segunda-feira, 1 de julho de 2013

Os regimes e os rostos visíveis

Cada regime tem o seu rosto. Aquele que comanda é a figura principal de um regime, seja ele democrático ou não. As políticas adoptadas são o espelho da ideologia defendida por esse mesmo rosto. 

Normalmente o regime vigente confunde-se com o seu líder, porque é ele o "fundador", pelo que a existência do regime depende unicamente da sobrevivência política do líder. Os casos do Nazismo na Alemanha e do Estado em Portugal é um exemplo da validade do regime em função do rosto que o guia. A chamada Primavera Árabe que ocorreu entre 2011 e 2012 só ocorreu porque os regimes autoritários só vigoraram enquanto os respectivos líderes se iam perpetuando no poder. 

Não só nos regimes autoritários há um rosto visível, considerado quase um Deus supremo. Também nas monarquias havia o "Rei Sol", todo poderoso que comandava o regime a seu bel-prazer. 

Nas actuais democracias que o mundo ocidental conhece, não se pode dizer que há um rosto visível do regime, já que o poder não se centra exclusivamente numa pessoa. Contudo, esse "poder absoluto" depende da adoração que os representados têm em relação a um Primeiro Ministro ou a um Presidente da República.  Nesta questão é preciso ter em conta que tipo de poderes estão destinados aos chefes de Estado ou de Governo.  A influência que tem junto das pessoas é sempre determinado no sufrágio, ao contrário do que sucedia na maioria dos regimes europeus na primeira metade do século XX bem como em muitos países do Médio Oriente. 

A democracia não é o melhor exemplo para definir se um regime confunde-se com o rosto que o lidera, no entanto isso depende de muitos factores, como por exemplo a comunicação. Acho que Sócrates foi o único Primeiro-Ministro que conseguiu "secar" tudo à volta para que o centro das atenções fosse apenas e só a sua imagem. Nada mais era mais importante que a sua opinião, o seu discurso, a sua visão e tudo o mais que estivesse ligado a si próprio. Por isso não é de espantar que dois anos depois após a sua queda, o ex-PM ainda consegue convencer os portugueses que o PEC IV era a salvação que iria evitar o pedido de ajuda externa. 

Esta é uma grande virtude que muitos políticos têm e com isso "controlam" todos os meios para que a governação seja considerado um sucesso. É por estas razões que algumas pessoas, apesar da sua incompetência conseguem ter o poder de decidir. 

Não se pode negar esta realidade, hoje em dia mais importante que a competência é o poder que se vai construindo nos bastidores, tornando o regime acessível a poucas pessoas originando meios de repressão que no fundo, salvam a face de quem está no poder. 

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