quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ligação Washington- Teerão Parte I

2º artigo publicado no Jornal I

 No dia 28 de Setembro de 2013, o presidente dos Estados Unidos, sentado confortavelmente na Sala Oval, pega no telefone e faz uma ligação histórica. Do outro lado da linha está Hassan Rouhani. Apesar de os dois líderes terem estado presentes na Assembleia-Geral das Nações Unidas, o mundo não os viu lado a lado, no que era considerado por muitos o momento adequado para tentar uma aproximação. A iniciativa do presidente norte-americano de ligar ao novo líder do Irão foi o primeiro passo para uma mudança numa relação que se encontra cortada desde 1979.

Os 15 minutos de conversa podem ter valido a segurança de um povo, de uma nação ou mesmo do mundo inteiro. O motivo da chamada foi muito mais do que discutir a questão nuclear, até porque para isso os conselheiros dos respectivos líderes saberão dar conta do recado. O objectivo de Obama é construir uma ponte entre Washington e Teerão e que tem em conta não só os interesses dos dois países, mas também de todos aqueles que queiram fumar o cachimbo da paz.


A questão nuclear é muito importante, no entanto os dois presidentes têm muito sobre que falar. Barack Obama quis dar um sinal ao Irão, bem como a todos os países do Médio Oriente, de que está disposto a ter uma atitude de abertura no que respeita aos temas mais delicados, sobretudo os que envolvem violações dos direitos humanos, mas também os que ameaçam a paz mundial. Em vez de pressionar o inimigo com uma intervenção militar, o presidente dos Estados Unidos prefere apostar no diálogo como forma de conquistar o adversário.


Tendo em conta que naquela região os Estados Unidos nunca seriam convidados para uma festa, a única maneira de obter convite é propondo uma solução de paz, até porque, com a Síria metida em problemas, neste momento qualquer movimento no sentido de uma intervenção militar instalaria a desconfiança naquela região. Jaled Mohamed Al Jalifa, ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein, pensa que um entendimento entre os dois países "serviria para afastar da região o espectro da guerra".


As duas partes estão confiantes num bom desfecho. O líder iraniano até usou a sua conta numa rede social para expressar a satisfação com o telefonema do seu homólogo, o que mostra o avanço de Teerão em direcção à modernidade, mesmo que ainda tenha muito a fazer em termos de direitos humanos. Se depender dos dois líderes, o telefonema passará para um encontro histórico a realizar num futuro muito próximo. O problema é que nem todos estão contentes com esta amizade, e isso pode ser um entrave a um acordo definitivo.

(continua)

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