quinta-feira, 13 de junho de 2013

O uso (pouco) inteligente do poder

Ao longo de 40 anos de democracia, temos assistido a constantes braços de ferro entre poder político e sindicatos. A história  não pode ser contada sem a presença dos sindicatos, defensores dos direitos dos trabalhadores e parte importante na construção de uma sociedade justa e igualitária. Para evitar abusos do poder executivo é necessário a intervenção dos representantes dos trabalhadores, mas não só. Ter um hoje um sindicato representa a defesa dos direitos não só perante o poder público mas essencialmente em relação às empresas. Considero importante a existência de sindicatos para ser uma voz competente e responsável mas também para fazer frente a alguns "abusos" que venham a ser cometidos. 

Contudo, há o outro lado da moeda.

A importância e o protagonismo dos sindicatos tem crescido em Portugal. Ao contrário do que seria de esperar, visto que o que se pretende é caminhar para uma sociedade igualitária, justa e onde os direitos sejam cada vez mais respeitados; nota-se uma intervenção excessiva por parte das forças sindicais na vida colectiva do país. Um dos factores que contribuiu para este supra-protagonismo está relacionado com a perpetuação no poder das mesmas figuras, além da falta de qualidade técnica de muitos dos seus representantes. A figura de Mário Nogueira à frente da FENPROF é paradigmático do que acabo de escrever. A sua intervenção tem-se vindo a degradar ao longo do tempo por isso é que não me espanta esta medida da mais recente greve dos professores. Quanto mais tempo se está no poder, maior é a tendência para a irracionalidade dos actos. No que toca à falta de qualidade técnica, as lideranças de Arménio Carlos e do novo secretário geral da UGT dizem tudo. Se são estes os representantes sindicais do nosso país, qualquer governo em Portugal pode dormir descansado. 

Para além das razões apontadas, há uma terceira, mas que é a mais relevante: O sindicalismo em Portugal está falido porque nenhum governo ou Ministro caiu ou irá cair devido a uma greve ou a uma manifestação. A única situação que esteve perto do referido foi aquando do encerramento de algumas urgências, o que levou o Ministro Correia de Campos a ter que apresentar a sua demissão. Apesar das políticas governativas não surtirem efeito, as acções sindicais revelam falta de fundamento para fazer cair o que quer que seja. Eu acho impressionante como é que num país onde os governos são fortemente contestados, os dirigentes sindicais não pensam numa estratégia inteligente para ganhar a sua causa. Se os governos estão fracos perante a opinião pública e os sindicatos não aproveitam essa debilidade é porque as suas acções são realizadas com base na pura demagogia política. 

Por todos estes motivos, hoje as greves gerais têm cada vez menos adesão e não há consequências políticas a retirar das acções planeadas. Apesar de mediáticas do ponto de vista televisivo, as grandes manifestações já não colocam em causa os governantes. Com esta greve idiota, os sindicatos estão a colocar o país contra si mesmos, além de estarem a prejudicar muitos professores, porque muitos alunos e pais vão pedir satisfação não ao governo mas aos professores, que actuam muito por força da vontade sindical e não por acreditarem naquilo que estão a defender. Tenho a certeza que muitos professores não concordam com esta greve mas a pressão do sindicato ainda é significativa. Contudo, felizmente que esta situação tende a diminuir e que os próprios sindicandos sejam cada vez mais livres. Esta situação nota-se muito nas greves gerais, onde há trabalhadores a furar o piquete de greve. 

Concluindo, o uso do poder deve ser usado de forma inteligente para surtir efeito. Tem acontecido que os sindicatos estão a ser pouco inteligentes na forma como querem alcançar determinado direito, pelas razões que atrás enumerei. Quem fica a perder com esta situação é o país e não são os alunos ou quem diariamente viaja de metro ou comboio, pelo simples facto que quem tem a responsabilidade de defender os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores não está à altura dos acontecimentos, ficamos vulneráveis a qualquer tipo de abuso decorrente desse poder. 

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