Etiquetas

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Voltàmos à instabilidade da 1ª República

A instabilidade política, económica e social que se vive é muito parecida à que conduziu o nosso país ao Estado Novo. Os primeiros anos da jovem República não foram nada fáceis e durante quase 10 anos não houve governo que durasse mais de três anos, acompanhado de substituição repetitiva de governos que ora se constituíam, ou eram derrubados. Esta instabilidade deu origem a que se criasse um estado autoritário e repressivo para acalmar qualquer tentativa de perturbação social. 

Cem anos depois a situação que se vive é parecida. Desde 2001 até hoje já tivemos cinco PM´s e só conseguiu terminar o seu mandato, que foi José Sócrates de 2005 a 2009. Desde esse ano que nenhum governo dura mais de dois anos. Sócrates aguentou-se de 2009 a 2011 e Passos Coelho dificilmente irá passar 2013 em São Bento. Ao contrário do que sucedeu na 1ª República, a instabilidade da nossa democracia não inicia no seu começo mas numa idade já adulta. Era previsível que os primeiros anos do regime democrático fossem complicados, contudo a qualificação dos políticos e a entrega dos partidos para ajudar a acalmar a sociedade foram determinantes para estabilizar o regime novo. É verdade que houve um PREC, contudo com abertura foi possível chegar a bom porto, não esquecendo o papel que a entrada na União Europeia teve na estabilização política e social do país. 

Hoje as condições são totalmente diferentes. As mudanças de governo são uma constante, as ameaças de um futuro sombrio é cada vez maior e o pior de tudo é que nem os partidos conseguem resolver o problema que eles próprios criaram. São os próprios modelos partidários que estão esgotados e abandonados pelas pessoas que vão às urnas em menor número. Tal como acontecia há 100 anos atrás, as personalidades de hoje não têm qualidade para representarem o povo. Os Afonso Costa, Sidónio Pais de antigamente deram lugar aos Portas, aos Coelhos, Seguros e Sócrates da nossa praça. Gente sem qualificação técnica, sem actividade profissional e o mais grave de tudo, é que apesar da sua ascensão ao topo através das estruturas partidárias não têm o mínimo jeito para a política. Para além das questões de idoneidade que se levantam em muitos dos nossos representantes......Os jogos políticos, as intrigas partidárias e tudo o resto à volta dos partidos é bom para os comentadores mas é péssimo para o país. 

A realidade de hoje é esta, no entanto o futuro é uma grande incerteza. Não vamos voltar a ter de suportar um novo "salazarismo", contudo é bem possível que venhamos a ter de obedecer a um chefe único, esteja ele em Lisboa, Bruxerlas, Berlim ou Paris, a verdade é que este modelo está esgotado e não me parece que tenha pernas para andar porque seria preciso mudar muita coisa para que a estabilidade volte. Com o regresso do Deus único voltam a cair as liberdades individuais e colectivas para que a bem do interesse comum não se caia novamente no pântano social e político. 

Sem comentários:

Share Button