quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um governo, dois primeiro-ministros

Passos Coelho contraria a vontade de Paulo Portas e anuncia em pleno Parlamento que não há margem para reduzir os impostos em 2014. Palavra de PM é para respeitar, contudo está aberto mais um conflito dentro da coligação que tem vindo a aguentar-se firmemente desde 2011. Não sei quem tem o ego mais alto, contudo esta guerra CDS-PSD parece feita à medida dos seus líderes. Ora é Passos Coelho quem provoca, ou cabe ao líder do CDS arranjar um tema para colocar entre a espada e a parede o PM. 

Ao haver divergências entre os líderes dos dois partidos, é natural que as duas bancadas parlamentares tenham a mesma vontade de belicismo político existente no seio do Conselho de Ministros. Desde o início da legislatura que são vários casos em que CDS e o PSD estiveram em desacordo, bem como os seus líderes que por acaso coabitam no mesmo governo. O problema é que Portas quer ser Passos Coelho, e o Primeiro-Ministro não dá importância ao seu Ministro, preferindo Vítor Gaspar como aliado das suas lutas. 

O cenário é este: A coligação vai sofrer uma pesada derrota nas autárquicas, sendo que após o desaire é necessário tomar alguma medida em termos orçamentais, daí que Portas tenha lançado a proposta já a pensar no resultado eleitoral. Se a porta para reduzir o IRS estiver fechada, não tenho dúvidas nenhumas que Portas bate com a porta, até porque pressionado pela oposição vai ser obrigado a fazer alguma coisa. Quem ganha com este desentendimento?

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