quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Contra a discriminação nos partidos

Se o Conselho de Jurisdição do PSD aceitar, cerca de 400 militantes sociais democratas vão para o olho da rua. Ou melhor, vão deixar de ser militantes do partido. Tudo porque nas últimas autárquicas candidataram-contra as listas oficiais do partido. 

Numa altura que se fala muito de renovação dos partidos e da sua abertura à sociedade, o PSD dá este mau exemplo. Não se compreende porque razão um militante de um partido não pode concorrer numa lista independente em eleições, em particular nas autárquicas. Se a estrutura partidária não escolheu determinada pessoa para fazer parte de uma lista, não pode proibir essa pessoa de seguir a sua vontade política. Não se admite que um partido pretenda amarrar um militante, chegando ao ponto de o chantagear com a expulsão.

Os partidos não devem funcionar assim porque é desta forma que as pessoas não se inscrevam nas estruturas partidárias. Mais do que servir o interesse partidário, as organizações devem ser lugares onde impera a liberdade de escolha, expressão e mesmo de associação. Porque razão um conjunto de militantes não pode criar estruturas dentro do próprio partido? 

No nosso país os partidos funcionam mal e teimam em continuar na mesma. Muito se fala na reforma das leis eleitorais, da constituição e até da democracia. No entanto, são poucos os que defendem mudança de mentalidades e organização dos partidos. Os que normalmente falam não têm a coragem política para mudar o actual estado das coisas. 

Este exemplo dado pelo PSD é péssimo e só vai criar mais um motivo de conflito interno, numa altura em que os sociais democratas precisam de união. Contudo, os seus dirigentes preferem arranjar mais uma forma de discriminação. Ainda por cima esta decisão carece, não só de legitimidade, mas também de legalidade. 

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