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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dos cobardes não reza a história

A demissão de Paulo Portas do Governo significa a queda do mesmo. Apesar da tentativa de Passos Coelho tentar segurar as pontas ao não aceitar a demissão do MNE, a verdade é que o executivo entrou em coma, faltando apenas a sentença de Cavaco Silva para decretar a sua morte. Como o PR tem estado calado durante todo este tempo, ninguém sabe o que vai fazer Cavaco, contudo é de esperar que desta vez, e só mesmo desta vez faça alguma coisa, tome uma decisão seja ela qual for. 

Portas tanto ameaçou que roeu a corda no melhor momento político para ele mas no pior para o país. O líder do CDS sabendo da substituição de Vítor Gaspar quis arranjar um facto político para criar instabilidade e colocar as culpas no PSD. Além do mais, nota-se o descontentamento pelo facto do líder centrista não ter ficado com a pasta das finanças o que lhe daria carta branca para cumprir aquilo que vem defendendo há algum tempo. Na minha opinião esta demissão de Portas trata-se de uma encenação política para se vitimizar e culpar o parceiro de coligação. Lembram-se da famosa AD com Marcelo Rebelo de Sousa?  No próximo fim de semana veremos qual é o estado de espírito do ainda MNE. 

O líder centrista fez mal em demitir-se e abandonar o barco numa altura destas, no entanto esta é uma situação recorrente em Portas e só surpreende quem não está atento aos pormenores. Passos Coelho fez bem em não aceitar a demissão e obrigar Portas e o CDS a assumirem o compromisso de cumprirem o mandato pelo menos até à saída da troika. Aplaudo a coragem de Passos Coelho que não abandona o barco em situação díficil, como fizeram Guterres, Barroso e Sócrates. Para o PM seria fácil pedir a demissão e entregar a responsabilidade a outro, já que o próximo que vier vai durar pouco tempo. Mas não, Passos Coelho não só continua a dar a cara como obriga os outros a continuar o trabalho que está a meio e não pode de forma nenhuma ser travado por uma crise de egos ou birras de miúdos crescidos. 

Voltando a Portas, há quem diga que o líder centrista tem sete vidas, no entanto as suas fugas terão como consequência um resultado mau para o CDS. Como se explica que Portas se candidate a novo mandato no partido e se demita do governo logo a seguir? Para mim é claro como a água. Portas está novamente a brincar aos governos e a fazer uso de uma estratégia para roubar votos ao PSD e voltar a São Bento desta vez acompanhado pelo Partido Socialista. O que Portas não contava é que Passos Coelho lhe pregasse a partida de não ter aceite o pedido de demissão. E agora o que faz o líder do CDS?

5 comentários:

Fernando Vasconcelos disse...

Até posso concordar que não foi bonito porém um dos dois mentiu. Um mentiu quando disse que foi surpresa o outro mentiu quando disse que avisou. Independentemente disso a escolha do Passos Coelho é totalmente absurda politicamente. Não faz sentido nomear uma secretária de estado por melhor que seja. Além disso porque raio deixou chegar ao ponto da demissão. Porque não remodelou o governo e aí sim nesse modelo poderia até ter feito esta escolha? Desculpa-me Francisco mas mais uma vez o Passos Coelho voltou a não ter a mínima noção de que algumas decisões são inexplicáveis. E quando são inexplicáveis não podem ser boas.

Francisco Castelo Branco disse...

Esta decisão já estava tomada há algumas semanas, Vítor Gaspar não se demitiu de um dia para o outro. Cá para mim Porta quis a pasta das finanças e Passos não lhe deu.

Claro que um dos dois mentiu. Já sabemos a versão de Passos Coelho, esperamos pela história de Portas, mas tendo em conta o historial de um e de outro o detector de mentiras pende mais para o lado de Portas.

Politicamente a decisão de Passos Coelho pode ser discutível, contudo a acção de Portas é inqualificável e não tem sentido, já que estamos perante uma divergência politica e essas não têm de resultar sempre de demissão de um ministro, ainda para mais na situação em que vivemos e logo no dia seguinte à demissão de Vitor gaspar. Em meu entender este acto já estava na mente de Portas para que seja consagrado em congresso. Cá para mim está a a fazer filme... e no próximo domingo tudo muda...

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Fernando Vasconcelos disse...

Pois mas precisamente por isso Francisco. Há um duplo erro de Passos. Primeiro nunca deveria ter deixado que existisse uma demissão sobretudo se pretendia substituir pela secretária de estado. Uma substituição desse tipo para ser feita sem parecer o que pareceu tem que forçosamente parecer planeada até para dar peso a quem assume, coisa que assim ... Portanto se queria que fosse esta a substituta fazia-o com uma remodelação possivelmente negociando algumas coisas com o Portas. nesta forma e feito assim não pode escolher uma secretária de estado. Não pode. Por melhor que seja. É uma mensagem que na melhor das hipóteses é simples teimosia não é persistência. É autismo passe a expressão. Quanto à atitude do Paulo Portas pois tudo depende. Se realmente ele avisou que o faria ... senão ... concordo que o historial não o beneficia (a ele Portas) em termos de credibilidade nesse ponto.

Fernando Vasconcelos disse...

Ah e já agora se o Paulo Portas e o CDS queriam a pasta das finanças acho que seria justo que lha dessem. Afinal de contas se acreditam que têm a solução ... tendo em conta que o PSD já tentou durante 2 anos com os resultados que se vêm e sendo o CDS parceiro de coligação e logo em teoria de confiança, acho justo. E mais do que justo era um acto sinceramente correcto. Ou isso ou Macedo por exemplo.

Francisco Castelo Branco disse...

deixar a pasta das finanças nas mãos do CDS é suicídio político. é dar a portas a condução da política do governo.

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