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terça-feira, 2 de julho de 2013

A esquerda quer um novo partido ou um novo PS?

Nos últimos tempos muito se tem falado sobre a possibilidade de nascer um novo partido à esquerda. Os partidos tradicionais como PS, PCP e BE não preenchem o campo ideológico que lhes está destinado, por razões distintas. O PCP é um velho partido que sobe e desce em cada acto eleitoral mantendo o discurso de há 40 anos atrás. Até a forma de votação dentro da estrutura continua a mesma.......
O BE perdeu o seu líder carismático e hoje está entregue a uma solução bicéfalo. Normalmente as lideranças partilhadas acabam mal. Ou os dois zangam-se e vai cada um para seu lado acabando por partir o partido ao meio, ou então está para aparecer um novo líder com mais carisma, sendo que João Semedo e Catarina Martins estão apenas a tratar da transição. No entanto a solução do BE pode significar o fim do partido, isto porque à falta de um bom líder escolhem-se dois medianos. 

O futuro do BE ainda é mais incerto do que o do PCP porque os bloquistas não fizeram o percurso desde o 25 de Abril e corre o risco de ser um fenómeno raro se não mudar de liderança ou se porventura esse novo partido venha mesmo a nascer. Estou convencido que algumas pessoas estão fartas do BE e pretendem criar uma alternativa democrática mais forte, que possa inclusive ser uma solução governativa no futuro, coligado com o PS. O grande problema do BE é este. O partido não serve os interesses no PS numa eventual coligação. E os socialistas necessitam de alguém que lhes dê a mão, da mesma forma que o CDS sempre ajudou o PSD. 

Mas é no PS que está o problema central. Os socialistas há muito que se estão afastar dos valores que marcaram a sua história, sobretudo no período 25 de Abril e com Mário Soares ao leme. O PS tem virado um pouco à direita e a isso não é alheio o facto de Sócrates ter vindo da JSD. O ex-PM já não é líder do PS mas os últimos 6 anos de governação socialista mais parecia um governo de direita, já que foram os mais desprotegidos que sofreram com a austeridade e desgoverno socialista. Guterres foi o último líder socialista que estava mais à esquerda. Tanto Sócrates como Seguro não são líderes que se possa dizer de "esquerda".  

Perante o exposto não é admirar que tenha sido Mário Soares o responsável pelos movimentos de esquerda contra as políticas do governo, e a ausência de figuras do PS revela bem o estado em que o partido está, pelo menos no campo ideológico. A esquerda precisa de um novo PS e não de um novo partido, já que não há espaço para mais partidos, não só com capacidade para entrar no "arco" parlamentar mas que sejam uma opção de governo em caso de coligação. Falta à esquerda, o que a Direita tem. No entanto, o necessário é uma transformação radical do Partido Socialista e dos seus valores.  

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