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domingo, 30 de junho de 2013

Olhar a Semana - toda a verdade?

Quem conta a verdade?

Teixeira dos Santos em entrevista à TVI veio defender a tese de Sócrates que há muito sustenta, segundo o qual não haveria pedido de ajuda externa caso o PEC IV tivesse sido aprovado na Assembleia da República. Esta é a tese socrática defendida pelo seu autor bem como pela maioria dos seus fieis seguidores. 

Em primeiro lugar ninguém acredita que o pedido de ajuda externa estivesse dependente da aprovação do PEC IV, já que o grande erro de Sócrates foi ter evitado ao máximo o resgate financeiro. Por outro lado, ao PEC IV, seguiriam-se outros PEC´S até ao pedido de ajuda formal, o que seria catastrófico, juntar pequenas doses de austeridade a um esforço enorme de sacrifícios. Independentemente do que se iria passar na Europa, Portugal estava obrigado sob a orientação alemã de pedir ajuda financeira o mais rapidamente possível para não perturbar o resto da Europa. 

Sócrates e Teixeira dos Santos dizem que esta solução foi consentida por Angela Merkel. Tendo em conta que já temos o depoimento dos dois ex-membros do governo falta a palavra de Merkel para saber se o que está em discussão corresponde mesmo à realidade. 

Os depoimentos de Sócrates e Teixeira dos Santos visam fragilizar o governo numa altura em que a coligação está fragilizada. Contudo, na altura do pedido de resgate já ninguém aguentava os PEC´S do governo, pelo que a melhor solução foi mesmo o chumbo do PEC e a demissão do governo. É muito fácil estar na televisão e falar sobre o que poderia ter acontecido "se". Esta atitude fica mal tanto a Sócrates como a Teixeira dos Santos, mais ao primeiro do que ao segundo, já que o ex-PM evitou ao máximo pedir ajuda, e quanto mais tarde esse pedido fosse feito pior. 

Na história fica a mentira de Sócrates, as medidas de austeridade que já ninguém aguentava e a consequente demissão do PM que não tinha razões nenhumas para se demitir, quanto mais para se recandidatar. Para além de tudo isto, fica a derrota de Sócrates e a necessidade do ex- líder socialista ser hoje comentador televisivo. Sócrates saiu mal e regressou da pior forma à cena política portuguesa. 

Era isto que os portugueses queriam? Penso que não....

sexta-feira, 28 de junho de 2013

De que são feitas as capas dos jornais

O Jornal A Bola foi o único desportivo que trazia na manchete a histórica vitória de Michelle Brito sobre Maria Sharapova na 2ª ronda do torneio de Wimbledon. Os outros dois desportivos, O JOGO e Record ignoraram o feito da jovem tenista portuguesa e preferiram optar pela tradicional capa futebolística. 

O feito da tenista portuguesa não podia passar despercebida pelos jornais e a maior homenagem que a imprensa podia fazer era colocar uma fotografia de Michelle na capa, tal como o jornal A Bola fez. Não compreendo como é que em Portugal ainda se vive um atraso desportivo, ao ponto de se dar relevância a atletas estrangeiros em detrimento dos feitos dos nossos desportistas. Recentemente a segunda vitória consecutiva de Rui Costa na Volta à Suiça foi também ignorada por questões de marketing. 

O leitor não compra o jornal se na capa estiver Michelle, ao invés se um jornal anunciar na primeira página a contratação de um craque, as vendas aumentam. Não acredito que assim seja, até porque os leitores portugueses apreciam notícias com qualidade para além da novidade. Os portugueses não são desportivamente atrasados e têm bom gosto, quero com isto dizer que entre uma notícia que dá destaque ao passeio por Lisboa de um novo craque de um clube de futebol e a vitória histórica de uma jogadora portuguesa sobre a nº3 mundial do ranking WTA vão optar pela segunda, daí que a escolha do jornal A Bola tenha sido a mais acertada. 

É pena que alguns jornais, em particular os desportivos continuem a vender lixo e informação de segunda categoria, pelo que não é por acaso que se regista uma quebra na venda de jornais de papel. O público prefere a net porque só vai ao encontro daquilo que lhe interessa. 

Felizmente que a vitória de Michelle foi destacada pela grande maioria das pessoas nas redes sociais e que a portuguesa tenha sentido que tem um país com esperança de a ver ultrapassar as eliminatórias até chegar à final, no entanto isso seria pedir demais. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um governo, dois primeiro-ministros

Passos Coelho contraria a vontade de Paulo Portas e anuncia em pleno Parlamento que não há margem para reduzir os impostos em 2014. Palavra de PM é para respeitar, contudo está aberto mais um conflito dentro da coligação que tem vindo a aguentar-se firmemente desde 2011. Não sei quem tem o ego mais alto, contudo esta guerra CDS-PSD parece feita à medida dos seus líderes. Ora é Passos Coelho quem provoca, ou cabe ao líder do CDS arranjar um tema para colocar entre a espada e a parede o PM. 

Ao haver divergências entre os líderes dos dois partidos, é natural que as duas bancadas parlamentares tenham a mesma vontade de belicismo político existente no seio do Conselho de Ministros. Desde o início da legislatura que são vários casos em que CDS e o PSD estiveram em desacordo, bem como os seus líderes que por acaso coabitam no mesmo governo. O problema é que Portas quer ser Passos Coelho, e o Primeiro-Ministro não dá importância ao seu Ministro, preferindo Vítor Gaspar como aliado das suas lutas. 

O cenário é este: A coligação vai sofrer uma pesada derrota nas autárquicas, sendo que após o desaire é necessário tomar alguma medida em termos orçamentais, daí que Portas tenha lançado a proposta já a pensar no resultado eleitoral. Se a porta para reduzir o IRS estiver fechada, não tenho dúvidas nenhumas que Portas bate com a porta, até porque pressionado pela oposição vai ser obrigado a fazer alguma coisa. Quem ganha com este desentendimento?

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Parabéns Michelle!!

http://www.wimbledon.com/en_GB/news/articles/2013-06-26/201306261372264725374.html

Carlo, mais uma vítima blanca

Carlo Ancelotti é o novo treinador do Real Madrid, substituindo José Mourinho no comando técnico dos merengues. Após ter sido campeão no PSG, o titulado treinador italiano abraça a sua primeira experiência em Espanha, sendo o segundo treinador daquele país depois de Fabio Capello a ter treinado o clube madridista.  Ancelotti vai com o mesmo desejo dos seus sucessores: fazer do Real um clube dominador no campeonato espanhol e alcançar a 10ª vitória na Liga dos Campeões. O primeiro objectivo foi conseguido em parte por Mourinho que conseguiu quebrar a hegemonia do Barça, tendo ganho um campeonato contra quatro do clube catalão. Na Champions a história é outra, no entanto foi o treinador português que conseguiu levar o Real a duas meias finais da competição mais importante de clubes. 
Em Madrid, Ancelotti vai encontrar os mesmos problemas que o técnico português teve de suportar: a pressão dos media, um público exigente, jogadores que mandam no balneário e uma direcção blanca sem ter uma política desportiva. Por tudo isto, podemos afirmar que Carlo vai ser mais uma vítima da fiesta que se faz dentro do balneário do Real. 
É normal que qualquer treinador ambicione ir para o Real Madrid. Para além do aspecto desportivo, a vertente financeira garante uma reforma dourada, contudo não percebo como é que ainda há treinadores dispostos a arriscar treinar o clube blanco. Isso só é possível com treinadores consagrados que arranjam trabalho em qualquer liga europeia, contudo qualquer dia já nem a vertente financeira é atractiva porque do ponto de vista desportivo a história é sempre a mesma. É interessante que o rival Barcelona opte por uma política diferente e que mesmo um treinador adjunto consiga vencer o campeonato a um técnico consagrado. Em Barcelona o trabalho de base está feito, bastando colocar as peças em campo, na Capital espanhola os milhões gastos não servem para formar uma equipa. 

Até quando o PSD vai estar calado?

Salvo algumas honrosas excepções, como é o caso de Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes, o aparelho do PSD tem andado calado. Não têm sido feitas críticas de relevo ao governo e até ao momento há uma paz podre dentro do partido que durará até às autárquicas. 
É pela voz dos comentadores ligados ao passado do PSD que Passos Coelho tem suportado a maior parte das críticas. Nuns casos nota-se um certo revanchismo, v.g. Manuela Ferreira Leite, noutros uma certa desilusão, p.e Marques Mendes. 
Não adianta estar neste momento a criar mais dificuldades ao executivo, pelo que é melhor atacar após o resultado das autárquicas, para fragilizar ainda mais o governo e para que altere a sua politica fiscal no próximo Orçamento de Estado. 

Tanto as bases como a elite social democrata estão à espera do momento certo para "ferir" este executivo, que além de ser o mais impopular é liderado por um social democrata pouco aceite entre os "notáveis". Eles estão quase todos no grande ecrã a opinar sobre tudo e mais alguma coisa.

Se nada alterar no próximo OE, não haverá ninguém no país mas também no PSD que não peça a demissão em bloco do governo, e nesse momento surgirão os habituais "prováveis candidatos" que há muito esperam a sua hora. 

Tenho a convicção que a maior parte do PSD só tem estado calado por mero respeito ao actual PM mas porque ainda tem uma réstia de esperança que o governo consiga dar a volta a esta situação. No entanto, acredito que nos bastidores já se comecem a perfilar algumas pessoas para suceder a Passos Coelho, talvez daqui a um ano. Até lá há que esperar o timing certo.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Mais uma greve para satisfazer o ego dos sindicatos

Daqui a dois dias há mais uma paralisação geral. Se não estou em erro é já a quarta ou quinta greve geral que este governo tem de enfrentar. No entanto há um dado importante porque é o primeiro protesto de Carlos Silva e Arménio Carlos como representantes das maiores centrais sindicais do país. Este é um facto curioso, porque ao contrário do que acontecia quando João Proença e Carvalho da Silva estavam nas lides políticas a adesão e o mediatismo das greves era muito maior.  Além do mais, tanto um como o outro passavam a mensagem ao país, mesmo aos que não gostam de fazer greves. 

A pouca "personalidade" política de Arménio como de Silva fazem desta greve um acto político inócuo e inconsequente, chegando ao ponto de pela primeira vez em Portugal uma greve geral passar despercebida. Veremos como será a adesão, mas tendo em conta a pouca propaganda que anda por aí, não acredito que haja vontade de dificultar a vida aos portugueses. O governo agradece que do lado do "inimigo" estejam duas personalidades que não têm perfil para mobilizar uma população contra as políticas de austeridade. Se a isso juntarmos uma oposição pouco afirmativa e também ela orfã de líderes carismáticos, é caso para dizer que o Executivo tem luz verde para implementar as suas políticas, tendo apenas o PR como único observador. 

A recente greve dos professores pode ter matado à nascença a greve geral da próxima quinta feira, pelo que seria inteligente a UGT como a CGTP cancelarem a greve lá mais para Outubro aquando da definição do OE para 2014. 

Ao contrário do que acontecia nas greves, quinta feira não vai ser necessário o governo avançar com números.

A marca "Benfica" ainda é primeira

Apesar de no plano desportivo, o Benfica ter sido ultrapassado pelo FCP, a marca "Sport Lisboa e Benfica" continua a ser a que mais interesse gera no mercado nacional. A decisão de rasgar o contrato com a Olivedesportos por parte da direcção de Luís Filipe Vieira vai transformar o mercado das transmissões televisivas no nosso país. Não só porque muitos vão deixar de assinar a Sporttv para optarem pela Benfica TV e mesmo o canal controlado pela Olivedesportos vai ter a necessidade de remodelar a sua programação. Tudo por causa da saída dos jogos do Benfica naquela estação. Filipe Vieira e José Eduardo Moniz ganharam aposta, quer no plano desportivo quer no comercial. É muito provável que os jogos dos encarnados na Luz voltem a ser ao domingo à tarde o que originará estádio cheio em qualquer desafio e apenas nos jogos grandes. O passo dado pelo Benfica vai ser seguido pelos emblemas rivais que muito breve terão os seus próprios canais de televisão. 

Duvido muito que tanto a marca Sporting como a do FCP tenham a força da marca SLB. O potencial do nome poderá vir a ser importante para chamar um patrocinador cheio de petrodolares que invista no clube encarnado. Do ponto de vista comercial a presidência de Luís Filipe Vieira tem sido excepcional, contudo tem fracassado a nível desportivo, no entanto originando mais receitas que o rival mais directo, a classificação pode ser invertida já no próximo ano.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O ultimato de Portas

A apresentação moção de estratégia de Portas à liderança do Partido mais parece um ultimato a Passos Coelho e Vítor Gaspar. O líder do CDS não só quer reconquistar o seu partido mas pretende alcançar maior protagonismo dentro do governo. A ideia é simples: ou o Ministro das Finanças reduz os impostos em 2014 ou a ruptura é inevitável. Perante o ultimato de Paulo Portas o mais provável é que venhamos a ter eleições no final do próximo ano já que eu não estou a ver Vítor Gaspar ceder às exigências de Portas e também não é crível que o líder do CDS venha a recuar nas suas intenções. 
Portas pretende passar a bola da estabilidade governativa para o lado de Passos e Gaspar e culpabilizar os dois por uma eventual crise política que trará, pensa Portas; prejuízos para o PSD e benefícios para o CDS, evitando assim uma maioria de esquerda e condicionando o PS na escolha do seu parceiro de coligação. Um outro cenário é a possibilidade de Portas ser o escolhido de Cavaco Silva num futuro governo. Não acredito que Portas saia do partido antes ou depois de 2015. O que seria de si e do Partido? O líder centrista ainda acha que tem muito a dar à política e a verdade é que muitos PM´s têm passado mas Portas por cá continua.

Por alguma razão ainda se mantêm em actividade, tendo sido o único que por aqui ficou....

Ideias Políticas: A democracia é uma mentira? Parte I XXIII

Hoje em dia é cada vez notória o descontentamento com a democracia, em particular com o funcionamento das instituições bem como daqueles que as representam. As instituições não funcionam porque quem as representa não tem a competência necessária para estar à frente delas. 

Assim podemos chegar à conclusão que a democracia, para além de não funcionar é uma mentira. 

Mais grave do que não funcionar é o que se esconde por detrás da máquina. Tudo o que está à volta do sistema democrático como o sufrágio, a opinião pública, a soberania dos Estados, o sistema político em que vivemos não corresponde à realidade. Se assim for há razão para o descontentamento. A situação com que ficamos é que aquilo que vemos, lemos ou ouvimos é pura demagogia, porque aquilo que é feito nos bastidores depois não passa cá para fora. Ou seja, por muito que dois partidos discordem de um tema, embora seja essa a intenção, a realidade é outra. Nos bastidores já está tudo acordado. 

Um exemplo disto mesmo são os discursos de um candidato a PM e quando depois chega a Chefe de Governo. Não importa aqui analisar as circunstâncias em que cada PM encontra o país, mas a verdade é que o tipo de discurso e intenções são obviamente distintos. Não poderia ser de outra forma, até porque os cargos que ocupam  exigem responsabilidade diferente, no entanto o rótulo de mentiroso é colocado após o nariz de pinóquio começar a crescer. Infelizmente a maior parte das pessoas não entendem que estar na oposição é diferente do que ser Primeiro-Ministro e por isso não compreendem ou não aceitam certas e determinadas medidas impopulares. Por aqui não se pode considerar  que a democracia seja uma mentira, mas que os seus intervenientes usam e abusam de factos falsos para conquistar votos. Em minha opinião isso é legitimo no sentido que em eleições não se pode ter uma noção perfeita da realidade do país, além do mais as circunstâncias económicas, políticas e sociais vão variando. 

Em meu entender o que qualifica um bom ou mau primeiro-ministro é o seu comportamento perante a realidade e a capacidade de enfrentar os problemas que lhe vão surgindo pela frente. 

Aceito que ainda vivemos numa democracia pouco clara e que muito do que é decidido nos bastidores, contudo nem tudo pode passar para as luzes da ribalta...

(continua...)

domingo, 23 de junho de 2013

Olhar a Semana - O exemplo dado pelos brasileiros

A semana que agora termina ficou marcada pelos protestos no Brasil. Há poucas semanas acompanhámos a  revolta na Turquia, desta foi a vez do Brasil sair à rua. 
O que temos de aprender com os protestos na Turquia e no Brasil? É muito fácil: para mim a democracia está a ser colocada em causa nestes dois países mas não só. Há muito que a Europa vive o mesmo problema e os resultados eleitorais de Grécia e Itália provam isso mesmo. Em Portugal, o facto do partido alternativo ao actual governo não conseguir uma maioria absoluta numa eventual antecipação das eleições, reflecte o estado de espírito em que nos encontramos. 

Apesar do protesto ter sido programado para calhar numa altura em que a Taça das Confederações teve o seu início, os olhos do Mundo não podiam deixar de estar no Brasil. A razão para o descontentamento é simples: a prioridade tem de ser as pessoas e o seu bem estar. Parece que os governos de hoje esqueceram a razão porque foram eleitos e por quem foram escolhidos. Considero que governar para as pessoas já faz parte do passado e hoje há outros interesses que dominam a agenda política. O caso do Brasil é notório porque tem semelhanças em relação a Portugal. Dos 10 estádios construídos para o Euro 2004 apenas 5 têm lotação esgotada todos os fins de semana, sendo que dois estão parados o ano inteiro. O Brasil tem um problema grave de desigualdade social que não foi resolvida com o boom económico e que pode agravar-se  após terminar o Mundial 2014. Ou seja, após 2014 podemos assistir a uma recessão. Tudo por culpa de uma bola de futebol....

Neste contexto é irracional falarmos em Direita e Esquerda, porque todos governam num sentido único. Nem os partidos ditos mais à esquerda estão mais preocupados com os problemas sociais, exemplo disto é o da França em que a eleição de Hollande não trouxe nada de vantajoso para aqueles que votaram no actual Presidente. 

Em minha opinião os brasileiros deram uma grande lição a Portugal mas ao mundo inteiro. Não é por acaso que este tipo de acontecimentos tendem a aumentar e isso está relacionado com o conflito de interesses e tráfico de influências a que os governos cada vez mais submetem os governos. 

18.2 Manuel Buiça e Alfredo Costa

Manuel Buiça e Alfredo Costa foram os dois protagonistas dos tiros que mataram o Rei D.Carlos I e o príncipe Real Dom Luís Filipe naquele dia fatídico. O primeiro fôra um professor primário expulso do exército, enquanto o segundo era um comerciante e editor de obras de escândalo. Importa conhecer um pouco melhor estes dois senhores:

Manuel dos Reis Silva Buiça nasceu a 30 de Dezembro de 1876 em Lisboa, tendo sido ele o regícida que alvejou o Rei e o Príncipe. Apesar de ter frequentado o Exército teve problemas ao ponto de ter sido expulso por mau comportamento. Leccionava aulas de música e francês.  Já antes do regicídio, Buiça tinha participado juntamente com Alfredo Costa no Golpe do Elevador da Biblioteca que se destinava a assaltar o Palácio Real, pretensão que não realizada. 

O regicidío foi planeado com toda o detalhe, já que envolveu uma série de reuniões e encontros no Café Gelo, situado no Rossio e que Buiça costumava frequentar. 

Alfredo Costa foi o outro homem que no dia 1 de Fevereiro de 1908 disparou contra a carruagem do Rei, tendo nascido a 24 de Novembro de 1883. Tal como Buiça fazia parte da Carbonária.Tal como o seu companheiro participou em todas as tentativas de golpe republicana para acabar com a monarquia. 

Tanto Buiça como Costa morreram no dia em que conseguiram assassinar o rei. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Contra a decisão de um tribunal, avançar avançar

Quando um tribunal profere uma sentença, ela tem que ser respeitada, no entanto há sempre possibilidade de recurso. Contudo, o efeito do recurso pode ser suspensivo ou não, isto é, até ser tomada a decisão pelo tribunal recorrido não se pode contrariar a decisão da 1ª instância. Não havendo efeito suspensivo não há qualquer problema em violar a lei, sendo que se trata apenas de uma questão ética.  

A situação de Fernando Seara em relação à candidatura para a Câmara de Lisboa passa a ser uma questão de legalidade e legitimidade, não tendo nada a ver com questões políticas. Seara recorreu para o TC, o que significa que não aceita a decisão do tribunal da Relação, até aqui tudo bem. No entanto, enquanto espera por um veredicto do tribunal avança com a candidatura, correndo o risco de parar a campanha a meio. Isso terá custos para o próprio candidato mas também para o PSD e sobretudo para Passos Coelho. Seara não só está a ir contra a lei, contra uma decisão de um tribunal, mas o mais grave é que a perdeu toda a legitimidade de avançar. Se o TC lhe desse razão numa fase em que Seara já tivesse desistido teria argumentos para apostar num novo avanço. O ainda Presidente de Sintra está a criar um imbróglio que será aproveitado pela oposição para deitar abaixo não só o candidato mas indirectamente Pedro Passos Coelho.

A quem coube a decisão de avançar mesmo contra a lei? De Seara ou teve a mãozinha da direcção do PSD? 

Podemos invocar que a lei está mal feita, não serve os interesses da democracia, ou que pode ser objecto de várias interpretações, até porque no Porto Menezes teve uma decisão favorável. Tudo isto são argumentos válidos para justificar uma desistência em nome da transparência política. O que Seara nem ninguém pode fazer é desrespeitar uma decisão de um tribunal porque a candidatura fica logo "ferida" de início, pelos motivos que enumerei. Tendo em conta que esperar pelo recurso implica perder mais dias e votos para António Costa, a única saída digna para Seara era desistir. No entanto, ética, responsabilidade e respeito por uma decisão de um orgão de soberania parece não ser importante para o autarca de Sintra e para alguns membros da estrutura do PSD. Passos Coelho incluído?


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Para o TC e mais além

A candidatura de Fernando Seara à Câmara Municipal de Lisboa foi chumbada. No entanto, o autarca de Sintra vai recorrer para o TC e quem sabe ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Não entendo como é que não se procurou alterar a lei em tempo útil para que não houvesse diferentes interpretações para casos semelhantes. 

Sem Seara na corrida, o PS tem a porta da CML escancarada. O chumbo da candidatura de Seara à CML é a primeira derrota de Passos Coelho nas autárquicas e ainda nem sequer começou a campanha. Em tempo útil, o líder do PSD e as estruturas da capital deveriam ter escolhido um sucessor para Seara quando este problema se colocou, já que todos conhecem a lentidão da justiça em Portugal. O candidato do PSD/CDS a Lisboa tem pouco mais de três meses para convencer os eleitores que é o melhor para liderar a maior câmara do país mas também que António Costa, para além de ser um mau autarca, está a usar a CML para dar o salto para o Largo do Rato. Em quase 90 dias é muito difícil mudar o sentido de voto a favor de quem corre por fora. Toda e qualquer solução estará ensombrada pela decisão do TC mas também pela figura do actual autarca de Sintra. Fernando Seara deveria aceitar a derrota e não causar mais embaraço ao seu partido, já que quem vai ter que justificar a derrota é o PSD e não o próprio. 

Parece que o PSD já encontrou substituto. Saída da faculdade e do Parlamento, a candidata não tem o perfil adequado para fazer frente a um homem como Costa, pelo que será sempre uma candidatura de segunda categoria, esta ou qualquer outra solução que venha a ser apresentada. 

Não haverá tempo para Seara fazer campanha mesmo que o TC lhe dê razão e é pouco provável que o substituto consiga dar a Passos Coelho uma vitória que ele tanto necessita. 

O PS tem falta de credibilidade ou de tino, já não sei

A falta de credibilidade política nota-se nestes casos. O PS de Seguro grande defensor da redução dos impostos vem agora desvalorizar a intenção do líder do CDS. Os socialistas que sempre pregaram para que o governo diminuísse a carga fiscal, por pura opção estratégica não apoia as propostas lançadas por Paulo Portas. Não tendo o apoio do PS, o CDS vai ter uma dura batalha pela frente para convencer Gaspar a reduzir os impostos ainda neste legislatura, que é como quem diz no OE 2014 ou no OE 2015 que curiosamente é ano de legislativas. Em minha opinião o governo não sobe este ano os impostos, preferindo optar pela redução da despesa e em 2015 começa a reduzir um pouco o IRS bem como o IVA sobre a restauração. 

O PS não defende esta proposta puramente por tacticismo eleitoral e mais nada. Contudo já estamos habituados a este tipo de discurso belicista na era António José Seguro, o que não augura nada de bom caso o actual secretário geral venha a ser eleito PM, o que não acredito. O Partido Socialista faria bem em colar-se ao CDS nesta questão porque assim provocava uma pressão maior junto de Passos Coelho e Vitor Gaspar, para além de recolher os louros de eventuais cedência dos dois membros do governo. Se a proposta não for aceite, Seguro e seus comparsas poderiam aliar-se a Portas na tentativa de derrubar este governo. Ao optar por uma posição neutral e de desprezo, a direcção do PS está a revelar indiferença perante um assunto importante para o país. 

O PS não é tido nem achado como alternativa pelos eleitores porque prefere a política do bota abaixo e disso já todos estamos fartos. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Sai Costa entra Roseta

António Costa ainda nem sequer foi a jogo e já está a preparar a sua sucessão na Câmara Municipal de Lisboa. Ao convidar Helena Roseta  para a Assembleia Municipal e ao ter assinado uma coligação com o movimento "Cidadãos Por Lisboa", o actual Presidente prepara uma alternativa quando decidir candidatar-se ao Largo do Rato. 

Independentemente de haver eleições em 2014 ou 2015, Costa sabe que Seguro não ganha com maioria absoluta, pelo que só ele é capaz de obter uma vitória folgada contra a coligação de Direita. O mais certo é que o PS prepare uma nova revolução já em 2014 com o fundamento de um resultado aquém do esperado nas autárquicas. Além do mais, a entrada em cena de uma alternativa fresca e viável a este governo poderia mudar os pratos da balança, isto porque o governo tem pouco mais de um ano para recuperar da má imagem que deixou nestes primeiros dois e se entrar em cena uma nova liderança socialista pode surgir o efeito que José Sócrates criou após a coligação Santana-Portas. 

Enquanto Passos Coelho e Seguro se desgastam, António Costa prepara já a sua candidatura a Primeiro-Ministro. Antes ou em 2015?

Ideias Políticas: O direito à greve XXII

O artigo 57º da CRP estabelece no seu número 1 o direito à greve. Diz ainda que compete aos "trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve, não podendo a lei limitar esse âmbito".  Nestes termos são os trabalhadores por sua livre vontade que definem a forma de realização da greve. A lei não pode "organizar" os termos em que a greve decorre. 

Está nas mãos dos trabalhadores, através da representação de sindicatos ou não; definir os termos da greve bem como se aderem ou não ao protesto. Nos termos deste artigo cada trabalhador pode decidir quando faz greve para além da forma, não havendo nenhuma organização que esteja acima da sua independência. Se nos cingirmos à letra da lei, concluímos que os sindicatos funcionam como uma organização que serve para manipular os trabalhadores e não para os ajudar na tomada de decisões. Embora as organizações sindicais tenham um papel importante, nomeadamente no que respeita à negociação com o poder, é um facto que gostam de manipular os trabalhadores. 

Para que não haja dúvidas, o direito à greve é um direito individual e não colectivo. Não cabe aos sindicatos decidir se cada trabalhador faz ou não greve e qual é a forma de a executar. As organizações sindicais apenas orientam formas de protesto que podem ou não ser executadas pelos trabalhadores, contudo estes acabam por ser manipuladas pelas estruturas muito bem montadas. A lei é clara, pelo que não se pode impedir os trabalhadores de não aderirem à greve, muito menos ameaçá-los. Os sindicatos são meras organizações de poder, de orientação e organização. Cada trabalhador decide por si reivindicar o que bem entender. 

O que está em discussão é como se fazem as greves e não o conteúdo das mesmas. Em minha opinião o que está errado é como se fazem e não as reivindicações, porque essas são quase todas legítimas.  

terça-feira, 18 de junho de 2013

e a Copa?

O Brasil está a ferro e fogo. Milhares de pessoas protestam nas ruas de todo o país. A um ano do Mundial, e em plena Taça das Confederações, a resposta do povo brasileiro é negativa. Quando se esperava união até pelo menos o fim dos Jogos Olímpicos de 2016, acontece precisamente o contrário. O sinal dado pela população ao governo Dilma é inequívoco e tem apenas um sentido. 

Ao contrário do que seria esperar de um país fanático por futebol, eis que a revolta popular contra o certame surge. Para além das manifestações em massa, muitos dos estádios que vão acolher o campeonato do mundo ainda estão por terminar, ficando a faltar a realização de testes durante o próximo ano. Seria sensato a FIFA mudar o local do torneio, para que em 2014 não haja confusões com os adeptos estrangeiros que vão invadir o Brasil. Sem segurança garantida e alguns estádios sem tempo para serem testados, há razões fortes para que a FIFA mude de ideias o mais rapidamente possível. Seria uma tristeza o Mundial do Brasil ser marcado por questões de segurança e não pelo futebol jogado, até porque era bonito ver um campeonato onde o povo da casa mostrem a sua verdadeira paixão que têm pelo futebol, ao invés de estarem na rua a protestar. 

Manter ou não a edição de 2014 no Brasil é uma questão delicada que a FIFA vai ter de decidir nos próximos tempos. Para já, os primeiros dias da Taça das Confederações não está a correr nada bem.

Quem assassinou Alf?

Afinal quem matou o Alf? Apesar de estar agarrado a uma garrafa de Vodka, o famoso extraterrestre faleceu devido a outras causas. Não sabe se ao certo do quê, pelo que é obrigatória a intervenção de Sherlock Holmes. Esta foi a última fotografia tirada ao alien castanho e que gosta de dar cabo das famílias. 

Não terá sido o Vodka, nem nenhum dos membros da família ao qual o pequeno alien gosta de fazer umas partidinhas, já que após o primeiro interrogatório não se chegou a nenhuma conclusão. Vai ser difícil chegar a um relatório final, visto que como se nota na imagem não há marcas de violência física nem moral. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ninguém ganhou, só os alunos perderam

Na habitual luta dos números ninguém ganha. No entanto nem o governo nem os sindicatos ficam a perder com a greve do dia de hoje, os únicos perdedores são aqueles que não puderam fazer exame. Não só os alunos que tiveram de adiar por umas semanas o seu exame, mas os pais que têm de ficar à espera da próxima oportunidade para que os filhos possam fazer a prova que lhes dê acesso a um futuro.  Felizmente que esse futuro não está dependente das decisões do governo ou dos sindicatos, porque se assim for não terão muita sorte na vida. São estes mesmos alunos que daqui a dois anos não vão exercer o direito de voto porque já não acreditam na democracia, no diálogo entre as várias forças, no fundo não acreditam em nada pelo que não sentem necessidade de participar. Também por aqui a abstenção vai aumentando e os índices de desinteresse surgindo. Se não podemos confiar em quem toma decisões importante, e tendo em conta que essas decisões são relevantes e chocam com o nosso futuro, mais vale não participar. 

sábado, 15 de junho de 2013

Bandeira da Grécia

A Grécia passa por dificuldades enormes, mas nem por isso deixa de ter uma história interessante. A sua cultura, o seu passado merecem respeito e na hora das dificuldades é que se vêem quem são os mais fortes. 

A cruz simboliza a ortodoxia grega, a religião predominante na Grécia. As restantes listas significam cada uma das sílabas das palavras "Liberdade ou Morte". Esta forma actual só foi adoptada na Grécia em 1978. 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O relatório do FMI é o fim

Se as previsões do relatório do FMI forem uma realidade o nosso fim é certo. Contudo, como toda e qualquer previsão é passível de não ser cumprida, pelo que todos esperamos que o FMI seja tão assertivo como as do Ministro Gaspar, porque isso significaria um falhanço total nas previsões mais pessimistas. No entanto, não percebo o conteúdo do relatório já que é o FMI o primeiro a admitir um falhanço nas políticas de austeridade adoptadas em Portugal. No fundo, o organismo internacional reconhece que as suas políticas não são as mais adequadas para combater a crise. O instituto liderado por Christine Lagarde tem vindo diversas vezes a reconhecer erros nos programas grego e português, pelo que não se entende se as previsões são um bom ou mau prenúncio. Em todo o caso é notório que já no FMI podemos confiar.

Assim sendo é de prever que a política implementada pela troika em Portugal é o salve-se quem puder.....não há quem tutele estes organismos?

A corrida à Câmara Municipal do Porto vai animar o verão político

O Verão político promete ser animador com o aproximar das eleições autárquicas. O principal motivo de interesse será o de saber o quão o governo vai ser penalizado pelas políticas de austeridade que tem seguido, e se António José Seguro é capaz de num ambiente favorável cavalgar para uma maioria absoluta que faça o PR repensar a sua atitude perante o actual executivo. 

De todas as lutas que vão ter lugar nos 308 municípios há uma que vai prender a atenção de todos: a corrida à Câmara Municipal do Porto. Menezes era apontado como o grande favorito, só que a indefinição em torno da viabilidade da sua candidatura abriu espaço a Rui Moreira, que aproveitando a ausência de Menezes tem conquistado simpatia e charme pelas ruas da Invicta. Em meu entender a luta será entre Menezes e Moreira, sendo que Manuel Pizarro por ser do PS não é de deitar fora, já que o Partido Socialista ainda tem um peso significativo na cidade portuense. Contudo, e ao contrário do que acontece em Lisboa, a Direita tem quase lugar cativo nos paços do concelho situado junto à Avenida dos Aliados. O que parecia ser uma corrida a solo, transformou-se numa luta que será renhida até ao último voto. Nestes termos até ao final do mês de Setembro as dúvidas em torno do vencedor serão muitas e é certo que a corrida à Câmara Municipal do Porto será a que terá maior interesse do ponto de vista mediático, já que é a única eleição que o PSD não pode perder, muitos menos para um candidato apoiado pelo CDS, ainda que esse apoio não seja visível. 

Por estes motivos é na cidade do Porto que centraremos as nossas análises, no entanto o resto do país também será objecto de análise. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O uso (pouco) inteligente do poder

Ao longo de 40 anos de democracia, temos assistido a constantes braços de ferro entre poder político e sindicatos. A história  não pode ser contada sem a presença dos sindicatos, defensores dos direitos dos trabalhadores e parte importante na construção de uma sociedade justa e igualitária. Para evitar abusos do poder executivo é necessário a intervenção dos representantes dos trabalhadores, mas não só. Ter um hoje um sindicato representa a defesa dos direitos não só perante o poder público mas essencialmente em relação às empresas. Considero importante a existência de sindicatos para ser uma voz competente e responsável mas também para fazer frente a alguns "abusos" que venham a ser cometidos. 

Contudo, há o outro lado da moeda.

A importância e o protagonismo dos sindicatos tem crescido em Portugal. Ao contrário do que seria de esperar, visto que o que se pretende é caminhar para uma sociedade igualitária, justa e onde os direitos sejam cada vez mais respeitados; nota-se uma intervenção excessiva por parte das forças sindicais na vida colectiva do país. Um dos factores que contribuiu para este supra-protagonismo está relacionado com a perpetuação no poder das mesmas figuras, além da falta de qualidade técnica de muitos dos seus representantes. A figura de Mário Nogueira à frente da FENPROF é paradigmático do que acabo de escrever. A sua intervenção tem-se vindo a degradar ao longo do tempo por isso é que não me espanta esta medida da mais recente greve dos professores. Quanto mais tempo se está no poder, maior é a tendência para a irracionalidade dos actos. No que toca à falta de qualidade técnica, as lideranças de Arménio Carlos e do novo secretário geral da UGT dizem tudo. Se são estes os representantes sindicais do nosso país, qualquer governo em Portugal pode dormir descansado. 

Para além das razões apontadas, há uma terceira, mas que é a mais relevante: O sindicalismo em Portugal está falido porque nenhum governo ou Ministro caiu ou irá cair devido a uma greve ou a uma manifestação. A única situação que esteve perto do referido foi aquando do encerramento de algumas urgências, o que levou o Ministro Correia de Campos a ter que apresentar a sua demissão. Apesar das políticas governativas não surtirem efeito, as acções sindicais revelam falta de fundamento para fazer cair o que quer que seja. Eu acho impressionante como é que num país onde os governos são fortemente contestados, os dirigentes sindicais não pensam numa estratégia inteligente para ganhar a sua causa. Se os governos estão fracos perante a opinião pública e os sindicatos não aproveitam essa debilidade é porque as suas acções são realizadas com base na pura demagogia política. 

Por todos estes motivos, hoje as greves gerais têm cada vez menos adesão e não há consequências políticas a retirar das acções planeadas. Apesar de mediáticas do ponto de vista televisivo, as grandes manifestações já não colocam em causa os governantes. Com esta greve idiota, os sindicatos estão a colocar o país contra si mesmos, além de estarem a prejudicar muitos professores, porque muitos alunos e pais vão pedir satisfação não ao governo mas aos professores, que actuam muito por força da vontade sindical e não por acreditarem naquilo que estão a defender. Tenho a certeza que muitos professores não concordam com esta greve mas a pressão do sindicato ainda é significativa. Contudo, felizmente que esta situação tende a diminuir e que os próprios sindicandos sejam cada vez mais livres. Esta situação nota-se muito nas greves gerais, onde há trabalhadores a furar o piquete de greve. 

Concluindo, o uso do poder deve ser usado de forma inteligente para surtir efeito. Tem acontecido que os sindicatos estão a ser pouco inteligentes na forma como querem alcançar determinado direito, pelas razões que atrás enumerei. Quem fica a perder com esta situação é o país e não são os alunos ou quem diariamente viaja de metro ou comboio, pelo simples facto que quem tem a responsabilidade de defender os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores não está à altura dos acontecimentos, ficamos vulneráveis a qualquer tipo de abuso decorrente desse poder. 

Dia 29 de Setembro, o dia de fim?

As eleições autárquicas vão-se realizar no dia 29 de Setembro. Ora, tendo em conta que em Lisboa António Costa tem a reeleição garantia, quem é o candidato do PSD?; e que no Porto Menezes ainda não passa de um candidato à margem da lei, temo bem que após a noite eleitoral o governo faça rolar cabeças ou então caia, à semelhança do que aconteceu com António Guterres em 2001, sendo que na altura o primeiro-ministro socialista não tinha maioria absoluta no Parlamento. Contudo, ter como parceiro de coligação Paulo Portas não costuma garantir estabilidade. 

Em Lisboa é certo que o PSD-CDS não ganha. No Porto não havendo coligação ou ganha o CDS ou o PS. Rui Moreira está bem posicionado e a aproveitar a ausência "legal" de Luís Filipe Menezes. Na Invicta o apoio de Pinto da Costa não será determinante, já que o Presidente é amigo dos dois. Não estou a ver o PS vencer na autarquia, pelo que a vitória será para a Direita, resta saber qual é o partido do governo que vai vencer. Uma derrota do PSD será politicamente o quase-fim deste executivo. O mais certo é o executivo de Passos Coelho pedir a demissão e o PR antecipar as eleições de 2015 para Setembro-Outubro de 2014 para que haja tempo de se preparar o acto eleitoral após as europeias. Contudo estas eleições europeias serão diferentes porque pela primeira vez teremos candidatos à Presidência da Comissão Europeia o que será uma novidade. 

O governo vai levar uma banhada dia 29 de Setembro, pelo que haverá mudanças estruturais em Portugal a partir dessa altura. 

Seguir o exemplo grego

A ideia de acabar com a televisão pública para criar um serviço público mais eficaz do ponto de vista social mas também financeiro é uma excelente ideia que deve ser seguida cá em Portugal. O fim da ERT decretado pela troika deveria servir de exemplo para todos aqueles que defendem a manutenção da RTP nos actuais moldes. 

Talvez por não ter tido a coragem de fechar o canal público é que Miguel Relvas andou meses a fio a pensar na solução para a RTP, não tendo encontrado um modelo capaz de ser sustentável e que a ideia de acabar com a estação pública tenha passado pela cabeça do anterior ministro. No entanto, isso seria trágico para o governo e a oposição caía em cima de Passos Coelho num instante, já que dificilmente isso seria aceitável na nossa sociedade. Contudo, por força dessa falta de coragem para decidir em momentos críticos é que a crise perdura. Em Portugal é preciso combater determinado tipo de lobbys antes de avançar com uma decisão. 

Tenho a plena convicção que uma reformulação da RTP era benéfica para o país. Não se entende como é que uma empresa gasta tanto no Orçamento de Estado ainda para mais quando recebe dinheiro extra vindo da conta de electricidade. O que aconteceu com a televisão pública grega deveria ser aplicado em muitas empresas portuguesas. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Dividir a Turquia em dois

O que se passa na Turquia não me surpreende. Um país que está metade na Europa e a outra metade na Ásia tinha de ser uma nação complexa. A mistura de religiões existente naquele país também não ajuda ao seu desenvolvimento civilizacional. Além do mais não é fácil ter de um lado os inimigos gregos e do outro os rivais iraquianos, bem como os ultra nacionalistas do Curdistão. 

Para os defensores da entrada da Turquia na UE, os últimos desenvolvimentos devem fazer reflectir os responsáveis europeus. A Turquia é um país totalmente diferente da maioria dos restantes países da Europa. As suas tradições, culturas, pessoas, a própria organização do Estado nada tem a ver com o que é uma prática na Europa, além do mais é um país extremamente populoso o que iria provocar desequilíbrios no espaço europeu e criar desvantagens a nível do mercado de trabalho. 

E como seria efectuada a entrada da Turquia na UE? A parte asiática ficava de fora? Penso que será difícil dividir este país em dois. Ou então é isso que pode acontecer após estes últimos conflitos, talvez fosse melhor criar uma Turquia Europa e uma Turquia Ásia. Assim todos ficavam satisfeitos....

segunda-feira, 10 de junho de 2013

As cerimónias pouco populares

Como é habitual nestes dias festivas, o PR faz um discurso à Nação. O PR tem a oportunidade de dizer o que lhe vai na alma, depois de tantos meses em silêncio. No fundo, quando se critica o silêncio do PR estamos a ser hipócritas já que Cavaco Silva não tem poupado nas palavras nas cerimónias oficiais. Pelo menos no dia 5 de Outubro, 25 de Abril ou 10 de Junho, o PR tem sempre algo a dizer. 

Considero que estes discursos e as cerimónias oficiais já perderam o peso de antigamente. Há muito que as comemorações deixaram de estar acessíveis ao povo, pelo que estar numa sala fechada a vociferar palavras bonitas mais parece um jantar de campanha. Tendo em conta que a relação entre povo e políticos está numa fase de desprezo, é natural que os políticos se queiram resguardar de todo e qualquer tipo de protesto. Acho mal esta situação, já que o poder tem de enfrentar a rua, mesmo que esta esteja em desacordo. O protesto faz parte da democracia e quem não aceita isso está a contornar as regras do jogo. Se o poder fica fechado em si mesmo, não há maneira de medir a satisfação das pessoas, e sem isso não haverá uma alteração das políticas definidas. Obviamente que as questões de segurança são importantes, mas os políticos não podem ter medo do protesto nem da indignação, desde que esta seja pacífica. 

Ao tornar os actos oficiais meras celebrações políticas, não haverá ninguém que considere importante estas cerimónias, pelo que o que for dito não terá o resultado pretendido, ou seja atingir o maior número de pessoas. No fundo chegar ao público. 

Não sei o que Cavaco disse na cerimónia do 10 de Junho. A única coisa que sei é que as pessoas estão descontentes e nem PR escapa à indignação. Em meu entender é o PR que não quer dar a cara e tem ele mesmo de enfrentar uma situação que seria inédito em Portugal. 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Obrigado nós

É com enorme tristeza que vejo Aimar sair do Benfica. A idade já não perdoa e a última época as lesões afastaram o mago dos relvados, pelo que não foi possível oferecer perfume na temporada de despedida. No entanto, os adeptos do Benfica devem ficar agradecidos pela passagem do ídolo de Messi pelo Estádio da Luz durante as últimas quatro temporadas. O clube da Luz devia aproveitar os conhecimentos de Aimar no mercado argentino para fazer do Mago uma espécie de observador do clube num país que tem talentos para dar e vender. Haja olho para o negócio Presidente Vieira!

Gasparalhadas

Ultimamente tenho implicado com o Ministro Vitor Gaspar. As declarações que ele faz são descabidas e pouco inteligentes para quem ocupa um cargo de tamanha responsabilidade política. Depois de assumir o sue benfiquismo perante o país, o Ministro afirma que a culpa do fraco investimento é da chuva. Perante isto não vale a pena baixar o IRC nem aumentar os salários dos trabalhadores, mais importante é criar condições meteorológicas para que caia investimento no nosso país....
Para quem nos habituou a ter um comportamento de acordo com o cargo que ocupa, Vítor Gaspar está delirar um bocadinho.....

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Os Brutus sociais democratas

A moda de criticar o governo pegou e parece que não tem fim. No entanto, agora que se aproximam as autárquicas há que criticar o executivo para ganhar alguns votos necessários para vencer as eleições, isto mesmo se a cor do candidato é a mesma que a do governo. Já estamos habituados a este tipo de traições na política, contudo não era de esperar tamanha facada nas costas de pessoas apoiantes de Passos Coelho desde o primeiro momento e de antigos deputados da bancada social democrata.  Espero que o PM na campanha não decida estar junto de quem agora o critica, no entanto vai ser difícil a presença de Passos Coelho na campanha para as autárquicas. 

É típico do português abandonar o barco a meio da tempestade e deixar o comandante sozinho. Quando o abismo está perto todos saltam com medo da queda, preferindo o conforto ao risco. Na política há esta tendência herdada do tempo dos imperadores romanos. O que não falta para aí são Brutus à espera da primeira oportunidade para deitar abaixo o seu líder outrora amado e aplaudido. Pode-se ou não concordar com as políticas delineadas por Gaspar e Coelho, contudo ninguém pode apontar falta de coragem a este governante, porque caso este caia agora ou em 2015 a carreira política destes homens está acabada e duvido mesmo que a profissional volte a ser a mesma após o cumprimento do mandato. 

A lealdade na vida como na política é um aspecto muito importante. No entanto há quem não pense em valores mas no seu umbigo e ambições pessoais. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Porque continuam?

Ao escrever estas linhas já se sabe que Jesus renovou pelo Benfica mas que Vitor Pereira ainda não sabe se vai continuar ou não a orientar o FCP na próxima época. O que se sabe é que o clube fez uma proposta de renovação de duas temporadas, mas que o treinador só quer uma, pelo que a relação laboral entre as duas partes não deve conhecer grandes avanços, no entanto é sabido que o clube azul e branco fez uma proposta de renovação.

Sendo certo que Jesus nada ganhou e Vitor Pereira foi bicampeão com apenas uma derrota em duas temporadas, o mais natural era o primeiro ir embora e o segundo ficar, contudo é precisamente o contrário que irá acontecer. Mas suponhamos que os dois ficam. 

Não se percebe a razão porque duas instituições prestigiadas apostam em treinadores medianos, pouco carismáticos e com nível de educação abaixo do normal. Dos palavrões de Jesus todos nós somos ouvintes e da falta de nível e cultura desportiva de Vitor Pereira fomos conhecendo um pouco ao longo da temporada que agora finda. Tanto Benfica e FCP habituaram os seus adeptos a serem exigentes na escolha dos treinadores, tanto a nível técnico como de imagem. Vítor Pereira não tem nada a ver com Mourinho, Jesualdo ou Villas Boas. E Jesus é um anti-Quique Flores, se bem que no caso benfiquista é normal ter este tipo de treinadores. Para além da pouca educação que ambos trazem consigo, a falta de desportivismo é evidente. Nenhum dos dois treinadores soube reconhecer o mérito do adversário quando um estava em posição superior ao outro. Por estes factores não percebo a escolha dos Presidentes e a opção em manter esta linha de orientação. Esperava-se mais de quem dirige Benfica e FC Porto e um maior nível em termos de imagem tanto para o balneário como para o exterior. Ou será que os Presidentes não estão ao nível da grandeza dos respectivos clubes?

dois anos e o adeus ali tão perto

Faz hoje dois anos que o governo tomou posse. A história deste executivo até ao momento é conhecida de todos, pelo que não vale a pena fazer um regresso ao passado. 
O governo herdou um memorando da troika negociado pelo PS, no entanto quis ir mais além dessas metas tendo a noção que acrescentar a sua ideologia estaria a reformar o país. Cedo se percebeu que essas reformas não iria ajudar o país a sair da crise já que aconteceu exactamente o contrário. Os números revelam que Passos Coelho, Paulo Portas e Gaspar falharam em toda a linha, e não foi só nas previsões. O único êxito deste governo foi mesmo o regresso aos mercados, contudo os números do desemprego, da recessão e do défice rapidamente apagaram o pequeno momento de vitória do Ministro Gaspar. 

Com as excessivas políticas de austeridade vieram os problemas na coligação. Portas iniciou um número que todos nós já conhecemos, no entanto Passos Coelho não foi na cantiga e manteve-se firme no seu caminho ao defender as políticas de Gaspar. Durante este mandato o PM teve de optar entre seguir Portas ou manter-se fiel ao seu Ministro das Finanças. Ao ter escolhido Gaspar ficou com uma Porta atravessada até ao dia em que ela decidir sair de São Bento. No entanto, o PM parece ter um aliado de peso: O Presidente da República. Não que Cavaco morra de amores por Passos Coelho mas porque uma crise política obrigaria a um novo resgate, além do mais era o próprio lugar do PR que estaria em causa, caso optasse por uma dissolução do Parlamento. 

A história destes dois anos é muito simples de se escrever: crise, austeridade, pobreza e o espectro da bancarrota sempre a pairar no ar. É certo que a herança foi pesada, contudo há muito que o governo deveria obter os primeiros resultados positivos. Perante o cenário ninguém acredita que a troika saia de Portugal no prazo estabelecido, ou seja precisamente daqui a um ano. Se o fizer estaremos entregues de novo aos velhos costumes que nos levaram a esta situação, se por cá ficar é sinal que os sacrifícios vão continuar. 

Dois anos após a tomada de posse o que mais se fala é demissão, eleições antecipadas e um novo governo. Contudo também na oposição o cenário é negro e não por aí que vamos mudar, pelo que optar entre continuar com este governo até 2015 e sermos liderados por António José Seguro venha o diabo e escolha, mas eu prefiro a primeira hipótese, até porque não se sabe se algum santo milagreiro chegará a Portugal e inverterá os números. Apesar de tudo, ainda há uma réstia de esperança que os nossos credores nos deixarão voltar a financiar no mercado internacional. 

os professores vão faltar à chamada

Em dia de arranque dos exames nacionais, 17 de Junho, está prevista uma greve de professores. Ou seja, os  alunos têm de estudar mesmo sabendo que o seu exame poderá não se realizar, sendo que irão ficar na dúvida em relação ao que a guerra entre Ministério da Educação e Sindicatos vai acabar. 

Esta guerra provocada pelos sindicatos, com Mário Nogueira à cabeça demonstra bem a falta de civismo e preocupação com que as lutas são encaradas. Não interessa a forma, se terceiros poderão ser prejudicados.......o que importa mesmo é a convicção das ideias e nada mais. Outras formas de luta poderiam ser pensadas e executadas, todas menos faltar aos exames nacionais. Os alunos não têm culpa das guerrilhas ideológicas entre Sindicatos e governo, o que lhes interessa é o seu futuro, pelo que todos os professores que pensam faltar à chamada deveriam pensar melhor que não estão a fazer nenhum favor aos sindicatos mas a retirar aos alunos a possibilidade de pretender alcançar um futuro melhor. O futuro dos alunos depende dos exames, já o futuro da classe não depende desta forma de luta. Outros protestos que não prejudique as pessoas deveriam ter sido pensados, além do mais parece que os sindicatos estão a travar uma guerra contra os alunos e não contra o governo. Infelizmente bom senso é um sentimento que não impera na FENPROF nem no seu líder eterno. 


terça-feira, 4 de junho de 2013

Cavaco já não é o Presidente de todos os portugueses

É comum afirmar que o chefe de Estado é o Presidente de todos os portugueses. Esta frase vale para qualquer Presidente da República independentemente da sua cor partidário. É um facto notório que o PR tem sempre o carinho do povo, ao contrário do que acontece com os PM, já que a popularidade deles começa a cair no dia a seguir à sua tomada de posse. Lembro-me muito bem da assobiadela que Guterres levou no Pavilhão Atlântico no Masters de Ténis bem como da humilhação que Durão Barroso teve de enfrentar na inauguração do novo estádio da Luz em 2003. 

Cavaco Silva tem vindo a perder o carinho que os portugueses têm por qualquer Presidente da República. Tendo em conta que o PR não tem funções executivas nem legislativa acaba por ser natural a relação estabelecida entre povo e Presidente. O que é um dado adquirido, para Cavaco já não é bem assim. O PR está a perder popularidade e respeito junto das pessoas. O facto de não fazer nada em relação à crise governativa bem como o apoio dado a este executivo tem merecido alguma contestação. Ainda que seja tímida, alguns protestas que visam o PR não são normais nem um bom sinal para os últimos três de mandato de Cavaco. O actual PR já aceitou um pedido de demissão de Sócrates, pelo que é natural que não queira forçar Passos Coelho a seguir o mesmo caminho. Isso mancharia claramente o segundo mandato de Cavaco que ficaria marcado pela antecipação de duas eleições legislativas. Compreende-se a posição do PR mas o povo não gosta do seu silêncio nem da sua hesitação. A única esperança que as pessoas têm é a decisão de Cavaco, seja ela boa ou má, o que todos estão à espera é que o Presidente faça algo e não se limite a mandar pistas para que os comentadores façam o trabalho de explicar às pessoas o que vai na mente do PR. 

Exige-se ao PR acção e não omissão. Com tudo o que se tem passado com Cavaco podemos chegar ao ponto de ser ele próprio a pedir antecipação das eleições presidenciais, o que seria inédito. Nesta altura talvez fosse esse o melhor caminho.

Porque não se cala Mário Soares?

Mário Soares continua um político activo bastante influente. A sua intervenção no congresso das esquerdas foi notável e teve um enorme brilhantismo. A sua força mental e física para continuar a batalha política é respeitável e merece o nosso aplauso. Nota-se que falta um grande líder na esquerda portuguesa. Na Direita também, mas a esquerda em Portugal habituou-nos a que tivesse um rosto único. Cunhal, Soares, Guterres, Carvalhas, Francisco Louçã e mais recentemente José Sócrates foram os grandes líderes que representaram a esquerda no nosso país. Apesar de no círculo parlamentar existirem 3 partidos de esquerda contra apenas dois de direita, só uma grande figura consegue levar o PS ao poder e com isso arrastar os outros dois partidos. 

Nem António José Seguro, nem Jerónimo de Sousa nem a dupla Catarina Martins/João Semedo têm a importância que Sócrates, Carvalhas e Louçã tiveram nos respectivos partidos. Mário Soares continua a ser o grande líder histórico socialista mas representa também aquilo que todos os socialistas desejam: voltar a ter um secretário geral com carisma. Não é à toa que Sócrates regressou e tem um comentário televisivo e Soares é o protagonista das iniciativas anti-governo. E é lamentável que o PS tenha feito notar a sua ausência. 

Percebo a intenção de Soares, já que ele sente o PS a perder peso na sociedade portuguesa. Não direi que se trata do partido mas da falta de garra política com que os seus responsáveis têm feito o combate ao governo. Normalmente quando o PS está na oposição faz um discurso mas virado para as pessoas e não tanto contra o executivo. Em minha opinião, António José Seguro tem optado por um combate de crítica constante, roçando a demagogia. Daí que a entrada em cena de Mário Soares é importante para que haja um regresso ao passado no que diz respeito a valores e ideologias defendidas pelos socialistas. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Uma semana depois, como se sentem os benfiquistas?

A derrota em três jogos decisivos do qual resultaram a perda dos três títulos possíveis ainda pesa nos benfiquistas. Uma semana depois do último desaire ainda há quem não se tenha recomposto do triplo falhanço, ainda para mais quando é certo que o treinador Jesus vai continuar no banco por mais duas épocas. Na próxima temporada não haverá festejos antecipados ainda que a equipa esteja com mais 10 pontos de vantagem sobre o eterno rival, situação que não se irá verificar por certo. 

A angústia e frustração ainda são bem evidentes nos adeptos benfiquistas e nem o defeso será vivido com emoção, já que as dúvidas sobre a capacidade de Jesus ganhar títulos irá manter-se durante o decurso de próxima temporada. O sentimento de desconfiança está instalado e nem o Presidente escapa e nem verificar que o eterno rival perdeu duas das suas maiores pérolas arrefece este estado de ânimo. Não vai ser fácil levantar a moral dos adeptos nem dos jogadores que levaram três tiros de uma só vez. Além do mais, nem a saída do eterno goleador vai acalmar o balneário onde se respira revolta e dúvida. A entrada de novos jogadores, quase todos eles estrangeiros só vai piorar o ambiente. Ambiente esse onde a língua portuguesa é cada vez menos falada, sendo de registar apenas o vernáculo constantemente reproduzido pelo treinador. 

A pré-época vai ser das mais tristes pelos lados da Luz, já que qualquer contratação será vista com desconfiança porque como tudo passa pela opinião de Jesus, não se sabe se é necessário inventar um Melgarejo ou foi contratado um qualquer Artur. 

A verdade é que Jesus não tinha o direito de fazer isto aos adeptos e como recompensa recebeu mais dois anos de contrato, embora o valor da retribuição se mantenha nos quatro milhões de euros, o que revolta ainda mais as bancadas da Luz. Em tempos de crise só aqueles que ganham é que são premiados com a redução do salário, enquanto os perdedores continuam felizes pessoalmente e monetariamente. 


Ainda há jobs for the boys

O governo de Passos Coelho já fez até ao momento 4463 nomeações políticas. Este número é superior ao de Sócrates nos mesmos dois anos de mandato do antigo Primeiro-Ministro. 
Ora, uma das bandeiras do actual PM foi o de reduzir as nomeações políticas e com isso diminuir a despesa. No início do mandato o executivo passou cá para fora a ideia que os "job for the boys" iriam acabar, no entanto parece que isso não é bem assim.
Ou Passos Coelho vem justificar este número ou perde toda a credibilidade política para criticar os tachos e panelas que foram criados noutros governos. Nestes termos é difícil fazer a reforma do Estado, ainda que não é por aqui que a troika manda cortar, contudo é algo escandaloso que uma advogada estagiária do gabinete do antigo Ministro Miguel Relvas ganhe três mil euros por mês. Isto para além de ser injusto é, no mínimo imoral dada a situação de crise em que vivemos. 

Uma coligação de esquerda?, não obrigado!

Há quem defenda uma coligação de esquerda para substituir este governo. Tendo em consideração que o PS nunca terá maioria absoluta em caso de vitória numa hipotética antecipação das eleições, seria necessário fazer uma coligação. 
Muito se tem falado num governo liderado pelo PS e que tenham o PCP e BE como aliados. Este triângulo seria difícil de se concretizar visto que nem PCP nem o BE são partidos que se consigam entender com PS, já que tanto um como o outro não têm na sua matriz ideológica as mesmas políticas defendidas pelos socialistas. Partidos diferentes mesmo que pertencentes à mesma ideologia não podem coabitar no mesmo governo, pelo que esta conversa sobre um futuro governo de esquerda não passa de uma hipocrisia política que nunca se concretizará. Sendo assim não se pode pedir ao Partido Socialista que governe sozinho. 

Dentro da esquerda parlamentar portuguesa há mais diferenças e caminhos distintos do que no chamado "centrão". Os comunistas nunca deixarão de defender ideias do passado e os bloquistas não têm a noção da responsabilidade política. Perante estes dados não podemos juntar num governo três partidos com características diferentes entre si e que não se entendem no Parlamento quanto mais num futuro governo de esquerda dito de salvação nacional. Este é o problema que Cavaco não quer ter e que os portugueses também não querem que seja uma realidade. 

domingo, 2 de junho de 2013

Olhar a Semana - Ele bem tenta mas não consegue

Nestes dois anos de mandato, o governo tem tentado mudar alguma coisa. Os números não têm batido certo mas a intenção de fazer algo está lá. A mensagem de Pedro Passos Coelho é clara: temos de mudar de vida. Ao longos dos dois anos de penosa austeridade, o PM tem mantido o seu discurso coerente. Assim fossem todos e o país estava bem melhor, pelo menos a nível de coerência política. O Primeiro-Ministro tem tentado mudar mas não tem conseguido. É verdade que os interesses, as influências e as pressões existem, no entanto ninguém até hoje ousou enfrentar esses poderes instalados. Percebe-se a intenção do PM, contudo é difícil de implementar este tipo de políticas liberais em Portugal, porque num país dominado pela esquerda e pelos sindicatos qualquer tentativa de liberalizar a economia e o próprio país é logo alvo de manifestações e protestos. 

Não se pode acusar o PM de tentar mudar o curso da história, no entanto podemos criticar a forma como está a ser feita, pois isso tem causado 17,8% de desempregados. É de louvar a atitude de Passos Coelho de não desistir, embora necessite da mão de Cavaco Silva e também pelo facto de não haver uma alternativa credível. 

Aconteça o que acontecer no futuro, ninguém pode acusar PPC de, pelo menos não tentar. 

sábado, 1 de junho de 2013

18.1 - O Regicídio - a eterna discussão republicana vs monarquia

A 1 de Fevereiro de 1908 o Rei D.Carlos e o seu filho Príncipe Real D. Luís Filipe foram alvos de um atentado, supostamente organizado pelos defensores dos Partido Republicano Português. Na altura a tensão política era intensa, já que cresceu no país um movimento para instaurar a República. Os primeiros movimentos começaram pela fundação do PRP nos quais fazia parte alguns elementos com peso nas Cortes.

Havia um clima de mudança de regime, no entanto ninguém esperaria que a substituição se fizesse deste modo. Matar o Rei era algo que ninguém queria e desejava, contudo em Portugal as revoluções sempre se fizeram de forma violenta e nunca pacífica. Também é verdade que o sentimento de descontentamento em relação á monarquia era enorme, pelo que não havia outra forma de substituir o regime, até porque o Rei nunca abdicaria do trono, mesmo que para isso fosse obrigado a fugir. 

Ainda hoje se discute se esta foi a melhor forma de instaurar a república e acabar com a fachada que era a Monarquia constitucional, que não era mais do que uma forma de distribuir o poder absoluto detido pelo Rei. Não se podia de forma continuar com este regime, pelo que a conspiração iniciada nos Parlamento e que acabou na rua só podia ter este fim. Por muito sangrento e desumano que seja matar uma pessoa, e neste caso o Rei, não havia alternativas já que a população estava demasiada anestesiada pelo regime imposto. 

Cometeram os republicanos um assassínio?

Em minha opinião não porque as revoluções e as mudanças de regime podem ter todas as consequências possíveis. Ainda hoje há muitos monárquicos indignados pela forma como se matou o Rei. É legítimo pensar assim mas depor um chefe de Estado ou governo tem estas particularidades, e na altura os republicanos consideraram que matar o rei era a melhor forma de acabar com um regime injusto e que estava a causar revolta na população. 
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