sexta-feira, 5 de julho de 2013

A única solução é a salvação nacional

Depois da birra de Portas e da intransigência de Passos Coelho, o futuro do país está nas mãos de Cavaco Silva. Desta vez o Presidente tem de tomar uma atitude e não se ficar pelos pensamentos e indecisões que têm sido constantes ao longo deste segundo mandato. 
Tenho a plena convicção que Cavaco não quer Seguro em São Bento, pelo que evitará a todo o custo convocar eleições antecipadas, ou então quebra uma regra democrática e não escolhe o líder do partido mais votado para PM. 
A continuação deste governo depende da presença de Portas no mesmo, pelo que é o líder do CDS que tem a chave para abrir a cabeça de Cavaco. Sem Portas no executivo só há uma solução para que não haja nova traição: que os centristas tenham a coragem de colocar o seu líder fora do partido o quanto antes. Apesar de algumas movimentações internas, duvido que consigam afastar o ainda líder pelo menos até à saída da troika. Não vale a pena especular porque até 2014 Portas e Passos vão-se manter como respectivos líderes de CDS e PSD caso não haja eleições, contudo um novo acto eleitoral a ser realizado antes do verão do próximo ano era pouco tempo para que estes dois partidos substituíssem os actuais líderes por alguém capaz de ganhar as eleições ao PS de António Seguro. Mesmo com a popularidade em baixo, o secretário geral socialista venceria a qualquer entrada recente nos partidos da direita. 

A intenção de Cavaco é clara. Para além de não querer este PS no governo, pelo menos de forma solitária e com a ameaça da entrada da esquerda, o Presidente fará tudo o que estiver ao seu alcance para levar este governo até à saída da troika que acontecerá em 2014. Depois era natural que se realizassem eleições para resolver o conflito mas para ter um governo sólido que iniciasse o caminho da recuperação. Uma coisa é certa, vamos ter eleições ou já este ano ou em Setembro de 2014, nunca este executivo aguenta até 2015. Se Portas e Passos não chegarem a um acordo, o mais natural é que seja o Presidente a escolher um governo de salvação nacional até à saída da troika, à semelhança do que aconteceu com Itália. No entanto, a personalidade indicada por Cavaco sairá da Assembleia da República e terá o apoio de todos os partidos governamentais. Manter-se-ão alguns ministros que têm feito um bom trabalho como Paulo Macedo, Miguel Macedo, Assunção Cristas, Pedro Mota Soares e Nuno Crato, contudo haverá alterações na liderança do governo bem como nas pastas das finanças e economia. O problema deste governo tem a ver com a liderança e com a política fiscal que está a ser orientada e não com a qualidade de alguns ministros que até estão afastados das guerras partidárias. Por isto o PR terá de chamar alguém que reúna consenso entre os três maiores partidos do "arco" governamental e que tenha capacidade de liderança e política para durante um ano estabilizar o país nas suas várias vertentes. 

Com esta solução, PSD e CDS terão tempo para se organizar internamente e disputar eleições legislativas em plano de igualdade com o PS, e o próprio António Costa poderia preparar o assalto ao Largo do Rato,  caminhando desta forma para a estabilidade. Convocar eleições antecipadas, formar um novo governo que não terá maioria absoluta era desperdiçar o trabalho feito até aqui e que só foi estragado por divergências pessoais. Ao contrário do que tem acontecido com os seus líderes, os grupos parlamentares do PSD e CDS têm tido um comportamento exemplar e muito responsável, mostrando uma imagem de união dentro do Parlamento que é bem real. Perante isto, não será pelas bancadas que suportam o governo que este irá cair. E para não deitar todo o trabalho que a Assembleia da República tem realizado em prol do país, a melhor solução seria juntar PS, PSD e CDS num único governo liderado por um PM escolhido pelo PR mas que estivesse sentado na AR. 

Esse seria talvez o maior problema de Cavaco Silva. 

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