terça-feira, 4 de junho de 2013

Cavaco já não é o Presidente de todos os portugueses

É comum afirmar que o chefe de Estado é o Presidente de todos os portugueses. Esta frase vale para qualquer Presidente da República independentemente da sua cor partidário. É um facto notório que o PR tem sempre o carinho do povo, ao contrário do que acontece com os PM, já que a popularidade deles começa a cair no dia a seguir à sua tomada de posse. Lembro-me muito bem da assobiadela que Guterres levou no Pavilhão Atlântico no Masters de Ténis bem como da humilhação que Durão Barroso teve de enfrentar na inauguração do novo estádio da Luz em 2003. 

Cavaco Silva tem vindo a perder o carinho que os portugueses têm por qualquer Presidente da República. Tendo em conta que o PR não tem funções executivas nem legislativa acaba por ser natural a relação estabelecida entre povo e Presidente. O que é um dado adquirido, para Cavaco já não é bem assim. O PR está a perder popularidade e respeito junto das pessoas. O facto de não fazer nada em relação à crise governativa bem como o apoio dado a este executivo tem merecido alguma contestação. Ainda que seja tímida, alguns protestas que visam o PR não são normais nem um bom sinal para os últimos três de mandato de Cavaco. O actual PR já aceitou um pedido de demissão de Sócrates, pelo que é natural que não queira forçar Passos Coelho a seguir o mesmo caminho. Isso mancharia claramente o segundo mandato de Cavaco que ficaria marcado pela antecipação de duas eleições legislativas. Compreende-se a posição do PR mas o povo não gosta do seu silêncio nem da sua hesitação. A única esperança que as pessoas têm é a decisão de Cavaco, seja ela boa ou má, o que todos estão à espera é que o Presidente faça algo e não se limite a mandar pistas para que os comentadores façam o trabalho de explicar às pessoas o que vai na mente do PR. 

Exige-se ao PR acção e não omissão. Com tudo o que se tem passado com Cavaco podemos chegar ao ponto de ser ele próprio a pedir antecipação das eleições presidenciais, o que seria inédito. Nesta altura talvez fosse esse o melhor caminho.

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