segunda-feira, 10 de junho de 2013

As cerimónias pouco populares

Como é habitual nestes dias festivas, o PR faz um discurso à Nação. O PR tem a oportunidade de dizer o que lhe vai na alma, depois de tantos meses em silêncio. No fundo, quando se critica o silêncio do PR estamos a ser hipócritas já que Cavaco Silva não tem poupado nas palavras nas cerimónias oficiais. Pelo menos no dia 5 de Outubro, 25 de Abril ou 10 de Junho, o PR tem sempre algo a dizer. 

Considero que estes discursos e as cerimónias oficiais já perderam o peso de antigamente. Há muito que as comemorações deixaram de estar acessíveis ao povo, pelo que estar numa sala fechada a vociferar palavras bonitas mais parece um jantar de campanha. Tendo em conta que a relação entre povo e políticos está numa fase de desprezo, é natural que os políticos se queiram resguardar de todo e qualquer tipo de protesto. Acho mal esta situação, já que o poder tem de enfrentar a rua, mesmo que esta esteja em desacordo. O protesto faz parte da democracia e quem não aceita isso está a contornar as regras do jogo. Se o poder fica fechado em si mesmo, não há maneira de medir a satisfação das pessoas, e sem isso não haverá uma alteração das políticas definidas. Obviamente que as questões de segurança são importantes, mas os políticos não podem ter medo do protesto nem da indignação, desde que esta seja pacífica. 

Ao tornar os actos oficiais meras celebrações políticas, não haverá ninguém que considere importante estas cerimónias, pelo que o que for dito não terá o resultado pretendido, ou seja atingir o maior número de pessoas. No fundo chegar ao público. 

Não sei o que Cavaco disse na cerimónia do 10 de Junho. A única coisa que sei é que as pessoas estão descontentes e nem PR escapa à indignação. Em meu entender é o PR que não quer dar a cara e tem ele mesmo de enfrentar uma situação que seria inédito em Portugal. 

2 comentários:

João Menéres disse...

Gostei do que li e concordo inteiramente com as suas observações !

Um abraço.

Fatyly disse...

Também concordo mas ainda fico mais piursa com tantos salameques oficiosos com gastos acrescidos e pagos por todos nós, afinal há dinheiro para muito mais.

Triste, muito triste ver e sentir que o país que me acolheu está a ser vendido a retalho e mergulhado numa depressão, sim depressão... nunca vista.

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