domingo, 21 de julho de 2013

Olhar a Semana - Portugal é um Estado Selvagem

Cavaco falou ao país e decidiu manter o governo em funções. Fez bem já que a alternativa não era a melhor. Não percebo como é que o PS quer ir para o governo nestas condições e tem o descaramento de falar em alternativa à austeridade quando todos sabemos que neste momento não há outro caminho senão seguir a cartilha da troika.

A semana foi marcada pelas negociações tendo em vista o acordo tripartidário sugerido pelo PR. À boa maneira portuguesa, o mediatismo foi enorme mas o resultado zero. Como é natural nestas alturas, a principal mensagem que os intervenientes passaram foi de responsabilizar o outro pelo fracasso. A falta de propostas tendo em vista o crescimento do país e a atitude de queixinhas após uma derrota são duas características que os portugueses têm muito e que já está a passar para as entidades colectivas. Da semana que passou ficou a certeza que os nossos políticos são muito maus e os partidos necessitam urgentemente de uma reforma. 

Apesar do fracasso negocial foi uma semana divertida. No jogo entraram também BE e PCP que quiseram fazer uma coligação à esquerda, como se alguma vez o PS da forma que está organizada iria aceitar estas condições. Ora, os socialistas nem estão à esquerda nem à direita, estão ali no meio à espera de não sei o quê. Os socialistas têm o feito o seu jogo da forma a obterem um resultado positivo no próximo eleitoral que lhes dê a maioria absoluta necessária para governarem com tranquilidade. Para já estão a ir bem, no entanto podem muito bem queimar-se caso não obtenham um resultado esmagador nas autárquicas e não consigam conquistar a Câmara do Porto. Não é por acaso que no meio da confusão, Mário Soares mete-se ao barulho. Em primeiro lugar para prejudicar o governo e depois para queimar o seu rival Cavaco Silva. Não tenho dúvidas nenhumas que grande parte do PS não está minimamente interessado em ajudar o Governo, até porque Passos Coelho em 2011 tirou o tapete a Sócrates. Contudo, muitos socialistas não desejam governo neste momento, daí que a táctica seja desgastar a imagem do governo ao máximo para depois assaltar o poder. Não com António José Seguro como líder mas com outra figura, muito provavelmente António Costa, daí que a entrada de Mário Soares em cena não tenha sido por mero acaso. O Presidente da CML apresentou esta semana a sua candidatura, mas mais do que isso fez o seu manifesto eleitoral para o largo do Rato. 

Em minha opinião este governo dura apenas um ano. Tempo suficiente para mandar a troika embora, depois entra um novo governo seja ele de que partido fôr. Tenho convicção que iremos assistir a algo inédito no que à organização dos partidos diz respeito, ou seja, acho que pela primeira vez num ano os três partidos do arco governamental vão fazer história e mudar de líder quase em simultâneo, e já agora se BE e PCP fizessem o mesmo não era má ideia. 

A semana que passou mostra bem que Portugal vive num Estado Selvagem, isto para homenagear a visita do PR às ilhas. Penso que esta visita não foi de propósito, tendo sido mais uma provocação de Cavaco Silva. Porque ele é o único que sai bem na fotografia nesta confusão política que foi montada por Paulo Portas para ter mais poder. Com tudo isto que se passou, Cavaco Silva tem a faca e o queijo na mão e o protagonismo político todo em seu redor. Nada melhor para quem está de saída da cena política.....

3 comentários:

Observador disse...

"...não há outro caminho senão seguir a cartilha da troika"

Não há. O que há, e exige-se que seja posto em prática é a forma.

Que duvido seja conseguida pelo 'fica tudo na mesma'.
Que não vai ficar. Ou PSD (Passos Coelho) e CDS (Paulo Portas) juram fidelidade, ou continuaremos com o caldo cada vez mais entornado.

Francisco Castelo Branco disse...

a verdade é que a maioria vai ter novo episódio em breve. Cá para mim Cavaco deu uma moção de confiança ao governo até 2014. Depois logo se vê, ate porque ele avisou que tem os poderes constitucionais à sua disposição. Já que os partidos não resolveram a situação, resolve ele.

Francisco Castelo Branco disse...

até porque as crises políticas em Portugal acabam sempre assim: com a bomba atómica presidencial e não acredito que Cavaco não queira usar dessa possibilidade antes de se ir embora.

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