quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Pedro e Paulo, amigos por um dia

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas apareceram ontem pela primeira vez juntos nesta campanha eleitoral. O motivo da reunião foi apoiar Fernando Seara à Câmara Municipal de Lisboa. Mesmo que o candidato seja copiosamente derrotado, é importante ter o apoio dos dois líderes que suportam esta candidatura morta à nascença. Acredito que tanto Portas como Passos Coelho fariam o mesmo no Porto se Menezes fosse apoiado pelo CDS. Lisboa foi a razão para "mostrar" ao país que o Primeiro e Vice estão unidos e de boas relações. O que diz um nada tem a ver com o replica o outro, contudo é preciso aparentar solidariedade para que os mercados não obriguem Portugal a um segundo resgate. O mal estar entre os dois é evidente e não me venham dizer que é por causa de Maria Luís Albuquerque. O problema do relacionamento tem a ver com egos. Portas quer a todo o custo ser o protagonista que Coelho não deixa ser. No fundo, o líder do CDS quer mesmo ser Primeiro porque já não se contenta em ser apenas o segundo. 

Passos ao culpar Portas pelo inevitável segundo resgate está a colocar um ponto final nesta coligação. Não vai ser preciso chegarmos às propostas para o OE. No final da noite eleitoral veremos mais sinais de uma separação anunciada no princípio do verão. Cada um vai ler os resultados eleitorais da forma que lhe mais convém, sem se preocupar com o parceiro de coligação. Tendo em conta que o PS também vai obter uma vitória, é natural que Seguro queira abrir brechas entre os dois colegas de governo. 

PSD e CDS podem ganhar em câmaras municipais mas vão perder muitos votos. O problema será analisado a partir daí, tendo em vista as próximas europeias mas já apontando baterias para as legislativas, até porque dois anos em política é muito pouco e a crise continua a não mudar o sentido de voto. Tenho dúvidas que Passos e Portas consigam aturar as taras e manias que um e outro têm revelado ao país nestes dois anos e meio. Além do mais, o ego de um não é compatível com a incompetência do outro. No próximo ano, Cavaco vai ter que resolver o problema que deixou aos portugueses porque a oposição é ainda mais incompetente e gosta muito de se ver ao espelho. A única esperança do Presidente da República é se entretanto der alguém à Costa. Contudo, até que o futuro Presidente da Câmara da capital avance para o Rato, já Passos e Portas têm as costas com muitas cicatrizes resultantes das constantes facadas. Até lá o país vai pedindo por uma salvação.

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