terça-feira, 30 de abril de 2013

Vermelhão

O Benfica venceu ontem na Madeira e assegurou praticamente a conquista do título. Faltam 6 pontos, dois jogos em casa e a deslocação ao Dragão. A visita ao estádio do eterno rival pode ser desvalorizada caso a equipa de Jesus consiga vencer o Fenerbahce e chegar à final da Liga Europa, é que o jogo de Amesterdão é posterior ao jogo com o FCP.
Três anos depois, o Benfica volta a conquistar o campeonato, podendo juntar a taça de Portugal e a Liga Europa, no entanto este troféu será o mais complicado de conquistar. 
Mérito para Jesus e Vieira mas principalmente para os jogadores que após 27 jogos ainda não conheceram o sabor da derrota, à semelhança dos azuis e brancos, contudo a equipa de Vitor Pereira não apresenta a espectacularidade dos encarnados. O campeonato volta para a Luz três anos após um jejum de 5 anos. Será o terceiro campeonato da era Vieira, ele que prometeu títulos atrás de títulos. Com o fim da Era Pinto da Costa, parece que os velhos tempos de glória estão de volta à Luz. Não só pela qualidade e capacidade evidenciada pelo Benfica, e neste aspecto honra seja feita ao Presidente Vieira que pegou num clube falido e o devolveu às conquistas; mas porque os rivais estão a perder gás. Os problemas do Sporting são conhecidos, já o FCP irá entrar num processo de mudança após a saída de PC, o que é natural, e o Braga ainda é uma incerteza.....
O final desta temporada pode marcar o início de uma década em que o encarnado vai ser a cor dominante no panorama do futebol nacional. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Seguro até ver

O congresso do PS foi, como seria de esperar, um passeio para Seguro. Como é normal quando o governo está preso por um fio, a oposição está unida em torno do seu líder. O secretário geral é hoje um homem confiante e dominante, tem as bases controladas e os militantes de peso hipnotizados. Apesar da concorrência de Sócrates, Seguro manteve o PS unido e focado no objectivo de regressar ao poder. A pressão para o PR demitir o governo e convocar eleições tem sido constante e só acabará quando Cavaco Silva ceder âs intenções socialistas. 

O governo sabe que não poderá contar com o PS daqui para a frente, independentemente do caminho que vier a prosseguir. Os socialistas estão com fome de poder e não será a "estabilidade política" que os farão mudar de ideias. O PS sabe que quando for governo vai ter que cumprir as metas estabelecidas pela troika, contudo o discurso tem de ser radicalmente ao do executivo. O PS só tem um problema: como vai governar se não tiver maioria absoluta? Unir-se-à à esquerda? chama Paulo Portas ou segue o seu caminho sozinho? Não estou a ver o PSD ter uma atitude de "união" quando for oposição.

O conclave socialista correu bem ao líder mas tudo pode mudar após as autárquicas, da mesma forma que de Janeiro a Abril os ventos lhe foram favoráveis. Agora que o poder se aproxima é natural que todos estejam do lado de Seguro, mas isso nem sempre vai ser assim e se daqui a um ano a troika sair do país, acho que vai ser preciso mais um congresso para resolver a questão da liderança. 

sábado, 27 de abril de 2013

Todas as respostas dadas são ridículas

Já dizia o poeta que "todas as cartas de amor são ridículas . Não concordo com esta frase, prefiro realçar um aspecto mais importante. 
O PS recusa todas as aproximações feitas pelo governo no sentido de encontrar um consenso político. As respostas dos socialistas à carta do Governo são ridículas e não dignificam os militantes do partido socialista. Estávamos habituados a que os dirigentes do PS fossem inteligentes e cultos, mas o staff que foi hipnotizado pelo actual secretário geral socialista é demasiado inculto para ser oposição, quanto mais estar no governo. Não se entende a posição de Seguro quando ao mesmo tempo rejeita um consenso mas pede uma maior abertura ao executivo. Uma coisa eu tiro o chapéu ao líder socialista: conseguiu secar o PS à sua volta e acabou de vez com o fantasma de Costa pelo menos até 2015. No entanto, isso não lhe dá o direito de ser arrogante e politicamente demagogo. Estas são duas características que eu desconhecia no actual secretário geral. É natural que o PS esteja preparado para ser governo amanhâ, mas isso nunca vai acontecer mesmo que o governo caia. A alternativa nunca vai passar por eleições e mesmo que fosse esse o caminho Seguro nunca teria a maioria necessária para conduzir os destinos do país. Este é o tabu que os socialistas não abordam, preferindo ficar calados e deixar Cavaco Silva tomar conta das ocorrências. O PS não aceita o convite do governo por pura arrogância e tacticismo político. Se o PS fala em crescimento económico devia aproveitar esta oportunidade do executivo, até para mostrar alguma abertura junto da opinião pública. Eu só espero que esta posição de Seguro não seja um piscar de olho à esquerda e que no futuro venhamos a ter um governo da esquerda unida. Esse, infelizmente é um cenário cada vez mais provável já que o socialismo ditatorial de Seguro está mais próximo de comunistas e bloquistas do que a política democrática deste governo de direita. 

Este gajo?

Hoje estava a passear por Cascais quando me deparei com um cartaz deste senhor da fotografia fazendo campanha para as autárquicas. Por momentos fiquei na dúvida se se tratava de um militante socialista e cascaense ou se era mesmo o Presidente da ANF. Volvidos umas horas quis confirmar as minhas suspeitas aqui.  Se calhar este post vem com alguns meses de atraso, mas só hoje é que reparei naquilo que os meus olhos não queriam acreditar. 
Fico espantado como é que o PS escolhe Cordeiro depois de Judas ter dito o não. Além do mais, sendo João Cordeiro presidente da Associação Nacional de Farmácias, o PS deveria ter mais cuidado nas escolhas que faz. Nomear Cordeiro é dar a Câmara de Cascais de mão beijada a Carlos Carreiras, mas é acima de tudo, um voto de confiança ao actual Presidente social democrata. Carreiras tem feito um bom trabalho, na linha daquilo que vinha a ser trabalhado por António Capucho. É natural que o PS não tenha interesse em Cascais porque vai ter a capital também de mão beijada. Eu não entendo que qualidades políticas é que o Presidente da ANF terá para presidir a uma câmara. E que interesses tem o PS nas farmácias portuguesas e qual é a posição que toma em relação à luta que o actual Ministro da Saúde tem feito contra o cartel das farmácias. Era bom o PS deitar isso tudo cá para fora....

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A pedra com barba

Esta história chega-nos do Senegal.

Uma hiena que andava à caça encontra uma pedra que tinha barba. Exclamou: - Ora esta, é a primeira vez que vejo uma pedra com barba. 

Logo caiu morta.

Passado um momento, a pedra devolveu-a à vida e disse-lhe:

-É sempre assim, com as pedras barbadas. Se alguém diz "É a primeira vez que vejo uma pedra com barba", morre logo. É de lei.

A hiena fez-se desculpar pela sua ignorância, voltou para casa e pensou aproveitar a ocasião para acabar com a sua velha rival, a lebre. 

E disse-lhe, a mentir com quantos dentes tinha:

- Encontrei uma coisa extraordinária. É uma pedra que tem barba. O problema é que ela mata logo seja quem for, a menos que diga: "É a primeira vez que vejo uma pedra com barba". Se não disseres essa frase, morres. Percebeste?

-Percebi- disse a lebre - Vamos lá ver isso. 
Chegaram junto da pedra com barba e a hiena disse à lebre:
- Vá, diz a frase, senão, ai de ti!
-Esqueci-me da frase. Que é que tenho de dizer?
- Vê se te lembras! "É a primeira vez". 
- É a primeira vez- repetiu a lebre. 
-"Que vejo".
- Que vejo
- "Uma pedra". 
- Uma pedra
- "Uma pedra com".
- Uma pedra com
- Agora, acaba!
-Agora acaba.
- Não, acaba a frase!
- Não, acaba a frase - repetiu a lebre. 
- És muito estúpida - berrou a hiena.
- És muito estúpida - gritou a lebre.
- Grande idiota!Cretina!Não consegues lembrar-te de uma frase tão simples? "É a primeira vez que vejo".
- "É a primeira vez que vejo".
- Uma pedra com barba!- Berrou a hiena no auge da sua raiva. 
Caiu logo morta. 
A pedra com barba disse à lebre. 
- Tinha-lhe perdoado da primeira vez, mas duas, é demais.
- Sou da tua opinião - disse a lebre. 
E voltou tranquilamente para casa. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cavaco igual a si próprio

Os discursos de Cavaco Silva são sempre enigmáticos. Por um lado fala com um inegável sentido de Estado que o cargo que ocupa lhe exige, mas por outro parece que despe o fato de PR e veste a pele de PM. É saudável que o Presidente actue somente quando as circunstâncias assim o exigem, contudo preocupa-me o facto de Cavaco ainda não se ter esquecido que já não é PM e que as suas palavras podem ser interpretadas como estando a interferir nas políticas do executivo. E Cavaco desde o seu primeiro mandato que não deixa de mandar umas bocas, quer no tempo de José Sócrates quer agora com Passos Coelho. Este duplo papel que o actual PR gosta de interpretar confunde todos os agentes políticos. Deixa o governo entre a espada e a parede e a oposição confiante numa atitude por parte de Cavaco. 

Em meu entender quem deve temer mais esta instabilidade do Presidente é o governo. É o executivo que não tem certeza absoluta das opções de Cavaco, por muito que ele afaste cenários de eleições antecipadas. Pode não haver eleições, no entanto ninguém garante que de um momento para outro o Presidente não demita o governo e nomeie outro PM. Aliás, essa é a vontade intrínseca de Cavaco expressa em vários momentos da crise que passamos. A dúvida está em cada palavra do Presidente e não nas acções que toma, porque essas têm sido poucas. Aquilo que Cavaco diz tem mais efeitos do que as atitudes a tomar. O Presidente tem falta de coragem para abrir uma crise política neste momento, da mesma forma que deixou Sócrates no governo até que Portugal caísse na bancarrota. 

O que Cavaco quer é nomear um PM da sua confiança, pelo que se o governo cair terá de ser por si mesmo e não pela iniciativa presidencial. No entanto, Passos Coelho não parece querer fazer a vontade ao Presidente, restando ao CDS cumprir o sonho de Belém. 

Cavaco fala pouco, mas quando o faz deixa o pais em total suspense....

O que aprendemos com a palavra liberdade, 40 anos depois

Hoje é o dia em que se comemora o dia da liberdade. Da liberdade sobre a ditadura, a opressão, a censura e os abusos à dignidade da pessoa humana. 

40 anos depois ainda se fala em liberdade e nas consequências do dia-a-dia. Nos dias de hoje todos questionam se realmente existe liberdade, se a palavra e o significado faz sentido, ou melhor se os valores de Abril estão plenamente consagrados e aplicados na nossa sociedade. 

Em meu entender o país ainda tem muito que caminhar no que diz respeito a esta questão. Não se pode afirmar com total garantia que a liberdade funcione na sua plenitude. Tanto no sector do Estado mas essencialmente no privado há condicionantes importantes no que toca a liberdades e garantias que não são respeitadas. A liberdade não se resume só às que estão garantidas constitucionalmente, mas tem a ver com várias questões relacionadas o respeito pela dignidade da pessoa humana. 

A verdadeira questão resume-se a isto: será que a dignidade da pessoa humana é respeitada? Na minha opinião claramente que não. O Estado, mas sobretudo o sector privado ainda têm muito que caminhar relativamente a este assunto. A resolução destes problemas está na prática que algumas instituições insistem em manter. 

Não é por acaso que ainda hoje se recorda Abril com saudade. As pessoas foram perdendo a esperança ao longo do tempo, à medida que as práticas antigas se mantiveram. Os atentados à liberdade das pessoas são hoje cada vez mais frequentes e visíveis numa sociedade que vai perdendo direitos à medida que a crise se acentua. 

A liberdade é um direito caro. Não se conquista mas é conquistada. É acessível apenas a alguns e não está ao alcance de todos, ao contrário do que supostamente devia ser. 40 anos depois, Portugal ainda tem muito que aprender sobre liberdade. 

Comemorações do 25 de Abril em Macau


O trigésimo nono aniversário da Revolução dos Cravos, em Macau, será pautado por comemorações de carácter privado e com grande acento na vertente cultural.
Na ausência de comemorações oficiais, a data será comemorada, já o vem sendo há alguns dias aliás, e as comemorações estendem-se até sábado, por iniciativas de base associativa (Casa de Portugal em Macau) e institucional (Instituto Português do Oriente - IPOR).
Exposições de artes plásticas, música (sobretudo o reviver das chamadas canções de intervenção) exibições de filmes alusivos à data, uma caminhada pela liberdade no próximo sábado na qual se pede aos participantes que enverguem uma camisola vermelha, são algumas dessas iniciativas.
Não sei qual a justificação para o Consulado não comemorar oficialmente a data.
Nem nas instalações do Consulado propriamente ditas, nem com uma recepção na residência consular.
Poderá haver motivos ponderosos que expliquem esta opção.
A chegada muito recente do novo cônsul, Vítor Sereno, não se afigura no entanto como explicação bastante.
Sejam quais forem as razões, que confesso desconhecer, acredito que as iniciativas de base popular (Casa de Portugal em Macau) ou institucional (IPOR) sejam até mais genuínas e mais genuinamente sentidas e vividas que os tradicionais croquete e pastel de bacalhau.
Importante mesmo é que, a milhares de quilómetros de distância da Pátria, a data seja recordada, nos bons e nos maus momentos, e desasombradamente celebrada.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A justiça continua cega

A justiça em Portugal nem sempre funciona. As leis estão mal feitas, os agentes da justiça são na sua maioria incompetentes e o tráfico que se estabelece entre justiça e demais actividades descredibilizam uma das áreas mais importantes para o desenvolvimento de qualquer país. É relevante ter as contas do Estado em dia, apostar no crescimento económico, no entanto um país sem uma justiça célere, imparcial e "justa" não funciona. 

A detenção de Isaltino é aplaudida em todo o país, contudo há uma questão que perdura: porquê só agora? 

Foi só agora porque o sistema permitiu que o ex-autarca recorresse de várias formas e feitios de maneira a garantir a sua liberdade, sabendo de antemão que o seu destino seria sempre a cadeia. Contudo a pena que Isaltino cumprirá será ridículo tendo em conta a acusação. Mas a culpa não é dele nem dos advogados mas do sistema instituído que favorece este tipo de situações. Embora o país assista com agrado a esta detenção, este caso, tal como o caso Casa Pia é uma vergonha para os agentes da justiça, não havendo ninguém isento de culpas. Perante este cenário não percebo a hipocrisia das sessões solenes em cada abertura do ano judicial. Não se pode pedir que a justiça funcione 100%; contudo é necessário alterar alguns velhos hábitos como os prazos judiciais mas que são da responsabilidade dos juízes. Os advogados têm de cumprir prazos, os juízes não. Isto não faz sentido nenhum num país civilizado. A demora deve-se única e exclusivamente à tardia decisão dos magistrados, pelo que depois a desconfiança em relação às ligações entre política e justiça começa a fazer sentido de algum modo. 

Não é com esta detenção mediática que a justiça vai deixar de continuar a ser cega. Enquanto a justiça continuar a ser tardia deixará de ser justa para todos. 

Histórico

Hoje é um dia que fica para a História nem que seja só pelo facto do Ex-Presidente da CM Oeiras ter sido detido. O homem mais procurado do país está finalmente atrás das grades para cumprir o sonho de muitos portugueses. A justiça fica mal neste caso, no entanto mais vale tarde do que nunca. Agora convêm que a pena seja cumprida na sua totalidade e não se efectuem manobras dilatórias para reduzir a pena ao mínimo. Portugal está de parabéns!

terça-feira, 23 de abril de 2013

Ideias Políticas XX: Os consensos Políticos

Por força da reforma do Estado fala-se muito em consenso político. O que releva nesta questão é saber qual  o melhor caminho para que a democracia funcione em pleno. 
O acordo entre os partidos políticos é fundamental para o desenvolvimento do bem comum. Encontrar a melhor solução dentro das várias propostas apresentadas é o caminho que agrada a todos. A contribuição de mais ideias vai sempre valorizar o colectivo, objectivo final. No entanto, o consenso político acaba com um dos valores mais importantes democráticas e por qual muitos lutaram durante anos: o princípio do contraditório. Sem debate não há uma alternativa, não havendo alternativa não estamos perante uma verdadeira democracia.  É saudável que haja debate, discussão das ideias, alternativas às propostas apresentadas bem como possibilidade de escolher a ideologia que nos faz mais sentido. 

Falar em consenso numa democracia parece-me arriscado, contudo acho que em situações de emergência nacional deve existir um entendimento em relação a certas matérias. Consenso não significa concordar com tudo, mas colocar o interesse nacional acima dos interesses partidários ou individuais. Não se deve negar uma proposta colectiva só porque no campo partidário se perdeu a oportunidade de brilhar. À primeira vista pode parecer que não há para o exterior, mas nos bastidores a discussão é imensa. O que se pretende ao procurar um consenso político entre forças governamentais e da oposição é que haja um compromisso final das duas partes independentemente do agrado ou não das propostas finais. Se for para bem do país que se aceite, ainda que seja contrário a certos valores e príncipios defendidos pelos partidos. Se o partidos estão ao serviço do país e das pessoas devem pensar em primeiro lugar no interesse nacional. 

Sou a favor de um consenso político alargado não só às forças partidárias mas também a importantes sectores da sociedade. Num momento de crise que atravessamos é relevante procurar em conjunto qual o melhor caminho para o país. Defendo um consenso mas com debate de ideias e apresentação de propostas, sendo que no final haja o tal compromisso fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade.  

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Porque é que o facebook é importante nas nossas vidas

As redes sociais têm um papel importante na nossa vida. Antes do aparecimento do facebook, twitter, blogues e outros serviços ninguém sabia nada sobre a vida das outras pessoas. 
Hoje isso já é possível graças a estes instrumentos. A utilização destas ferramentas surge precisamente para não desligarmos nem perder o contacto com os outros. Ao contrário do dia-a-dia onde nos relacionamos com um número pequeno de pessoas, é possível através do Facebook acompanhar o historial dessa pessoa. 

A introdução de fotografias, a definição de aspectos pessoais bem como a criação de grupos permitem criar uma rede virtual que nos permite mais facilmente chegar aos outros. Conhecer alguém porque viu a fotografia no facebook no grupo x ou y é o mais normal. Ao contrário do que se possa pensar, o facebook não é nenhum vício nem especializado para pessoas mais isoladas. Através desta ferramenta conseguimos estar ligados a várias pessoas e aos seus momentos importantes, já que é cada vez mais frequente partilhar os sentimentos com o nosso círculo. A Sociedade de hoje precisa do facebook, porque com horários cada vez mais incertos, sentimentos diversos e uma necessidade de sentir acompanhado quando se está fisicamente só, fazem desta rede social um instrumento precioso. 

As pessoas precisam de construir a sua rede, é disso que vivem: das relações. Apesar de virtualmente, o facebook acaba também por funcionar como um espaço sentimental. Quem é que na primeira vez que se "zangou" com alguém, a primeira coisa que lhe apeteceu fazer foi apagar o perfil da outra pessoa do mural? Em vez de apagar o número de telefone.......

Não estamos condenados a viver dependentes do facebook para nos relacionarmos, no entanto este permite que a nossa rede de contactos se alargue, bem como se torne mais fácil a interacção. Por estes motivos acredito que as redes sociais como o facebook, o twitter, o linkedin e os blogues em certa medida irão perdurar durante muito tempo e serão o principal veículo de transmissão e partilha desta geração, sob todos os aspectos. 

Mudança de rumo ou engodo político?

Dizem as más linguas que o governo prepara-se para mudar de rumo. A aposta no crescimento económico vai ser uma realidade, ao passo que a austeridade está a chegar ao fim. 
A aposta do governo chega tarde a más horas, sendo que há muito já se deveria ter optado por um misto de políticas de crescimento e outro de rigor orçamental. Não acredito que o corte de 4 mil milhões de euros seja feito, porque é impossível de o conseguir. Este corte vai ter que ser feito de forma gradual e nunca de uma só vez, só assim é que faz sentido, pelo que os prazos impostos pela troika não fazem sentido, sendo que são muito rigorosos. 

Mudar o rumo mas também alterar o ministro responsável pela pasta da economia, é isto que defende o CDS. Tendo em conta as pressões feitas para substituir Álvaro Santos Pereira não é de admirar que após as autárquicas se faça mais uma mini remodelação. O importante neste momento é saber se estamos perante uma mudança de política ou continuamos na mesma toada austéra.....

sábado, 20 de abril de 2013

18- A implantação da República

Eis que chegamos à implantação da República. O 5 de Outubro de 1910 foi uma das datas mais marcantes na nossa história já que marcou o fim da monarquia o início de um novo regime político vigente no nosso país. 
A morte do rei D.Carlos em 1908, do qual trataremos em capítulo autónomo foi o facto que levou ao poder os republicanos que andavam disfarçados nas cortes e a jurar amor eterno ao rei. 
No entanto, o novo regime não teve um início fácil, já que a I República teve pouco sucesso pela instabilidade que se veio a verificar após a queda da monarquia. O nome que está associado à revolta republicana chama-se Afonso Costa, mas muitos outros deram o corpo pela causa republicana. 

Ainda hoje se discute a forma como os republicanos levaram adiante a sua causa mas também se a implantação da República foi o melhor para o país. Há quem acuse os republicanos de assassinio e traição à pátria, chegando ao ponto de os chamar de "esquerdistas". Ora, nem todos os republicanos são de esquerda mas esta é a forma como os defensores da causa monárquica olham para os democratas. 

Valeu a pena matar o rei e fazer nascer um novo regime? Será que com o tempo o regime monárquico não cairia por si? É uma questão díficil de responder, já que a monarquia constitucional ainda funciona em alguns países europeus, pelo que destituir um rei não seria fácil a não ser pela via revolucionária. Eram outros tempos aqueles em que se deu a revolução de 1910, pelo que é legítimo a forma como se acabou com a monarquia. 

Este tema é dos mais importantes da nossa história, pelo que abordaremos todos os aspectos minuciosamente. 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O peido fundador

Um beduíno afortunado, que se chamava Abdul-Hossein, decidiu um dia, a conselho dos seus amigos, tomar mulher. Escolheu uma donzela linda como a lua cheia e, para o dia das núpcias, abriu de par em par as portas da sua casa e mandou servir um esplêndido festim. Todos os convidados comeram e beberam com alegria. Passearam  a esposa por toda a casa, vestida com roupas que eram mudadas a cada passagem. No fim, as mulheres introduziram-na no quarto nupcial e prepararam-na para a entrada do esposo.

Abdul-Hossein entrou no meio de um cortejo. Sentou-se um instante no divã, com dignidade. Depois levantou-se para agradecer às mulheres e dispensá-las quando subitamente - calamidade das calamidades - soltou um traque que é descrito, mas Mil e uma Noites, como "terrível e grandioso". 

Todas as mulheres fizeram menção de falar ao mesmo tempo, como se não tivessem ouvido nada, e a esposa, rindo, fez tinir os seus braceletes. Mas Abdul-Hossein, com a vergonha no coração, saiu para o pátio, selou a sua jumenta e fugiu para as trevas nocturnas. Chegou à beira-mar, viu um barco que partia para a Índia e embarcou. Tinha decidido fazer-se esquecer na sua terra. Deixava para trás toda uma vida. 

Na India, como era um individuo com qualidades, refez a vida de um modo brilhante, tornou-se o homem de confiança de um rei. Envelheceu rico e respeitado. 

Passados mais de dez anos foi possuído pelas saudades. Suspirava incessantemente pensando na sua cidade, na sua casa. Um dia fugiu, disfarçado de dervixe, e acabou por chegar à colina que dominava a sua cidade. Com lágrimas nos olhos, reconheceu o terraço da sua velha casa e as casas vizinhas. 

Desceu a colina e tomou caminhos escusos para chegar a casa. Ao caminhar por uma rua, o coração agitado pelas emoções, viu uma velha a catar uma menina dos seus dez anos. E de passagem, sem querer, ouviu a menina perguntar:

- Em que ano nasci eu?
- Nasceste - respondeu a velha - dois anos depois do ano em que Abdul-Hossein se peidou. 

Abdul-Hossein quedou-se. o seu traque tinha-se tornado uma data importante para os anais da cidade. Tinha entrado para a história. E o infeliz disse para si mesmo: "o meu traque transmitir-se-à pelas eras enquanto as flores nascerem nas palmeiras".

Então, deu meia volta a correr, fugiu para não mais voltar, regressou à India e, para sempre marcado pelo tempo, viveu triste até morrer.

Regra de Silêncio

Robert Redford é um advogado famoso. No entanto, por detrás da toga esconde-se um criminoso procurado pela justiça há mais de 30 anos. O cabecilha de um gang que lutava pelos direitos humanos é descoberto por um jornalista (Shia Lebouef). A partir daí inicia-se uma autêntica caça ao homem, contudo Nicholas está disposto a reunir o grupo para limpar a sua imagem e evitar ir parar à cadeia. Como o fará? Grande filme com dois actores de excelência numa mistura de profissões distintas.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

fim de ciclo

Pinto da Costa anuncia amanhã a sua última recandidatura à presidência do FCP. O triénio 2013-2016 será o último do histórico presidente portista. 35 anos na liderança de um clube desportivo é algo notável em Portugal mas também a nível europeu e mundial, coroado com inúmeros êxitos desportivos mas também pessoais. 
O sonho de PC para o seu novo mandato é ganhar todos os campeonatos possíveis mas acima de tudo vencer a Liga dos Campeões pela terceira vez. Prevejo que o último mandato seja um fracasso, isto porque cheira a fim de ciclo, do próprio Presidente mas também do clube portista. A vida e o desporto são feitos de ciclos e o azul e branco está a ser substituído pelo encarnado, pelo que seria melhor PC não se recandidatar porque assim sairia em grande. A má escolha de treinador e jogadores demonstra a falta de capacidade com que PC já se debate. Apesar do risco que corre, ninguém lhe tira o mérito das conquistas portistas, contudo é a última imagem que fica. E essa pode ser bem diferente daquela que PC construiu ao longo dos últimos 30 anos. 

Parecem um casal de namorados

Tal como era de prever não houve acordo entre Governo e Oposição. O encontro promovido pelo PR resultou numa distância cada vez maior entre os principais protagonistas da nossa política. Estranho a ausência de Paulo Portas, já que embora estando no governo ele é o líder de um dos maiores partidos com assento parlamentar. Era bom que o diálogo também se estenda ao CDS enquanto partido autónomo e não ficar numa conversa entre os dois lados da barricada. 

Não se percebe porque razão tanto Passos Coelho como António José Seguro perdem tempo em reuniões quando já sabem de antemão que não vão concordar um com o outro, parecendo um casal de namorados que tenta reatar uma relação sem sucesso. Embora seja de louvar a iniciativa, o país fica a perder mais com este folclore do que com as expectativas frustradas. Em boa verdade, o governo não precisa do apoio do PS para nada, chamando a si o maior partido da oposição apenas por patriotismo. Quanto a Seguro vai a São Bento para depois fazer o número que tanto gosta: mostrar ao país a irredutibilidade do partido socialista como força que tem as suas próprias ideias e não abdica delas. O problema é que o país já sabe que Seguro não tem uma única ideia, não vê no PS uma alternativa, pelo que estes números de circo são evitáveis por parte do actual secretário geral. No entanto, compreende-se o sentido de oportunismo até porque quem ganha pontos nas críticas ao governo é José Sócrates. 

Sem consenso político é natural que comece a pairar na cabeça de Cavaco Silva o cenário de uma crise após as autárquicas. Este é a hipótese que mais agrada ao Presidente, já que assim ele consegue assumir o protagonismo que tanto gosta. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

têtê-à-têtê II

Saúdo este encontro bilateral entre Passos Coelho e Seguro. Não estou céptico em relação às conclusões da reunião como o Pedro Coimbra, no entanto considero que não será por aqui que vai nascer o "consenso nacional". Desde logo porque o líder do PS nunca se mostrou disponível para nada, ao contrário do que acontece com o PM. Quem tem o discurso bélico e derrotista como Seguro não pode pedir uma solução nacional para resolver o problema da crise. O líder do PS perdeu a credibilidade política quando apresentou  uma moção de censura a reboque da decisão do TC. 

É bom que Seguro dê alguns sinais de compreensão para cair no goto dos portugueses, se assim não for o povo continuará sem a possibilidade de escolher uma alternativa a estas políticas e o PR vai manter o executivo em funções mesmo que as previsões voltem a falhar, ou numa situação de segundo resgate. 

O encontro vem numa boa altura para fazer marketing político, contudo só será útil caso surja uma solução de futuro. Essas hipóteses são: Ou os dois aceitam um governo de salvação nacional que integre PS, PSD e CDS, mas nesse caso Paulo Portas teria que estar presente. Escolha de uma figura que comandasse o país até às próximas eleições, ou então a saída de Portugal da zona euro. Nenhum destes três cenários parece plausível porque o PM não é homem para desistir e o líder da oposição é demasiado vaidoso para perceber que não tem competência sequer para ser secretário geral de um partido politico. Perante esta indefinição cabe a Cavaco Silva a última palavra. 

Portugal precisava de um consenso alargado sobre os cortes a efectuar para cumprir as metas acordadas e regressar aos mercados de forma plena. O cumprimento destes objectivos "mandaria" a troika para casa já no próximo ano. Infelizmente, e à semelhança do que acontece noutros países europeus, a vontade partidária sobrepõe-se aos interesses nacionais, o que é de lamentar. 

Quem tomou a iniciativa para a realização do tête-à-tête entre Passos Coelho e Seguro?


Pedro Passos Coelho convidou António José Seguro para um encontro a dois, um tête-à-tête que pretende trazer o líder da oposição, e o partido a que este preside, para o grande consenso nacional que se julga necessário para tomar as medidas drásticas que, supostamente, o chumbo do Tribunal Constitucional a algumas normas do Orçamento impõe.
Isto é o que podemos ler na imprensa, é o que nos foi oficialmente comunicado.
Mas terá sido efectivamente assim tão linear e tão simples?
Não creio.
Pedro Passos Coelho convida António José Seguro, eles que têm uma relação no mínimo tumultuosa, para um encontro a dois porquê?
Desde logo, há que perceber que o Pedro Passos Coelho que convida António José Seguro, é o Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal.
Porque se fosse o Pedro Passos Coelho, líder do maior partido da coligação governamental, teria que estar presente nesse encontro o líder do outro partido da coligação, Paulo Portas.
Não o Paulo Portas ministro, o Paulo Portas líder do CDS/PP.
Trata-se, portanto, de um encontro formal entre o líder do governo e o líder da oposição numa altura que o país está confrontado com tantos problemas que é tarefa complicada elencá-los na sua totalidade.
Nesse contexto, dois inimigos figadais têm que se encontrar para tomar um chá amargo.
A primeira pressão nesse sentido partiu, discretamente, do Presidente da República.
Como se esperava, teve pouca ou nenhuma receptividade da parte de ambos.
Em seguida, e atento o mutismo de ambos, veio a ordem.
Esta foi dada de modo bem audível pela omnipresente troika.
A mesma troika que se reunirá com António José Seguro amanhã.
Como poderia António José Seguro apresentar-se com alguma credibilidade perante os representantes da troika se recusasse o convite que lhe foi dirigido pelo primeiro-ministro?
E como poderia o primeiro-ministro ter alguma margem de negociação com a troika se não recebesse o líder da oposição?
A teimosia de um e outro, o profundo desprezo que sentem um pelo outro, tiveram que ser colocados na sombra perante a lei do mais forte.
É bom sempre lembrar a sabedoria milenar de Sun Tzu (A Arte da Guerra) - "estuda o teu inimigo; se o teu inimigo é mais forte, evita-o, evita a confrontação".
E, em bom rigor, o que é que podem os dois protagonistas perder com este encontro?
Pedro Passos Coelho poderá (deverá)  dizer que estendeu a mão ao inimigo apenas para este a recusar.
António José Seguro poderá (deverá) dizer que tentou uma aproximação ao líder do governo mas que este se mostrou intransigente e irredutível nas suas políticas inviabilizando qualquer margem de acordo possível.
Com esta postura, um e outro ganham espaço, ganham tempo, podem apresentar-se como vítimas da teimosia do parceiro.
Perante a troika e os portugueses.
E pensam que poderão capitalizar essa vitimização a seu favor já com as eleições - as autárquicas e as europeias -  no horizonte.
O que é que espero do tête-à-tête entre Pedro Passos Coelho e António José Seguro que a troika forçou?
Em bom rigor, rien de rien!
Ou, na língua de Shakespeare, o célebre same same but different.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A Europa de Thacther e Merkel

A recente morte de Margaret Thatcher trouxe à baila a questão da desregulação da economia vs socialismo. A história diz-nos que foi a Dama de Ferro a responsável, juntamente com Ronald Reagan, daquilo que muitos chamam de capitalismo. 
Não podemos associar a tudo o que de mal aconteceu no mundo ao capitalismo, isso é conversa de esquerda. Da mesma forma que é discurso de direita culpabilizar o socialismo pelo Estado em que se encontram as contas públicas. Se a morte de alguém pode trazer alguma coisa boa, o falecimento de Thacther reabriu a discussão sobre que caminho ideológico devemos seguir. Esta é uma questão que nunca terá consenso tendo em conta a evolução da sociedade. Não podemos querer uma Europa virada, ora para o socialismo, ora para o capitalismo. O principal erro dos líderes europeus tem sido precisamente esse: criar uma uniformidade nas políticas que sejam abrangentes aos países europeus, em particular aos que têm menor força económica, como é o caso de Portugal.

A Alemanha quer impor um caminho perigoso para os países em dificuldade mas também para a própria Europa. A crise do Euro não pode ser resolvido com uniformidade na resolução dos problemas, mas sim atender à especificidade de cada problema e à natureza do país, pelo que é normal que os programas de austeridade não estejam a ter o sucesso desejado por Angela Merkel.  Não devemos optar por políticas socialistas para mais tarde abrir a torneira e voltar tudo ao mesmo, pelo que a discussão reaberta após a morte de Margaret Thatcher tem razão de ser. A Europa deve ser aquilo que sempre foi, passo o pleonasmo. Ou seja, um continente marcado por diferentes culturas, mas acima de tudo onde as ideologias e o confronto político foram uma das marcas sua história. Ao seguir um modelo, a Europa não só entra em declínio político e financeiro como deixa de ser um espaço aberto a diferentes opiniões. É este Estado ditatorial que a Alemanha nos obriga a viver e que contradiz com as ideias de políticas adoptadas por Margaret Thacther. Se a ex-PM británica deixou um legado na política europeia, Angela Merkel também vai ser recordada, mas pelos piores motivos. 

A Europa não deve ser um espaço onde só caibam as decisões de Merkel nem que viva o passado Thacher. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Derrota sem espinhas

Menezes e Seara não podem candidatar-se às Câmaras do Porto e Lisboa respectivamente. A decisão judicial é para respeitar mesmo que em causa esteja uma decisão política, e em meu entender uma lei mal feita que pode ter diversas interpretações. Com a nega a Fernando Seara seria um escândalo que Menezes tivesse luz verde. A haver decisões diferentes caíria o carmo e a trindade neste país, mas nós já estamos habituados a decisões contraditórias por parte da justiça. No entanto, acho que a decisão em relação a Seara influenciou o acordão na questão de Luis Filipe Menezes. 

Para o PSD é um enorme problema. A cinco meses de meio das autárquicas vai ter substituir os únicos candidatos que lhe podem trazer uma vitória moral nas eleições, já que a vitória nas urnas será sempre do PS. No entanto, caso Seara ou Menezes, ou mesmo os dois vencessem as respectivas Câmaras seria um balão de oxigénio. Para além da questão temporal, é preciso substituir alguém com qualidades reconhecidas. À primeira vista não há nenhum em Lisboa e Porto que ganhe de caras as autarquias. Com Rui Moreira no Porto tendo o apoio do CDS e um Costa forte na capital, resta ao PSD lançar dois nomes que evitem uma derrota histórica para os sociais democratas. 

Na minha opinião, quem fica a ganhar com esta decisão é Rui Moreira e António Costa porque assim não têm adversários de peso. Por outro lado, Pedro Passos Coelho arrecada mais uma derrota política porque deveria ter tido em conta a questão da lei que limita os mandatos e substituir de imediato os dois candidatos, porque mesmo que ganhem em recurso tanto Menezes como Seara já vão feridos de ilegalidades para a campanha autárquica.

Quem quer a cabeça do Gaspar

As vozes do CDS que têm pedido uma remodelação mais profunda tem um nome: Vítor Gaspar. Ao contrário do que muitos pensam, não é o Ministro da Economia que está na mira dos centristas, mas sim o homem mais forte do governo. 
Ao pedir uma mudança de política, os centristas falam claramente em Vítor Gaspar, porque a política deste executivo está nas suas mãos. Com Gaspar no governo dificilmente vai haver mudanças até 2015, após as eleições, e se o PSD conseguir vencer quem sabe senão teremos um novo nome na pasta mais importante. Para já cabe ao CDS fazer pressão diária para que Gaspar caia antes ou depois das autárquicas, dependendo do resultado eleitoral. No meio da questão da remodelação era importante perguntar ao CDS se a mesma inclui remodelar alguns ministros centristas.....

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Porque é que o cão persegue a rena

As histórias a que podemos chamar das origens contam muitas vezes o princípio de uma discórdia, de uma desordem ou mesmo de um ódio. É o caso desta narrativa inuíta.
A rena e o cão, outrora grandes amigos, foram um dia à feira. Cada um deles puxava um trenó muito carregado. A rena, que era velha e já muito cansada, pediu ao cão:
- Rogo-te, ajuda-me! Leva uma parte do meu farto!

Mas o cão fez orelhas moucas e continuou sozinho. A velha rena abateu-se morta na neve. Então o homem que era dono dos dois trenós carregou no do cão todas as mercadorias que a rena puxava.

- Tinha feito melhor em ajudá-la- pensou o cão, a puxar, resfolegando.

Desde esse dia, sempre que o cão avista uma rena, persegue-a. Mas a rena evita-o e foge para longe. 

O Velho de Belém

Luís de Camões inventou n´os Lusíadas os Velhos do Restelo, para criticar aqueles que nunca estavam satisfeitos. Nos dias actuais esta figura é frequentemente utilizada quando se quer destacar alguém que não faz outra coisa senão dizer mal. 

A metáfora fica bem assente a Mário Soares, contudo trocaria Restelo por Belém, embora os dois lugares fiquem praticamente ao lado um do outro. Chamo Velho de Belém a Mário Soares pelo facto do antigo Presidente ainda não ter percebido que o seu tempo já passou. Tal como Sócrates  o líder histórico socialista tem dificuldade em lidar com a rejeição, ou na melhor das hipóteses com o esquecimento. 

Mário Soares teve o seu tempo. Foi um bom PM mas um péssimo PR. Após a sua saída esperava-se uma saída à altura de um ex-chefe de Estado. Não se nota nos outros países, em particular nos Estados Unidos a presença constante de ex-Presidentes nos orgãos de comunicação social. Contudo, o ex PR quer ser diferente e aparecer em tudo o que é sítio e nos momentos mais difíceis para o governo. O problema é que Soares não faz oposição ao governo e além do mais não ajuda o seu partido a subir nas sondagens. Repare-se na postura de Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, adoptando uma postura correcta e saindo pela porta grande, mantendo-se no anonimato e respeitando os órgãos de soberania. Soares não faz nada disso e mais grave ainda, pressiona o PR a tomar decisões. 

Com o regresso de Sócrates, Soares tem necessidade de ainda mais protagonismo e mostrar que está vivo. Esta situação de procurar o microfone tem causado ao PS um desgaste junto da opinião pública enorme, porque ninguém sabe quem realmente manda no partido: se o líder histórico, se o PM regressado, se o presidente da câmara de Lisboa ou se é o líder em funções. 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Ideias Políticas XIX: A moralidade na política

Normalmente quando alguém sai de cabeça erguida de um sítio é porque o trabalho efectuado não correu da melhor forma. Aqueles que são corridos da sua função gostam muito de apresentar este discurso típico de quem interiormente sabe que a sua função não foi a melhor. O discurso de despedida de Miguel Relvas preenche todos estes requisitos. 

Em política esta é uma situação que se verifica em diversas situações. A moralidade no exercício das funções públicas é um aspecto importante, não só para quem exerce o cargo mas sobretudo para os governados, principais intervenientes políticos. 

Não basta fazer discursos pomposos que enchem as páginas de jornais e fazem a delícia dos bloggers, é preciso ter a convicção que o dever foi cumprido. Os superiores interesses do país não podem ser lembrados apenas na hora de dizer adeus a um cargo público para fazer número televisivo. 

Infelizmente hoje não se pode falar em moralidade no cumprimento das regras básicas, quanto mais em política. Os jogos de poder, a teia de interesses, os compadrios existentes são os pontos negros da actividade política daí que muitos dos que não se identificam com estes valores preferem não seguir uma carreira na política para não ser confundido com certo tipo de ilegalidades.

Além do mais muitos dos que clamam "os superiores interesses do país" acabam por gozar de uma impunidade extrema. Note-se o caso de Isaltino Morais e do próprio Miguel Relvas ou de Dias Loureiro. A política não serve só para construir uma carreira mas também para ficar protegido após a reforma. 

Hoje estamos perante uma situação em que não faz sentido falar em moralidade na política. Quem perde com este estado é o país e os seus cidadãos que a pouco e pouco vão perdendo a confiança, não nas instituições mas sobretudo quem as representa. Porque os homens é que estão carregados de vícios que minam a credibilidade de instituições históricas e consagradas. 

Macau em tons de cinzento


Por estes dias, e já são muitos!, Macau vive pintada em tons de cinzento.
Desde logo, o cinzento que resulta de um clima incrivelmente húmido, de dias de chuva contínua, de visibilidade reduzida, de total ausência de sol, do anoitecer pouco depois das quatro da tarde.
Como uma imagem vale mesmo mais do que mil palavras, fica a imagem disponível hoje no website da Direcção dos Serviços de Meteorologia e Geofísica de Macau:

Lá ao fundo ainda se avista, se bem que com alguma dificuldade, a linha costeira de Macau.
Tem sido assim há quase um mês.
Continuará a ser assim, a confirmarem-se as previsões meteorológicas, nos próximos dias.

Mas não é só o cinzento do clima que confere esta matiz a Macau.
É também o cinzento que resulta do receio que se sente com os casos de gripe H7N9 no interior da China.
Quando o interior da China, e Hong Kong, foram vítimas da gripe aviária (vírus H1N1) Macau passou por esse período quase incólume - apenas um caso e mesmo este de um cidadão que se deslocou do interior da China para Macau no intuito confesso de ser tratado nos hospitais do território.
Não há ainda qualquer caso, que se conheça nem suspeitas de nenhum caso, mas Macau está alerta.
Confirma-o este comunicado do Gabinete de Comunicação Social..
Não havendo casos, não havendo suspeitas, não havendo pânico, as vendas de aves já sofreram uma queda significativa.
E as medidas de vigilância na entrada e saída de Macau já foram intensificadas.
Prevenindo e nunca remediando e quem tem....pois! tem medo.

Mas há mais cinzentismo no horizonte.
Mais precisamente, na fronteira entre as duas Coreias.
As diatribes do garoto (não é ele, são os generais que verdadeiramente detêm o poder do tresloucado regime político norte-coreano) não podem deixar ninguém tranquilo.
As possibilidades de um conflito armado, que envolva inclusivamente japoneses e americanos, são remotas.
Mais uma vez, tudo indica que será o regime norte-coreano a fazer-se notar para depois poder negociar e obter contrapartidas para uma nação em completo isolamento e onde os casos de miséria e fome se multiplicam.
Sendo esta a percepção, quem é dormirá completamente tranquilo quando a retórica bélica sobe de tom diariamente?

Para aliviar tanto cinzentismo, as receitas do sector do Jogo que, no mês de Março, ultrapassaram pela primeira vez os mil milhões de patacas diários (cerca de 100 milhões de euros diários).
É muito, o céu parece que não é limite, mas não chega para aliviar tanto cinzentismo.
Se nem se consegue ver o céu como é que tanto dinheiro alivia?!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O acordão do TC sob o p.v. político

Caro Fernando, nalguns pontos concordo com a tua análise, no entanto há aspectos importantes a salientar.

Quem tem culpa na demora da decisão sobre a constitucionalidade de algumas normas do OE 2013 foram aqueles que insistiram em querer politizar a justiça. Se o PR tivesse pedido a fiscalização preventiva nada disto teria acontecido, por isso Cavaco também é um pouco responsável por esta situação. Contudo, o timing da divulgação do acórdão não é importante, convém perguntar porque razão já se sabia o teor da decisão uma semana antes.

Os juízes do TC são  nomeados consoante a confiança política e não pelo mérito profissional. É o que está na lei, embora não se deva questionar a sua competência. Em meu entender, quem deveria nomear todos os juízes do TC era o PR e não a AR. O problema do teor deste acórdão está relacionado com o anterior: a suspeita de pressões politicas vai ficar sempre no ar. A CRP não é uma bíblia que tem de ser seguida à letra, pelo que é função dos juízes interpretarem a lei fundamental de uma forma extensiva. 

Em relação ao princípio da igualdade e da proporcionalidade. Sempre fui contra a austeridade nas reformas e pensões, pelo que, do ponto de vista social aplaudo a decisão. No entanto, o argumento utilizado pelos juízes não faz sentido. Se invocarem outra norma eu poderia concordar, contudo usar o princípio da igualdade como forma de chumbar um OE necessário para o país, por mais que seja injusto, levanta suspeitas. A lei não tem que se adequar à Constituição porque esta é abrangente e as suas normas não são imperativas, em minha opinião. O princípio da igualdade pode ser justificação para tudo e mais alguma coisa, até para considerar inconstitucional o enorme aumento de impostos que estamos a ser sujeitos. O TC de forma inteligente usou o corte nas pensões e reformas para confrontar o governo. Da mesma maneira que o acórdão do ano passado não convenceu, este ano o chumbo do OE foi pior. O meu problema tem a ver com o princípio da igualdade como fundamento, pior mesmo foi ter levado três meses para justificar o chumbo com um dos princípios mais básicos que existem. 

A culpa é do governo mas também do próprio TC. Os tribunais não têm de atender aos interesses individuais ou colectivos, no entanto como órgão político que é, o Tribunal Constitucional toma decisões políticas e não jurídicas. Sempre pensei assim, pelo que não vejo nenhuma razão para a sua existência a não ser para guardar religiosamente uma Constituição desadequada à realidade do país e da sociedade em que vivemos. 

O problema de fundo está relacionado com a forma como os partidos da oposição, o PR e o próprio TC politizaram esta questão. A partir desse momento não há margem para confiar nas decisões que vierem a ser proferidas. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

O meu poder é maior do que o teu ... Calimero, Super Heróis e Avestruzes

A seguir ao Calimero seguiu-se uma versão de birra estilo super-heróis. A seguir a queixarem-se que -coitadinho do Governo - já não nos podia fazer maldades à vontade sem que alguém lhes estragasse a festa e lhes dissesse que não podia ser que (ainda) havia umas pequenas regras a cumprir o nosso ministro das finanças rapidamente se curou.

Despiu a casca de ovo que tem na cabeça (possivelmente enterrada até aos olhos) e resolutamente entrou numa verdadeira luta de super-heróis proclamando: O meu poder é maior do que o teu. Vai daí e suspende todas as novas despesas, mesmo que sejam a compra de papel higiénico. Acho bem. Assim como assim pode ser útil para que ninguém venha esconder a ... que fez. O cheiro pelo menos permanece sempre soberano.

Antecipa-se que um outro órgão de soberania vá fazer o papel de animal selvagem mais precisamente de avestruz enterrando a cabeça na areia.

Nesta novela - Destinos de Animais Cruzados - trama-se como sempre o mexilhão, quanto mais não seja pela poluição que acaba por dar a costa. O fim esse continua a ser feliz para os irracionais que detêm as conchas (vulgo o "carcanhol").

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Sócrates não percebe que ninguém o quer

Não vi a entrevista de Sócrates ontem. Não tenho interesse em ouvir a opinião de alguém que deixou o país de pantanas e além do mais mente descaradamente a tudo e a todos. O país não merece ter que ouvir Socrates ao domingo à noite só porque fartou-se do Professor Marcelo. A RTP devia pensar mais na qualidade dos comentadores do que nas audiências, até porque em primeiro lugar está o serviço público e não a guerra pelo melhor share. 
Do que li da entrevista nada de novo. O habitual em José Socrates, no fundo o fadango do costume. O mais triste é o facto do ex PM ainda não ter percebido que o país, para além de o não querer ver mais, incomoda-se com o seu regresso. Pelo que se sabe as audiências de Socrates foram menores do que as de Marcelo Rebelo de Sousa. O professor venceu a primeira batalha, nesta telenovela que os portugueses irão seguir todos os domingos.

Sócrates parece alguém que quer conquistar o outro mas que não percebe os sinais negativos, no entanto continua a insistir. Lembro-me que o mesmo aconteceu a Pedro Santana Lopes quando se recandidatou à liderança do PSD em 2010, após uma derrota histórica nas eleições de 2005. Com esta sua jogada, o ex lider socialista pode estar a hipotecar a sua candidatura a Belém, no entanto a sua presença vai desgastar a imagem de Seguro colocando em causa a continuidade deste como secretário geral do PS até final do ano. Mesmo que ganhe as próximas eleições internas, até porque não parece que o governo irá cair antes de 2015. Pelo menos enquanto for essa a vontade de Cavaco Silva.

O resumo do que penso sobre a decisão do tribunal constitucional

O tribunal constitucional decidiu que algumas disposições do orçamento de estado são inconstitucionais. Levantaram-se logo uma série de criticas atribuindo a este tribunal responsabilidades dizendo que colocava o país numa situação muito difícil. Discordo totalmente. Quem fez mal o seu trabalho de casa não foi o tribunal foi o Governo que apresentou um orçamento ilegal e por uma segunda vez ainda por cima. Mas vejamos as coisas ponto a ponto:

1) Quem fez o pedido de revisão de algumas normas não foram propriamente pessoas irresponsáveis ou sem conhecimentos económicos e jurídicos  Mais foram pessoas que na maioria dos casos nós elegemos para nos representar, entre as quais o próprio presidente da Republica. Logo pelo menos legitimidade na dúvida existe.

2) Argumenta-se que a decisão deve ter em conta o estado da economia e da nação. Não, não deve. Um tribunal não pode atender a outros documentos que não sejam a lei e no caso deste tribunal a lei é apenas e só a constituição. Se está mal que se mude a dita e não se aponte o dedo ao tribunal.

3) É inaceitável que este tribunal tenha levado 3 meses até chegar a esta conclusão. Neste ponto sim podemos apontar-lhe o dedo e perguntar porque razão demoram tanto tempo a chegar a uma conclusão. Não é admissível na corrente situação do país que se demore 3 meses a chegar a uma conclusão.

4) De todos os pedidos o tribunal apenas resolveu declarar inconstitucionais 4. Logo se levantaram vozes dizendo que apenas defendem os seus próprios interesses. É grave dizermos isto. Temos de acreditar que estes juízes deliberaram face à interpretação que fazem da nossa constituição.

5) É discutível a decisão? Penso que sim sobretudo quando diz respeito ao papel do estado enquanto empregador. Nesse caso duvido que se aplique o principio da igualdade porque este principio também não se aplica aos restantes cidadãos que trabalham em empresas privadas. O que está em causa neste caso é uma disposição que transcende a constituição e que logo tenho reservas que devesse ser observada pelo tribunal constitucional. Porém se o Tribunal Constitucional não está acima de criticas - a decisão tem de ser respeitada e tida como boa sobretudo por outras instituições que lhe devem esse respeito.

6) O Governo não pode portanto colocar-se no papel de vitima ou tão pouco (e ainda menos) colocar o país no papel da mesma. Tem é que encontrar alternativas para o problema que ele (governo) criou tentando pela segunda vez fazer aprovar disposições ilegais. Não me venham dizer que não sabiam ou que achavam que não seria esta a decisão. Na verdade insistiram num mesmo caminho mantendo uma diferença de tratamento e já sabiam no que ia resultar. Só podia. Assumam as responsabilidades que têm, critiquem se acham que devem mas critiquem o documento (a constituição) e não o juiz. Assumam. Da mesma forma que devem assumir a politica neo-liberal que praticam e não escudarem-se num nome de partido que nada tem a ver com a prática politica que têm. Assumam!

sábado, 6 de abril de 2013

Sai Gaspar, Coelho, entra quem? Portas?

Está aberta a segunda crise política em menos de dois anos. A obsessão pela austeridade tem os dias contados, pelo menos da parte deste governo. Gaspar não tem mais condições para continuar porque não resolveu o problema internamente, embora tenha conquistado a credibilidade externa. Saindo Gaspar, Passos Coelho não pode chefiar um governo de onde saíram o número 2 e 3, segundo as próprias palavras. Perante o cenário e excluindo Seguro destas contas (nem Cavaco nem o país confiam nele), resta ao Presidente nomear um "Monti" português. Havendo eleições antecipadas, Portugal corre o risco de passar pelo mesmo da Grécia e Itália e demorar anos a formar um governo de maioria absoluta. 
Cavaco Silva não tem outra opção senão nomear um novo PM da sua inteira responsabilidade. Espero que não seja Manuela Ferreira Leite, penso mesmo que chegou a hora de Paulo Portas. Quem espera....

17.1 Os partidos políticos na Monarquia Constitucional


A primeira fase do constitucionalismo monárquico é dominada pela instabilidade político-social resultante da proclamação da independência do Brasil por D. Pedro (filho primogénito de D. João VI) e das lutas que se 
seguiram entre liberais e absolutistas. Estes propunham um reforço do poderreal e a aceitação de D. Miguel (irmão de D. Pedro) como herdeiro legítimo do trono. Esta controvérsia, acompanhada por sucessivos confrontos armados, vem a reflectir-se em modelos constitucionais diferenciados: ora um liberalismo democrático, defensor do alargamento do direito de sufrágio, doparlamentarismo puro e do monocameralismo, ora um liberalismo conservador, defensor de maior intervenção do Rei e de um parlamentarismo mitigado pelo poder real e o bicameralismo. Neste período constituíram-se apenas dois
partidos autónomos significativos: o Partido Progressista Histórico e o Partido Regenerador. São ambos partidos de quadros, com uma orgânica partidária muito centralizada que asseguraram, rotativamente, o poder através de acordos políticos depois confirmados por sufrágio, sobretudo durante o período de relativa acalmia que correspondeu aos reinados de D. Pedro V e de D. Luís.O sistema bipartidário é alterado substancialmente, a partir da década de 90,pelas crises e cisões nestes dois grandes partidos, na sequência do Ultimatuminglês de 1890 segundo o qual Portugal era obrigado a renunciar a parte do seu território africano. Da pulverização partidária vem a destacar-se o Partido Republicano Português que defende a alteração revolucionária do regime vigente, conquistando uma militância progressiva a nível local, agregando acontestação à monarquia, acusada de comprometer as instituições da nação. A 
política de alianças partidárias provocava contínuas crises de governo, dificultando as relações entre o Executivo e as Cortes e a necessidade de recurso a sucessivos actos eleitorais. A instabilidade social e económica fez emergir novas forças sociais, dotadas de alguma capacidade económica e 
vontade de expressão política efectiva que o sistema político e parlamentar 
vigente não parecia assegurar. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O escolhido de Cavaco

A demissão de Relvas e o anúncio do chumbo do OE marcam o início de uma nova era. O governo antecipou-se ao TC com a demissão do braço direito de Passos Coelho. O PM percebeu que não tinha margem  de manobra com um segundo chumbo orçamental. 
Mesmo que haja mais austeridade, o povo vai ficar mais sereno porque a vontade popular de ver Relvas fora de jogo foi cumprida, o que evita para já uma intervenção do Presidente da República. No entanto, a tarefa de Passos Coelho é hercúlea porque tem de convencer os portugueses da necessidade de mais austeridade em vésperas de autárquicas. Por outro lado, PPC já fez a vontade à maioria ao mandar Relvas para casa, o que dará ao PSD um maior número de votos nas próximas eleições, ainda que insuficientes para derrotar António José Seguro.

Apesar de considerar que o chumbo do OE é uma derrota para o governo, é o Presidente da República quem fica com a responsabilidade de ter originado uma crise política que resultará numa contestação social. Cabe a Cavaco Silva resolver o imbróglio por si criado. Caso o governo não tiver condições para continuar a cumprir a legislatura ou decida demitir-se, o PR não vai convocar eleições mas nomear um novo governo. Aliás, penso que esse sempre foi o desejo de Cavaco Silva. Nomear um governo para orientar a política do país desde Belém e voltar a ter o poder concentrado no próprio Presidente. O actual PR nunca gostou de Socrates, não morre de amores por Passos Coelho, pelo que é legítimo sonhar nomear um PM do seu contentamento. 

Ideias Políticas XVIII: Os maus governam os fracos

A noção de democracia está ligada à ideia que os maus governam os fracos. Normalmente aqueles que estão no topo usam e abusam do denominado ius imperii. O seu poder é usado de forma discricionário e sem respeito pelos mais fracos, os que estão numa situação de não poderem responder. 

Perante isto a democracia em que vivemos é falsa, pois não respeita os princípios da igualdade e como consequência não há garantia de liberdade. O sistema de hoje favorece os maus e pouco qualificados e deixa os mais competentes, sérios e honestos de fora. A teia de interesses proporciona a quem tem falta de ética poderes ilimitados e um maior conforto social. 

Esta ideia tem relevância a nível político mas também social. Se quem está à frente das instituições pertence a essa teia de interesses, os cidadãos vão ser mal servidos, independentemente do nível de vida que o Estado lhes proporcione, isto porque quem dirige já está comprometido com a falta de princípios e rigor com que actua perante o eleitor. Normalmente as decisões são adoptadas em função do "calendário" pessoal e não em benefício dos cidadãos. A nível social pode originar descontentamento popular que leve a manifestações e em certos casos a revoluções. Salvo raras excepções, a história ensinou-nos que o povo revolta-se quando a representação das instituições não tem qualidade humana para servir o país e a sua população. É neste momento que os fracos se tornam fortes acabando com os maus governos. 

Não se pode condenar um povo por ter escolhido mal. A democracia é assim mesmo, um jogo de opções políticas. No entanto, é possível mudar quando o líder já não serve, independentemente das suas razões. Aos fracos compete recuperar o poder instalado e escolher o sábio que os represente com dignidade, de forma justa.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Foi nunca mais

Mais vale tarde do que nunca, mas desta vez foi nunca. Miguel Relvas sai do governo por causa da sua licenciatura. E quem é o responsável? Em primeiro lugar, o próprio pelas trapalhadas que fez durante o tempo que esteve no governo. Em segundo foi o Ministro Crato que a pedido de todos os portugueses arranjou um motivo para Relvas sair do executivo de PPC. Nestes termos, Passos Coelho fica sem o ónus e a responsabilidade de deixar cair o seu número 2 e além do mais não tem de ter medo de uma eventual vingança do ainda Ministro. 
A remodelação que o país pedia começa pelo número 2, o que representa uma vitória para a oposição, comentadores mas sobretudo para o CDS e em particular Paulo Portas. Gaspar sobe para número 2 e o Ministro do CDS para 3, ou então salta directamente para 2º. 
Mesmo assim não acredito que a popularidade do governo suba, mas isso é tema para o futuro. Aos meus amigos que desde Julho estão todas as segundas feiras frente à AR a pedir a demissão de Relvas, esta vitória também é vossa.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Não há mesmo alternativa

Ao ouvir Seguro discursar fico triste. As figuras que o líder do PS faz são ridículas. É por isso que o PR não vai convocar de forma alguma eleições antecipadas porque em caso algum Seguro vai ser PM. Foi para evitar que o actual líder socialista tenha palco que Sócrates regressou. Assim a queda do PS não será tão grande e além do mais o cenário de uma crise interna no seio do Partido Socialista pode estar a caminho. Acho mal pedir a demissão do governo por causa do acordão do TC. Em meu entender, o TC é um tribunal político e como tal, as decisões que profere não são vinculativas, até porque esta questão da fiscalização há muito que está politizada. Era importante o governo continuar o caminho mas com caras diferentes. O que não faz muito sentido é AJS chegar ao ponto de falar em Abril ou numa revolução. Fica mal a um político que sabe perfeitamente que medidas terá de tomar se algum dia chegar a Primeiro-Ministro. Eu espero que esse dia nunca chegue. 

Festival Ching Ming


Comemora-se amanhã em Macau o Dia dos Antepassados, o Festival Ching Ming (cantonês) ou Qingming (mandarim).
Feriado obrigatório em Macau, Hong Kong, Taiwan e, desde 2008, também no interior da China, o Ching Ming é comemorado no 104º dia após o solstício de Inverno ou 15º dia após o Equinócio da Primavera.
Normalmente, no calendário Gregoriano, este dia corresponde ao dia 5 de Abril.
Este ano, curiosamente, comemora-se no dia 4.
Um duplo 4 (4 de Abril) de mau augúrio no cantonês (quatro pronuncia-se sei, muito semelhante ao som de morte) e é um número a evitar a todo o custo (na matrícula do automóvel, no número do portátil, no andar do prédio)
O Ching Ming é um dia tradicionalmente reservado pelas pessoas para saírem de casa, fruirem a Primavera, o renovar da Natureza, e, simultaneamente, cuidar dos túmulos dos antepassados.
Os crentes deslocam-se aos cemitérios, oram junto aos túmulos dos seus antepassados, limpam e cuidam do aspecto desses túmulos, fazem oferendas.
Essas oferendas consistem normalmente em comida, chá, vinho, fai chi (os tradicionais "pauzinhos") e papéis votivos, muitas vezes representando dinheiro e outros bens materias (carros, casas, telefones).
Uma forma de manter os espíritos dos antepassados bem alimentados e felizes, acreditam os seguidores destas práticas, uma vez que, mais uma vez de acordo com a crença, os espíritos dos antepassados continuam a necessitar destes bens materiais após a morte.
Neste dia é normal ver as famílias reunidas nos cemitérios, ou lugares circundantes, a tomarem uma refeição com as oferendas que transportam, acreditando que estão a tomar essa refeição também em conjunto com os seus antepassados.
Supostamente uma tradição com mais de 2500 anos de prática, com raízes na Dinastia Tang e no Imperador Xuanzong, comemora-se amanhã em Macau o Festival Ching Ming, ou Dia dos Antepassados.
Que não se deve confundir, de maneira nenhuma, com o Dia de Todos os Santos, uma tradição católica, comemorado em Portugal no dia 1 de Novembro e aqui no dia 2 de Novembro.

terça-feira, 2 de abril de 2013

mediático até no fim

Ouvi dizer que Carlos Cruz entregou-se a fim de cumprir os 4 anos de pena que lhe restam. Com sorte o apresentador cumpre 1 e depois está cá fora. Não quero julgar o apresentador, no entanto a forma mediática como CC foi ao Estabelecimento é o último sinal de um processo que envergonha não só a justiça portuguesa mas todos os agentes envolvidos neste caso. 
O processo Casa Pia nunca deveria ter iniciado, porque envolvendo figuras públicas era óbvio que isto iria dar para o torto. Ninguém sai por cima, ficam todos por baixo. Todos são culpados e não há inocentes. Era bom que este processo servisse como um mau exemplo para os futuros advogados e juízes deste país, mas também para os que se acham acima da lei em Portugal. 
Alguém que retire uma situação positiva deste caso que eu não consigo....

Duelo televisivo ou presidencial?

No domingo o país vai assistir ao primeiro debate presidencial. Estejam sossegados porque o PR não se demitiu e as eleições não foram antecipadas, pelo menos as presidenciais. 
Falo do duelo televisivo que terá lugar no próximo domingo: Sócrates estreia-se na RTP, enquanto Marcelo continua a encantar na TVI. Não sei se os dois começam os respectivos programas à mesma hora, mas tenho a certeza que a partir de agora vamos assistir a um zapping louco em cada comando. Os que estão fartos de Marcelo mudarão rapidamente para Sócrates e os que não ouvem o professor têm oportunidade de seguir um novo comentador. No entanto, os que detestam Sócrates, ou continuam com o professor ou fazem outra coisa mais interessante. Apesar desta dúvida, acho que o ex-PM na estreia vai ter uma audiência maior do que a votação que obteve nas últimas eleições legislativas. O factor novidade é sempre importante para atrair público.
Sócrates e Marcelo querem Belém, embora o primeiro tenha negado essa possibilidade e o segundo esteja sempre adiar essa hipótese. O ex-PM vai ter de recuperar a sua imagem junto da opinião pública nestes três anos o que não é fácil já que os portugueses não têm memória curta e não vão desculpar Sócrates mesmo que Passos Coelho caia. Ao contrário do que acontece com Marcelo, o ex líder socialista tem muito que conquistar: audiências e votos presidenciais. Há quase 10 anos que ouvimos Marcelo Rebelo de Sousa todos os dias, e embora a maioria esteja cansada dos seus comentários, a verdade é que não havendo alternativa, acaba por entrar em casa de grande parte dos portugueses. Contudo, agora tem um rival de peso tanto na guerra das audiências como na próxima corrida presidencial.

Há um denominador comum nos dois comentadores: serão um factor de preocupação para o governo, porque nem um nem outro irão deixar Passos, Gaspar e Relvas a descansar. A influência que exercerão sobre o rumo dos acontecimentos é enorme e a opinião pública estará inflamada depois de escutar as opiniões. O pior que podia acontecer ao governo era ter Marcelo e Sócrates ao mesmo tempo a bater no executivo. Passos agora tem de lidar com dois problemas. 


Quem não deve estar contente com este duelo televisivo é a Igreja, já que o Domingo deixou de ser um dia para ir à missa e estar em família para passar a ser dia de política.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Enorme vazio

A entrada em cena de Sócrates como comentador da RTP levanta uma questão interessante: Será que existe um enorme vazio na política portuguesa?

A minha resposta é afirmativa. O facto de não se apostar em pessoas novas, qualificadas e que têm uma visão imparcial da actualidade é sinal de uma vontade da comunicação social em interferir com o poder político. Os media constroem e destroem conforme as suas conveniências e interesses, pelo que a aposta em antigos deputados, lideres partidários, Ministros, Primeiro-Ministros mostra como o círculo está viciado, não havendo maneira de o quebrar. 

Não é de espantar que pessoas com responsabilidades e que não fizeram nada em prol da nação, não tenham nada de novo para acrescentar. Para além da sua natural parcialidade, existe um vazio de ideias e um discurso repetitivo. Pergunto se isto não acaba por incomodar? É óbvio que sim, ainda para mais quando os assuntos são os mesmos mudando apenas as visões e a retórica.

Por este caminho vai ser difícil recuperar a credibilidade perdida. 

Abrilada XXI

Não tenho dúvida nenhuma que os próximos meses vão ser emocionantes. Estamos em campanha pré-autárquica, no entanto é o governo que enche as páginas dos jornais. Remodelação? Queda do governo? Vem aí uma solução dentro da maioria capaz de aguentar a troika até 2014?

Haver eleições está fora de hipótese. O país não aguenta autárquicas em Setembro, Europeias em Junho de 2014 e legislativas daqui a um ano. O mais natural é que a legislatura seja levada até ao fim, ou seja até 2015. Embora não goste de remodelações, Passos Coelho tem de fazer uma remodelação de fundo, e isto passa por substituir Relvas, Santos Pereira e talvez Vítor Gaspar. Contudo, se mudar o número 2 e 3 do governo, o Primeiro-Ministro fica numa situação complicada. Em meu entender, Passos Coelho devia estar mais próximo de Paulo Portas, no entanto este quer estar o mais longe possível das confusões governativas para que Cavaco o veja como o D.Sebastião português. Se Cavaco demitir o governo, será que chama Paulo Portas para chefiar um governo de salvação nacional?

O aparecimento de Socrates como comentador da RTP vem baralhar as contas. Tanto no governo como na oposição. Agora que a oposição está na televisão é urgente fazer reformas, porque os olhos dos portugueses não vão estar na bancada parlamentar do PS mas sim aos domingos na televisão pública. A questão é que o governo agora está cercado: no parlamento, na televisão e no próprio governo, já que o CDS assume cada vez mais um papel importante no desenrolar da crise política. 

São estes os cenários que se colocam em cima da mesa e nenhum deles garante a estabilidade necessária para Portugal cumprir as metas acordadas com a troika, pelo que paira no ar a necessidade de um novo resgate, o que levaria o país a um caos tremendo.No entanto, perante as confusões criadas é de louvar a determinação e força com que Passos Coelho tem aguentado o barco.

A situação de dúvida que se instalou no país faz relembrar a célebre Abrilada.....

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