terça-feira, 4 de junho de 2013

Porque não se cala Mário Soares?

Mário Soares continua um político activo bastante influente. A sua intervenção no congresso das esquerdas foi notável e teve um enorme brilhantismo. A sua força mental e física para continuar a batalha política é respeitável e merece o nosso aplauso. Nota-se que falta um grande líder na esquerda portuguesa. Na Direita também, mas a esquerda em Portugal habituou-nos a que tivesse um rosto único. Cunhal, Soares, Guterres, Carvalhas, Francisco Louçã e mais recentemente José Sócrates foram os grandes líderes que representaram a esquerda no nosso país. Apesar de no círculo parlamentar existirem 3 partidos de esquerda contra apenas dois de direita, só uma grande figura consegue levar o PS ao poder e com isso arrastar os outros dois partidos. 

Nem António José Seguro, nem Jerónimo de Sousa nem a dupla Catarina Martins/João Semedo têm a importância que Sócrates, Carvalhas e Louçã tiveram nos respectivos partidos. Mário Soares continua a ser o grande líder histórico socialista mas representa também aquilo que todos os socialistas desejam: voltar a ter um secretário geral com carisma. Não é à toa que Sócrates regressou e tem um comentário televisivo e Soares é o protagonista das iniciativas anti-governo. E é lamentável que o PS tenha feito notar a sua ausência. 

Percebo a intenção de Soares, já que ele sente o PS a perder peso na sociedade portuguesa. Não direi que se trata do partido mas da falta de garra política com que os seus responsáveis têm feito o combate ao governo. Normalmente quando o PS está na oposição faz um discurso mas virado para as pessoas e não tanto contra o executivo. Em minha opinião, António José Seguro tem optado por um combate de crítica constante, roçando a demagogia. Daí que a entrada em cena de Mário Soares é importante para que haja um regresso ao passado no que diz respeito a valores e ideologias defendidas pelos socialistas. 

1 comentário:

Observador disse...

Soares está, aos 88 anos, em grande forma.
Quer ser, e está a conseguir, o líder de uma esquerda que tarda em afirmar-se.
Seguro não tem pedalada. Carvalhas dá foi e Louçã está por fora, ainda que aparentemente.
Sócrates - aqui vai uma das minhas - pode substitui Barroso em Bruxelas.
O homem não dorme nem brinca em serviço.

É fundamental, para a esquerda portuguesa - e aqui reitero a minha ideia de continuar sem perceber a diferença entre esquerda e direita - ter alguém que segure nas rédeas de uma luta contra a direita.

Dará resultado? Se não der por mérito desta pretensa nova esquerda, poderá dar por demérito da teimosa direita que não governa nem sai de cima.

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