Etiquetas

terça-feira, 28 de maio de 2013

Ainda não percebi qual a posição de Cavaco

Muito se tem escrito e falado sob a posição de Cavaco Silva na gestão desta crise. Sob o Presidente da República recai as esperanças da esquerda para que haja futuras eleições, enquanto que a Direita espera uma atitude de Estado do actual Presidente. 

Cavaco Silva está literalmente no meio das duas facções, em primeiro lugar ao não dizer rigorosamente nada e em segundo ao mandar bocas para o governo. Se a primeira atitude revela uma posição mais concertante com a direita, já a segunda tomada de opção está mais perto da esquerda. É esta sua posição ambígua que tem merecido as críticas, ou seja, Cavaco não faz nada, enquanto que o país vai mergulhando na indefinição, já que a crise se vai acentuando, mas alguns parecem dar esperança. Mesmo no seu discurso, Cavaco não é esclarecedor. Tanto elogia o governo como o critica. Parece que o PR quer ser o elemento neutral no meio da crise política, já que, embora seja verdade que a coligação funciona mal, é também um facto que a esquerda não tem soluções políticas que assegurem a estabilidade do país. Por tudo isto, Cavaco vai adiando a sua decisão, embora na cabeça já saiba o que fazer. Numa coisa eu estou de acordo com o Presidente: não se pode abrir um crise política, ainda para mais quando já se fala em pós troika. 

Cavaco Silva só não faz o mesmo que Jorge Sampaio fez em relação a Guterres, porque Seguro é menos competente que Durão Barroso. Este factor foi suficiente para que o PR não aceitasse o suposto pedido de demissão de Passos Coelho, no entanto se o PM não aguenta o barco porque razão há-de continuar a fazer o frete? Além do mais, não acredito que as autárquicas sejam motivo para que o governo se demita. 

O PR também não pode optar pela via mais fácil: nomear um PM e um novo governo. Apesar das possibilidades constitucionais, isso iria criar um sentimento de revolta na esquerda que anseia por eleições o mais rapidamente possível. 

Como se pode ler, Cavaco tem aqui muitas opções, mas várias condicionantes. No entanto, nunca como agora a voz presidencial era muito importante para acalmar as pessoas, mesmo que isso colidisse com as funções de outros orgãos de soberania, mas tendo em conta que ninguém confia no governo nem nas alternativas que a actual Assembleia de República nos fornece, era tempo de Cavaco ter a iniciativa, de pelo menos, dar esperança aos portugueses. 


Sem comentários:

Share Button