quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ligação Washington-Teerão parte II

Como não poderia deixar de ser, uma futura relação com os Estados Unidos da América vai fechar as portas a um conflito com Israel. O compromisso de não agressão com a América significa que Israel fica protegido. A população iraniana não reagiu da melhor forma ao telefonema de Barack Obama, já que Rouhani foi brindado com manifestações anti-América mal aterrou em Teerão, depois de ter participado na Assembleia-Geral das Nações Unidas. 

Além do mais, o chefe da Guarda Revolucionária, Ali Jafari, criticou a aproximação entre os líderes, pondo em primeiro lugar os valores da revolução. Para Alex Vatanta, do Instituto do Médio Oriente, "a reacção negativa de algumas figuras importantes não representa o sentimento da maioria da população". Os iranianos estão dispostos a dar o benefício da dúvida ao seu novo líder, contudo não vão admitir que os interesses nacionais sejam vendidos aos Estados Unidos. 

O povo iraniano não quer que sejam os americanos a definir as condições pelas quais o programa nuclear do Irão irá ser estabelecido. O que está por detrás de um possível acordo entre as duas partes tem a ver com o programa nuclear, mas também com outros assuntos. O aspecto positivo de um entendimento está relacionado com o não uso da força militar na região.


Se do lado dos iranianos há vontade de diálogo, o mesmo acontece por parte dos americanos. Alguns membros do Congresso, por exemplo Ted Cruz e Keith Ellison, expressaram a sua satisfação com o avanço diplomático entre as duas nações. O republicano Ellison chegou ao ponto de afirmar que "a porta para um diálogo construtivo está aberta", porque considera o Irão "um importante país na região e no mundo". No entanto, há quem considere que não se deve dar oportunidade a um regime que "patrocina o terrorismo". 

A maioria da população dos Estados Unidos acredita que o acordo pode ser benéfico, já que em teoria, se por um lado podem ficar numa posição de superioridade em relação ao Irão, por outro impedem o programa nuclear iraniano de sair cá para fora e ao mesmo tempo controlam, através de uma suposta amizade, um inimigo que poderia causar problemas na região.


 Não é de esperar que se alcance uma solução a curto ou médio prazo, até porque em primeiro lugar é necessário convencer as respectivas populações. Tendo em conta que estamos perante duas nações arqui-inimigas, vai ser preciso tempo e que as partes façam cedências. Alex Vatanta concorda com esta orientação. O especialista para o Médio Oriente considera que "uma reunião entre os dois líderes é uma questão de tempo e que a aproximação será feita de forma gradual". No entanto, acrescenta que "uma das partes, está à espera que a outra avance". 

Tiago Moreira de Sá, professor da Universidade Nova de Lisboa, entende que "os Estados Unidos têm condições para alcançar um acordo, com o apoio da Rússia e da China". Acrescenta que, "com Moscovo e Pequim a seu lado, Washington impede Teerão de avançar com o programa nuclear". O professor universitário "não vê razões para que não seja tentado um acordo, mas só na condição de o Irão desistir do programa nuclear". 

Em troca do fim do enriquecimento de urânio, Tiago Moreira de Sá considera que os iranianos procuram " reconhecimento internacional, já que com isso garantem a existência do regime, bem como a integralidade territorial".


O mundo anseia pelo encontro histórico entre os líderes dos dois países. Tendo em conta as ideologias que separam Washington e Teerão, nunca será possível chegar a uma amizade perfeita. Contudo, não é isso que o mundo espera. É importante que as duas partes ponham os interesses globais acima dos particulares e que por um momento esqueçam rivalidades antigas. 

Depois do telefonema histórico, para quando o aperto de mãos?

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