segunda-feira, 29 de abril de 2013

Seguro até ver

O congresso do PS foi, como seria de esperar, um passeio para Seguro. Como é normal quando o governo está preso por um fio, a oposição está unida em torno do seu líder. O secretário geral é hoje um homem confiante e dominante, tem as bases controladas e os militantes de peso hipnotizados. Apesar da concorrência de Sócrates, Seguro manteve o PS unido e focado no objectivo de regressar ao poder. A pressão para o PR demitir o governo e convocar eleições tem sido constante e só acabará quando Cavaco Silva ceder âs intenções socialistas. 

O governo sabe que não poderá contar com o PS daqui para a frente, independentemente do caminho que vier a prosseguir. Os socialistas estão com fome de poder e não será a "estabilidade política" que os farão mudar de ideias. O PS sabe que quando for governo vai ter que cumprir as metas estabelecidas pela troika, contudo o discurso tem de ser radicalmente ao do executivo. O PS só tem um problema: como vai governar se não tiver maioria absoluta? Unir-se-à à esquerda? chama Paulo Portas ou segue o seu caminho sozinho? Não estou a ver o PSD ter uma atitude de "união" quando for oposição.

O conclave socialista correu bem ao líder mas tudo pode mudar após as autárquicas, da mesma forma que de Janeiro a Abril os ventos lhe foram favoráveis. Agora que o poder se aproxima é natural que todos estejam do lado de Seguro, mas isso nem sempre vai ser assim e se daqui a um ano a troika sair do país, acho que vai ser preciso mais um congresso para resolver a questão da liderança. 

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