segunda-feira, 1 de julho de 2013

Gaspar, Swaps, Portas e o resto da história

Vítor Gaspar sai do governo após um enorme desgaste causado pela política de austeridade com que brindou os portugueses durante estes dois anos. A sua política fiscal redundou num imenso fracasso que deixou o país à beira de um segundo resgate. Além do mais vai ficar na história as tentativas do ex-Ministro em acertar as previsões económicas, coisa que nunca conseguiu fazer. Apesar do país não aguentar mais austeridade a verdade é que o Ministro sempre se orientou pela sua cabeça, o que não é condenável já que é conhecido a tendência para os Ministros das Finanças governarem consoante a vox populi. É de realçar a independência com que Gaspar conduziu a sua política financeira, ainda que com austeridade a mais e crescimento económico a menos. Há umas semanas, o Ministro avisou que tinha chegado uma nova fase no cumprimento do programa da troika, no entanto Gaspar não fará parte dela. A sua credibilidade internacional e nacional não pode ser colocada em causa, o problema é que Vítor Gaspar não se apercebeu do impacto das suas medidas junto dos portugueses. Tendo em conta que não veio das bases partidárias mas da Universidade, o ex-Ministro demorou a perceber aquilo que era óbvio. A sua preocupação estava relacionada apenas com o cumprimento do programa da troika custe o que custar, independentemente do impacto que as suas políticas teriam junto da população portuguesa. Por se tratar de um técnico e não de um político profissional, Gaspar levou a sua consciência até ao fim. Por isso é que se tramou e já não vai fazer parte da eventual mudança que todos esperamos mas que tarda em chegar. 

A saída de Gaspar é um alívio para os portugueses e uma vitória para a oposição, sindicatos mas também para o próprio Presidente da República que há muito vinha alertando o Ministro. Em meu entender Pedro Passos Coelho sai derrotado e mais fragilizado, porque a saída de Gaspar é o reconhecimento do falhanço da política assumida pelo governo mas também um sinal que algo irá mudar no futuro. Saindo Gaspar após a demissão de Relvas, o PM fica sozinho num governo dominado cada vez mais por Paulo Portas e o CDS. Portas é outro dos vencedores já que sem os dois homens mais importantes de Passos Coelho, passa a número 2 faltando pouco para chegar à sua cadeira de sonho. Nestes termos, Portas fica com margem de manobra para exigir a Passos Coelho o que bem entender e quando quiser. A partir deste momento, Passos Coelho fica refém de Portas até final da legislatura. 

Considero que Gaspar já não tinha mais margem de manobra. Sair agora ou depois das autárquicas era o mesmo para o governo mas não para o país, porque isso implicaria que o OE 2014 fosse desenhado por um Ministro cuja porta de saída estava mais do que aberta. No entanto, não faz sentido o governar nomear como Ministra das Finanças uma pessoa que está implicada no caso das SWAPS. O governo deveria aprender com a saída de Gaspar e não oferecer à oposição mais um motivo para contestação. 

3 comentários:

Fatyly disse...

Vitor Gaspar fez coisa boas e más/péssimas conforme ele já tinha assumido porque foi o rosto de "ir além das medidas da troika"! Nada que me tenha surpreendido.

O país estava e está cada vez mais falido, que se lixe a oposição, que se lixe a troika, mas ao invés sempre disse que era preciso "arrumar a casa" pelo desvario financeiro, não praticada pelo povo, mas por um bom punhado de corruptos de vários governos anteriores etc, etc., que nos levaram a este poço e eu que tento ser isenta (respeitando a nomeação feita pelo povo) grito tentando obter respostas, respostas que nunca tive nem das centenas de mails que enviei a todo o governo e até aqui, um local que sempre achei ser de debate:

- porque é que o actual executivo quis ir muito mais além do memorando da Troika tendo alterado o mesmo por sete vezes e medidas que esbarraram na Constituição?
- onde aplicaram o que já paguei e que me têm roubado, sim roubado depois de ter trabalhado quase 40 anos?
- assim sendo, claro que para sobreviver (o que já o fiz por diversas vezes na vida) tive que fazer cortes em muita coisa de forma a não sentir o roncar do estômago, e onde está o exemplo de quem nos governa quando vejo discursos entre manjares em jantares e almoçarada?
- os corruptos pagarão o que roubaram?
ETC, ETC, ETC.
- e chego a um cais que há anos cheguei e agora me fez atracar de novo o barco e ficar de boca aberta:

- neste país o CRIME COMPENSA, Maria Luis Albuquerque é a nomeada mas o que fez durante anos na REFER que tem um prejuizo de loucos?
- Caso das Sawps já saiu a investigação?

Enquanto trabalhei todos os que se viam envolvidos em "processos" eram de imediato suspensos até ao apuramento da VERDADE, mas a verdade de hoje é bem diferente, muito diferente.

Termino com outra pergunta: terá PPC levado nestes 8 meses "negas" de grandes "cabeças" que têm solução para tudo mas na hora fogem ou não ligou nenhuma e nomeou por nomear? e nisto tudo como ficará o PR?
Esta nomeação é completamente descabida para não dizer suicida!

Não sei se me fiz entender!

Observador disse...

Esta saída acontece numa altura pouco propícia a aventuras.

Dar, principalmente ao exterior, uma imagem de desorientação, é tudo o que não faz falta.

Francisco Castelo Branco disse...

Fatyly

Não condeno Gaspar por ter querido ir além da troika para arrumar a casa. O problema foi a sua insistência no erro, nomeadamente no aumento dos impostos. Gaspar não viu alternativa a este problema.

Observador

Passos Coelho tentou aguentá-lo ao máximo, e ainda para mais vem aí a 8ª avaliação da troika

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