar internamente e disputar eleições legislativas em plano de igualdade com o PS, e o próprio António Costa poderia preparar o assalto ao Largo do Rato,  caminhando desta forma para a estabilidade. Convocar eleições antecipadas, formar um novo governo que não terá maioria absoluta era desperdiçar o trabalho feito até aqui e que só foi estragado por divergências pessoais. Ao contrário do que tem acontecido com os seus líderes, os grupos parlamentares do PSD e CDS têm tido um comportamento exemplar e muito responsável, mostrando uma imagem de união dentro do Parlamento que é bem real. Perante isto, não será pelas bancadas que suportam o governo que este irá cair. E para não deitar todo o trabalho que a Assembleia da República tem realizado em prol do país, a melhor solução seria juntar PS, PSD e CDS num único governo liderado por um PM escolhido pelo PR mas que estivesse sentado na AR. 

Esse seria talvez o maior problema de Cavaco Silva. 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A encenação resultou

A aparente demissão do Ministro Paulo Portas não passou de uma encenação para que o actual líder centrista fique com mais poder dentro do governo. A saída de Gaspar é um motivo forte para Portas exigir mais a Passos Coelho e encostar o PM e o PSD à parede: ou nos dão aquilo que queremos ou saímos do governo e vocês (PSD) são os mais prejudicados nas próximas eleições, porque o CDS sempre pode voltar ao governo coligado com o PS. 

Quem tem de aturar Portas no governo está obrigado a este tipo de ameaças e jogos políticos. O Presidente centrista sempre foi um jogador e tem em linha de conta apenas e só os seus interesses partidários e pessoais, nunca os do país. Esta birra vem mesmo a calhar já que coincide com a realização do congresso, sendo previsível que os discursos se centrem no PSD. Os sociais-democratas são o braço direito do CDS mas ao mesmo tempo o seu maior inimigo ideológico. A excelente votação que o CDS obteve em 2011 permitiu que o seu líder tenha esta atitude. Mérito dos democratas cristãos mas também muito demérito do PSD que se deixa atropelar pela qualidade dos políticos, sobretudo do grupo parlamentar do CDS. Se no governo há uma coligação, na Assembleia da República o CDS tem obtido vantagem sobre o PSD, dada a qualidade dos deputados centristas. 

Considero que esta é a altura certa para fazer uma remodelação profunda, no entanto não era descabido aguardar pelo resultado das autárquicas, contudo o CDS não está disposto a levar uma banhada nas próximas eleições, pelo que exige alterações de imediato. Acho que está no seu direito como membro de uma coligação, contudo o poder não pode cair tudo nas mãos de Portas, ainda para mais quando já não está Relvas a servir de tampão ao PM. 

Se Paulo Portas vencer esta birra o resto da governação vai ficar dependente de futuras encenações do líder centrista, contudo Passos Coelho precisa dele pelo menos até 2015.....

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Voltàmos à instabilidade da 1ª República

A instabilidade política, económica e social que se vive é muito parecida à que conduziu o nosso país ao Estado Novo. Os primeiros anos da jovem República não foram nada fáceis e durante quase 10 anos não houve governo que durasse mais de três anos, acompanhado de substituição repetitiva de governos que ora se constituíam, ou eram derrubados. Esta instabilidade deu origem a que se criasse um estado autoritário e repressivo para acalmar qualquer tentativa de perturbação social. 

Cem anos depois a situação que se vive é parecida. Desde 2001 até hoje já tivemos cinco PM´s e só conseguiu terminar o seu mandato, que foi José Sócrates de 2005 a 2009. Desde esse ano que nenhum governo dura mais de dois anos. Sócrates aguentou-se de 2009 a 2011 e Passos Coelho dificilmente irá passar 2013 em São Bento. Ao contrário do que sucedeu na 1ª República, a instabilidade da nossa democracia não inicia no seu começo mas numa idade já adulta. Era previsível que os primeiros anos do regime democrático fossem complicados, contudo a qualificação dos políticos e a entrega dos partidos para ajudar a acalmar a sociedade foram determinantes para estabilizar o regime novo. É verdade que houve um PREC, contudo com abertura foi possível chegar a bom porto, não esquecendo o papel que a entrada na União Europeia teve na estabilização política e social do país. 

Hoje as condições são totalmente diferentes. As mudanças de governo são uma constante, as ameaças de um futuro sombrio é cada vez maior e o pior de tudo é que nem os partidos conseguem resolver o problema que eles próprios criaram. São os próprios modelos partidários que estão esgotados e abandonados pelas pessoas que vão às urnas em menor número. Tal como acontecia há 100 anos atrás, as personalidades de hoje não têm qualidade para representarem o povo. Os Afonso Costa, Sidónio Pais de antigamente deram lugar aos Portas, aos Coelhos, Seguros e Sócrates da nossa praça. Gente sem qualificação técnica, sem actividade profissional e o mais grave de tudo, é que apesar da sua ascensão ao topo através das estruturas partidárias não têm o mínimo jeito para a política. Para além das questões de idoneidade que se levantam em muitos dos nossos representantes......Os jogos políticos, as intrigas partidárias e tudo o resto à volta dos partidos é bom para os comentadores mas é péssimo para o país. 

A realidade de hoje é esta, no entanto o futuro é uma grande incerteza. Não vamos voltar a ter de suportar um novo "salazarismo", contudo é bem possível que venhamos a ter de obedecer a um chefe único, esteja ele em Lisboa, Bruxerlas, Berlim ou Paris, a verdade é que este modelo está esgotado e não me parece que tenha pernas para andar porque seria preciso mudar muita coisa para que a estabilidade volte. Com o regresso do Deus único voltam a cair as liberdades individuais e colectivas para que a bem do interesse comum não se caia novamente no pântano social e político. 

Dos cobardes não reza a história

A demissão de Paulo Portas do Governo significa a queda do mesmo. Apesar da tentativa de Passos Coelho tentar segurar as pontas ao não aceitar a demissão do MNE, a verdade é que o executivo entrou em coma, faltando apenas a sentença de Cavaco Silva para decretar a sua morte. Como o PR tem estado calado durante todo este tempo, ninguém sabe o que vai fazer Cavaco, contudo é de esperar que desta vez, e só mesmo desta vez faça alguma coisa, tome uma decisão seja ela qual for. 

Portas tanto ameaçou que roeu a corda no melhor momento político para ele mas no pior para o país. O líder do CDS sabendo da substituição de Vítor Gaspar quis arranjar um facto político para criar instabilidade e colocar as culpas no PSD. Além do mais, nota-se o descontentamento pelo facto do líder centrista não ter ficado com a pasta das finanças o que lhe daria carta branca para cumprir aquilo que vem defendendo há algum tempo. Na minha opinião esta demissão de Portas trata-se de uma encenação política para se vitimizar e culpar o parceiro de coligação. Lembram-se da famosa AD com Marcelo Rebelo de Sousa?  No próximo fim de semana veremos qual é o estado de espírito do ainda MNE. 

O líder centrista fez mal em demitir-se e abandonar o barco numa altura destas, no entanto esta é uma situação recorrente em Portas e só surpreende quem não está atento aos pormenores. Passos Coelho fez bem em não aceitar a demissão e obrigar Portas e o CDS a assumirem o compromisso de cumprirem o mandato pelo menos até à saída da troika. Aplaudo a coragem de Passos Coelho que não abandona o barco em situação díficil, como fizeram Guterres, Barroso e Sócrates. Para o PM seria fácil pedir a demissão e entregar a responsabilidade a outro, já que o próximo que vier vai durar pouco tempo. Mas não, Passos Coelho não só continua a dar a cara como obriga os outros a continuar o trabalho que está a meio e não pode de forma nenhuma ser travado por uma crise de egos ou birras de miúdos crescidos. 

Voltando a Portas, há quem diga que o líder centrista tem sete vidas, no entanto as suas fugas terão como consequência um resultado mau para o CDS. Como se explica que Portas se candidate a novo mandato no partido e se demita do governo logo a seguir? Para mim é claro como a água. Portas está novamente a brincar aos governos e a fazer uso de uma estratégia para roubar votos ao PSD e voltar a São Bento desta vez acompanhado pelo Partido Socialista. O que Portas não contava é que Passos Coelho lhe pregasse a partida de não ter aceite o pedido de demissão. E agora o que faz o líder do CDS?

terça-feira, 2 de julho de 2013

Vamos ter eleições!

Portas demite-se. E agora? Vai virar-se para o PS, ficar no CDS ou sai de vez do partido e da política portuguesa? É bom que explique quais são as suas intenções políticas para que de dois em dois anos não tenhamos eleições.......

Aumenta a esperança britânica

Numa altura em que se vão jogar os quartos de final do torneio de Wimbledon todas as esperanças do público inglês recaem em Andy Murray. Após a eliminação de Rafael Nadal e do Heptacampeão Roger Federer, a vitória só poderá cair para o número 1 mundial Novak Djokovic ou a Andy Murray, finalista do ano passado e vencedor dos Jogos Olímpicos no mesmo palco.

Os ingleses há muito que sonham ver o seu menino prodígio ganhar o mítico torneio, além do mais uma vitória sobre Djokovic significaria aproximar-se do actual número 1. O tenista britânico está mais madura, apresenta um ténis mais evoluído e tem o público a apoiá-lo. Se o jovem tenista não aproveitar esta oportunidade pode ficar com a carreira marcada por este falhanço. 

A esquerda quer um novo partido ou um novo PS?

Nos últimos tempos muito se tem falado sobre a possibilidade de nascer um novo partido à esquerda. Os partidos tradicionais como PS, PCP e BE não preenchem o campo ideológico que lhes está destinado, por razões distintas. O PCP é um velho partido que sobe e desce em cada acto eleitoral mantendo o discurso de há 40 anos atrás. Até a forma de votação dentro da estrutura continua a mesma.......
O BE perdeu o seu líder carismático e hoje está entregue a uma solução bicéfalo. Normalmente as lideranças partilhadas acabam mal. Ou os dois zangam-se e vai cada um para seu lado acabando por partir o partido ao meio, ou então está para aparecer um novo líder com mais carisma, sendo que João Semedo e Catarina Martins estão apenas a tratar da transição. No entanto a solução do BE pode significar o fim do partido, isto porque à falta de um bom líder escolhem-se dois medianos. 

O futuro do BE ainda é mais incerto do que o do PCP porque os bloquistas não fizeram o percurso desde o 25 de Abril e corre o risco de ser um fenómeno raro se não mudar de liderança ou se porventura esse novo partido venha mesmo a nascer. Estou convencido que algumas pessoas estão fartas do BE e pretendem criar uma alternativa democrática mais forte, que possa inclusive ser uma solução governativa no futuro, coligado com o PS. O grande problema do BE é este. O partido não serve os interesses no PS numa eventual coligação. E os socialistas necessitam de alguém que lhes dê a mão, da mesma forma que o CDS sempre ajudou o PSD. 

Mas é no PS que está o problema central. Os socialistas há muito que se estão afastar dos valores que marcaram a sua história, sobretudo no período 25 de Abril e com Mário Soares ao leme. O PS tem virado um pouco à direita e a isso não é alheio o facto de Sócrates ter vindo da JSD. O ex-PM já não é líder do PS mas os últimos 6 anos de governação socialista mais parecia um governo de direita, já que foram os mais desprotegidos que sofreram com a austeridade e desgoverno socialista. Guterres foi o último líder socialista que estava mais à esquerda. Tanto Sócrates como Seguro não são líderes que se possa dizer de "esquerda".  

Perante o exposto não é admirar que tenha sido Mário Soares o responsável pelos movimentos de esquerda contra as políticas do governo, e a ausência de figuras do PS revela bem o estado em que o partido está, pelo menos no campo ideológico. A esquerda precisa de um novo PS e não de um novo partido, já que não há espaço para mais partidos, não só com capacidade para entrar no "arco" parlamentar mas que sejam uma opção de governo em caso de coligação. Falta à esquerda, o que a Direita tem. No entanto, o necessário é uma transformação radical do Partido Socialista e dos seus valores.  

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Gaspar, Swaps, Portas e o resto da história

Vítor Gaspar sai do governo após um enorme desgaste causado pela política de austeridade com que brindou os portugueses durante estes dois anos. A sua política fiscal redundou num imenso fracasso que deixou o país à beira de um segundo resgate. Além do mais vai ficar na história as tentativas do ex-Ministro em acertar as previsões económicas, coisa que nunca conseguiu fazer. Apesar do país não aguentar mais austeridade a verdade é que o Ministro sempre se orientou pela sua cabeça, o que não é condenável já que é conhecido a tendência para os Ministros das Finanças governarem consoante a vox populi. É de realçar a independência com que Gaspar conduziu a sua política financeira, ainda que com austeridade a mais e crescimento económico a menos. Há umas semanas, o Ministro avisou que tinha chegado uma nova fase no cumprimento do programa da troika, no entanto Gaspar não fará parte dela. A sua credibilidade internacional e nacional não pode ser colocada em causa, o problema é que Vítor Gaspar não se apercebeu do impacto das suas medidas junto dos portugueses. Tendo em conta que não veio das bases partidárias mas da Universidade, o ex-Ministro demorou a perceber aquilo que era óbvio. A sua preocupação estava relacionada apenas com o cumprimento do programa da troika custe o que custar, independentemente do impacto que as suas políticas teriam junto da população portuguesa. Por se tratar de um técnico e não de um político profissional, Gaspar levou a sua consciência até ao fim. Por isso é que se tramou e já não vai fazer parte da eventual mudança que todos esperamos mas que tarda em chegar. 

A saída de Gaspar é um alívio para os portugueses e uma vitória para a oposição, sindicatos mas também para o próprio Presidente da República que há muito vinha alertando o Ministro. Em meu entender Pedro Passos Coelho sai derrotado e mais fragilizado, porque a saída de Gaspar é o reconhecimento do falhanço da política assumida pelo governo mas também um sinal que algo irá mudar no futuro. Saindo Gaspar após a demissão de Relvas, o PM fica sozinho num governo dominado cada vez mais por Paulo Portas e o CDS. Portas é outro dos vencedores já que sem os dois homens mais importantes de Passos Coelho, passa a número 2 faltando pouco para chegar à sua cadeira de sonho. Nestes termos, Portas fica com margem de manobra para exigir a Passos Coelho o que bem entender e quando quiser. A partir deste momento, Passos Coelho fica refém de Portas até final da legislatura. 

Considero que Gaspar já não tinha mais margem de manobra. Sair agora ou depois das autárquicas era o mesmo para o governo mas não para o país, porque isso implicaria que o OE 2014 fosse desenhado por um Ministro cuja porta de saída estava mais do que aberta. No entanto, não faz sentido o governar nomear como Ministra das Finanças uma pessoa que está implicada no caso das SWAPS. O governo deveria aprender com a saída de Gaspar e não oferecer à oposição mais um motivo para contestação. 

Fim da linha na austeridade

Antes que haja razões para Passos Coelho se demitir, Vitor Gaspar sai do executivo a três meses das eleições autárquicas da elaboração do novo OE. Ganha o país, ganha a oposição, é uma vitória para Paulo Portas, mas perde o PM porque vê sair o seu número 2 após a demissão de Miguel Relvas há uns meses atrás. No entanto, o governo ganha um novo fôlego.....

É caso para dizer que para Paulo Portas mandar no executivo só falta sair o Primeiro-Ministro.

O país pode respirar um pouco?

Os regimes e os rostos visíveis

Cada regime tem o seu rosto. Aquele que comanda é a figura principal de um regime, seja ele democrático ou não. As políticas adoptadas são o espelho da ideologia defendida por esse mesmo rosto. 

Normalmente o regime vigente confunde-se com o seu líder, porque é ele o "fundador", pelo que a existência do regime depende unicamente da sobrevivência política do líder. Os casos do Nazismo na Alemanha e do Estado em Portugal é um exemplo da validade do regime em função do rosto que o guia. A chamada Primavera Árabe que ocorreu entre 2011 e 2012 só ocorreu porque os regimes autoritários só vigoraram enquanto os respectivos líderes se iam perpetuando no poder. 

Não só nos regimes autoritários há um rosto visível, considerado quase um Deus supremo. Também nas monarquias havia o "Rei Sol", todo poderoso que comandava o regime a seu bel-prazer. 

Nas actuais democracias que o mundo ocidental conhece, não se pode dizer que há um rosto visível do regime, já que o poder não se centra exclusivamente numa pessoa. Contudo, esse "poder absoluto" depende da adoração que os representados têm em relação a um Primeiro Ministro ou a um Presidente da República.  Nesta questão é preciso ter em conta que tipo de poderes estão destinados aos chefes de Estado ou de Governo.  A influência que tem junto das pessoas é sempre determinado no sufrágio, ao contrário do que sucedia na maioria dos regimes europeus na primeira metade do século XX bem como em muitos países do Médio Oriente. 

A democracia não é o melhor exemplo para definir se um regime confunde-se com o rosto que o lidera, no entanto isso depende de muitos factores, como por exemplo a comunicação. Acho que Sócrates foi o único Primeiro-Ministro que conseguiu "secar" tudo à volta para que o centro das atenções fosse apenas e só a sua imagem. Nada mais era mais importante que a sua opinião, o seu discurso, a sua visão e tudo o mais que estivesse ligado a si próprio. Por isso não é de espantar que dois anos depois após a sua queda, o ex-PM ainda consegue convencer os portugueses que o PEC IV era a salvação que iria evitar o pedido de ajuda externa. 

Esta é uma grande virtude que muitos políticos têm e com isso "controlam" todos os meios para que a governação seja considerado um sucesso. É por estas razões que algumas pessoas, apesar da sua incompetência conseguem ter o poder de decidir. 

Não se pode negar esta realidade, hoje em dia mais importante que a competência é o poder que se vai construindo nos bastidores, tornando o regime acessível a poucas pessoas originando meios de repressão que no fundo, salvam a face de quem está no poder. 
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