domingo, 23 de junho de 2013

Olhar a Semana - O exemplo dado pelos brasileiros

A semana que agora termina ficou marcada pelos protestos no Brasil. Há poucas semanas acompanhámos a  revolta na Turquia, desta foi a vez do Brasil sair à rua. 
O que temos de aprender com os protestos na Turquia e no Brasil? É muito fácil: para mim a democracia está a ser colocada em causa nestes dois países mas não só. Há muito que a Europa vive o mesmo problema e os resultados eleitorais de Grécia e Itália provam isso mesmo. Em Portugal, o facto do partido alternativo ao actual governo não conseguir uma maioria absoluta numa eventual antecipação das eleições, reflecte o estado de espírito em que nos encontramos. 

Apesar do protesto ter sido programado para calhar numa altura em que a Taça das Confederações teve o seu início, os olhos do Mundo não podiam deixar de estar no Brasil. A razão para o descontentamento é simples: a prioridade tem de ser as pessoas e o seu bem estar. Parece que os governos de hoje esqueceram a razão porque foram eleitos e por quem foram escolhidos. Considero que governar para as pessoas já faz parte do passado e hoje há outros interesses que dominam a agenda política. O caso do Brasil é notório porque tem semelhanças em relação a Portugal. Dos 10 estádios construídos para o Euro 2004 apenas 5 têm lotação esgotada todos os fins de semana, sendo que dois estão parados o ano inteiro. O Brasil tem um problema grave de desigualdade social que não foi resolvida com o boom económico e que pode agravar-se  após terminar o Mundial 2014. Ou seja, após 2014 podemos assistir a uma recessão. Tudo por culpa de uma bola de futebol....

Neste contexto é irracional falarmos em Direita e Esquerda, porque todos governam num sentido único. Nem os partidos ditos mais à esquerda estão mais preocupados com os problemas sociais, exemplo disto é o da França em que a eleição de Hollande não trouxe nada de vantajoso para aqueles que votaram no actual Presidente. 

Em minha opinião os brasileiros deram uma grande lição a Portugal mas ao mundo inteiro. Não é por acaso que este tipo de acontecimentos tendem a aumentar e isso está relacionado com o conflito de interesses e tráfico de influências a que os governos cada vez mais submetem os governos. 

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