segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O azar de Rajoy

Como se sabe José Maria Aznar marcou uma era na política espanhola. Ao ter substituído o socialista Felipe González no executivo, o líder do PP quis abrir uma nova fase na vida do país. Os anos de prosperidade tiveram a marca do ex primeiro-ministro, no entanto as bases foram destruídas por José Luis Zapatero. A direita espanhola teve de refazer o que os socialistas deram cabo.

O mandato de Mariano Rajoy está a ser marcada pela crise financeira. Apesar de Espanha ter evitado o espectro de um resgate semelhante ao de Portugal e da Grécia, as dificuldades de tesouraria ainda são muitas. Além do mais, o actual chefe de governo espanhol tem um problema acrescido: a independência da Catalunha. Em meu entender o governo regional quer enfraquecer o actual líder popular com esta questão. Não estamos só perante uma reinvindicação nacionalista, mas também numa "vingança" pessoal. Não é por acaso que os catalães se lembrarem de accionar todos os meios políticos à sua disposição.

José Maria Aznar apresentou recentemente as suas memórias. Com este gesto, o antigo líder popular abriu a questão de quem é o melhor: ele mesmo ou Mariano Rajoy. O segundo sempre foi um fiel escudeiro do primeiro, no entanto de quem os espanhóis gostam mais é de Aznar. Rajoy não tem firme pulso e é um líder tibuteante, em recorrer sempre ao diálogo em vez de impor as suas opiniões políticas. Se a autonomia da Catalunha vai a referendo no próximo ano é o fim político de Rajoy e o regresso do PSOE ao poder. 

Aznar não volta à política espanhola, até porque em Espanha não é possível uma candidatura à Presidência após a experiência como primeiro-ministro. No entanto, a entourage do anterior primeiro-ministro pode arranjar alguém que faça oposição interna a Rajoy, mesmo antes das próximas eleições legislativas. 

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