domingo, 22 de setembro de 2013

Olhar a Semana - Para Francisco I todos são "filhos de Deus"

No princípio da semana abordei as declarações do Papa Francisco sobre a fé cristã. Fiquei surpreendido com o seu discurso sobre a abertura do céu aos não crentes. O seu gesto não é apenas pessoal mas também institucional. Na linha do que vem sendo a actuação de Giorgio Bergoglio, as suas palavras foram importantes para acolher outras pessoas mas também abrir as portas da Igreja Católica a outras religiões. 

Nesta semana, o Papa abordou a questão das uniões homossexuais e o aborto. Não disse se era contra ou a favor, no entanto deixou a porta aberta a todos os gays bem como aos que "pecam" fora do casamento, no fundo abordando o uso de contraceptivos. Bergoglio foi muito claro: a Igreja não tem nada a ver com a vida das pessoas e todos devem ser aceites pela Igreja. Estou com Francisco I nesta sua caminhada para chegar mais perto das pessoas. A acção progressista do Papa está-me a surpreender e penso que as novidades não vão ficar por aqui. Bergoglio é muito diferente de João Paulo II, porque consegue ir contra a doutrina principal da Igreja Católica. É possível que o actual sumo pontífice esteja a ir contra muitos interesses dentro do Vaticano, contudo a missão do Papa é preocupar-se com as pessoas. Nestes primeiros meses nota-se uma vontade enorme de fazer um corte com o passado recente e de pensar sobre algumas questões fundamentais para a existência humana. Francisco I aborda o lado humano da questão, não o fazendo nunca sob o ponto de vista institucional, que é como quem diz da Igreja. 

Ninguém pode ser rejeitado porque é gay ou "abortou". O pensamento humano não deve discriminar um homossexual ou alguém que faz sexo por puro prazer. O uso de contraceptivos deve ser encarado como uma coisa normal e não vejo porque razão a Igreja, nomeadamente Bento XVI condenou a utilização do método. O mais relevante é que a Igreja não se coloque num papel de "julgadora", e a partir daí seleccione aqueles que podem entrar em sua casa. Da mesma forma que os "não filhos de Deus" podem ser tratados como "filhos do nosso Senhor", porque a fé não é o mais importante mas a obediência à consciência. Francisco I está a colocar-se numa posição de humildade em relação ao funcionamento da própria Igreja. 

2 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Parece-me que este homem veio desinstalar a Igreja que estava fechada em dogmas e tabús ...
É tempo de saber ser cristão, servindo e partilhando sem deixar os mais pobres de lado.

Francisco Castelo Branco disse...

Concordo.

Bergoglio está a colocar o "sistema" da Igreja em causa.

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