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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

As novas esquerdas

A esquerda portuguesa tem realizado movimentações no sentido de se encontrarem alternativas aos partidos que estão no Parlamento. Os movimentos que têm aparecido podem ser uma escolha em detrimento do Partido Socialista e não ao PCP e BE, embora muitos militantes desalinhados com as opções tomadas pelos dois últimos estejam na linha da frente da fundação do Partido Livre e do movimento 3D ( o nome deste último é igual ao de uma famosa discoteca lisboeta). 

Bem sei que a esquerda está em crise há bastante tempo, no entanto não era preciso lançar movimentos à velocidade da luz, até porque quem fica a ganhar com a clivagem ideológica são os partidos de direita. Não é por acaso que a esquerda não consegue subir nas sondagens ao ponto de formar uma maioria que garanta a estabilidade necessária numa altura como a que vivemos, além da falta de popularidade que este governo enfrenta. 

Na minha opinião os "desalinhados" como Rui Tavares, Daniel Oliveira, Carvalho da Silva e alguns notáveis socialistas pretendem estar na linha da frente para ser um apoio ao Partido Socialista em 2015. O primeiro teste à confiança será nas europeias, o que para mim parece boa ideia, já que muitos dos "candidatos" têm trabalho feito em Bruxelas e podem retirar apoios para a sua integração em termos nacionais. É preciso saber que espaço vão ocupar os novos partidos e isso ainda não está totalmente esclarecido. Depois é necessário verificar senão vão ser cópias do PCP e BE. Tenho dúvidas neste aspecto para além de entender que o sucesso destes partidos vai ser o fim do BE e reduz o PCP a um partido que apoia a classe operária. 

O aspecto positivo dos movimentos de esquerda é a mudança de mentalidades e a forma como olham para os problemas. Se calhar tem sido esse um dos problemas do BE e PCP que não conseguem ultrapassar a barreira ideológica em que vivem. Se isso é difícil para os comunistas não percebo como é que o BE, liderado por pessoas jovens, não tem outro tipo de ambições políticas. Foi esta falta de vontade que retirou espaço a pessoas como Daniel Oliveira e Rui Tavares. 

Apesar das movimentações dos últimos tempos, se o PS regressar à sua origem, estes partidos têm a morte anunciada. Para que os socialistas voltem a ser o que era, seria necessário Seguro ser retirado da liderança e aparecer um novo Soares ou Guterres. No entanto, até às europeias nada disto vai acontecer mesmo com a troika fora do país, pelo que o Livre e o 3D terão a sua primeira oportunidade para conquistar o eleitorado português.

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