quarta-feira, 17 de abril de 2013

Quem tomou a iniciativa para a realização do tête-à-tête entre Passos Coelho e Seguro?


Pedro Passos Coelho convidou António José Seguro para um encontro a dois, um tête-à-tête que pretende trazer o líder da oposição, e o partido a que este preside, para o grande consenso nacional que se julga necessário para tomar as medidas drásticas que, supostamente, o chumbo do Tribunal Constitucional a algumas normas do Orçamento impõe.
Isto é o que podemos ler na imprensa, é o que nos foi oficialmente comunicado.
Mas terá sido efectivamente assim tão linear e tão simples?
Não creio.
Pedro Passos Coelho convida António José Seguro, eles que têm uma relação no mínimo tumultuosa, para um encontro a dois porquê?
Desde logo, há que perceber que o Pedro Passos Coelho que convida António José Seguro, é o Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal.
Porque se fosse o Pedro Passos Coelho, líder do maior partido da coligação governamental, teria que estar presente nesse encontro o líder do outro partido da coligação, Paulo Portas.
Não o Paulo Portas ministro, o Paulo Portas líder do CDS/PP.
Trata-se, portanto, de um encontro formal entre o líder do governo e o líder da oposição numa altura que o país está confrontado com tantos problemas que é tarefa complicada elencá-los na sua totalidade.
Nesse contexto, dois inimigos figadais têm que se encontrar para tomar um chá amargo.
A primeira pressão nesse sentido partiu, discretamente, do Presidente da República.
Como se esperava, teve pouca ou nenhuma receptividade da parte de ambos.
Em seguida, e atento o mutismo de ambos, veio a ordem.
Esta foi dada de modo bem audível pela omnipresente troika.
A mesma troika que se reunirá com António José Seguro amanhã.
Como poderia António José Seguro apresentar-se com alguma credibilidade perante os representantes da troika se recusasse o convite que lhe foi dirigido pelo primeiro-ministro?
E como poderia o primeiro-ministro ter alguma margem de negociação com a troika se não recebesse o líder da oposição?
A teimosia de um e outro, o profundo desprezo que sentem um pelo outro, tiveram que ser colocados na sombra perante a lei do mais forte.
É bom sempre lembrar a sabedoria milenar de Sun Tzu (A Arte da Guerra) - "estuda o teu inimigo; se o teu inimigo é mais forte, evita-o, evita a confrontação".
E, em bom rigor, o que é que podem os dois protagonistas perder com este encontro?
Pedro Passos Coelho poderá (deverá)  dizer que estendeu a mão ao inimigo apenas para este a recusar.
António José Seguro poderá (deverá) dizer que tentou uma aproximação ao líder do governo mas que este se mostrou intransigente e irredutível nas suas políticas inviabilizando qualquer margem de acordo possível.
Com esta postura, um e outro ganham espaço, ganham tempo, podem apresentar-se como vítimas da teimosia do parceiro.
Perante a troika e os portugueses.
E pensam que poderão capitalizar essa vitimização a seu favor já com as eleições - as autárquicas e as europeias -  no horizonte.
O que é que espero do tête-à-tête entre Pedro Passos Coelho e António José Seguro que a troika forçou?
Em bom rigor, rien de rien!
Ou, na língua de Shakespeare, o célebre same same but different.

10 comentários:

São disse...

Concordo e todo com a sua análise.

Acresecento só que Passos Coelho conseguiu uma coisa inaudita: ter tudo na mão e arruinar todas as pontes com toda a gente.

Só esse facto demonstra a sua arrogãncia e impreparação .

O PS fará muito bem em não alinhar neste jogo de falsidades neste momento, pois fari o papel de idiota útil.

desejo um bom dia.

Fatyly disse...

Tal e qual Pedro. PPC obstinado como é e convencido que tem o rei na barriga. Teve que fazer coligação com PP, ao qual, segundo também sei apenas pela imprensa, pouco ou nada o tem consultado o PS votando-o ao maior desprezo com ataques atrás de ataques e mais parece um menino queque que quer sempre a bola e não joga em equipe. Depois são as malditas eleições cujas campanhas começam mal acabam umas e num post mais abaixo até deixei uma pergunta ao FCB que não me deu qualquer resposta.

Para mim esta reunião foi mais exigida pela Troika e não iniciativa do PR e muito menos de PPC cuja carta que escreveu...é tudo e não é nada...só mesmo para inglês ver.

Já agora diz-me se estarei errada:
PPC elegeu 3 juizes para o TC, claroooo do PSD julgando que Gaspar poderia repetir a "cena dramática do inconstitucionalidade" e foi com os votos destes que a "coisa" foi chumbada. Estranho muito agora o seu pedido de demissão, eleitos e já estão de saída?
O PR não deveria ter adiado o passeio à Colômbia numa altura destas?
Depois o que farias tu se fosses desprezado, não te quisessem ouvir, ouvir um não a tudo, ataques sobre ataques, aceitarias de bom grado uma reunião quando o circo pegou fogo? Quando o memorando assinado foi alterado 7 vezes à tua revelia? Carta escrita à Troika sem dar cavaco a ninguém?

A subserviência deste governo à Troika é de bradar aos ceús...querem lá saber do povo, ou melhor preferiam que morressem todos e assim haveria mais dinheiro, dois anos de governação e afinal para onde foi o que me "roubaram"?

É triste ter de pagar pelo que não fiz. É triste ver a fome, desemprego, desespero...enquanto outros brincam com os mil milhões e milhões de euros.

Se eu pudesse já tinha ido embora, mas já faço parte dos que são para abater: os reformados!!!!!!

Desculpa amigo, beijos e extensíveis aos teus

Ricardo Meneses disse...

Entretanto, um velho caquéctico, na selva colombiana diz-se muito feliz com este tête-a-tête!

Efeitos poderosos das ganzas que por lá anda a fumar!!!

Abraço, Pedro!

Pedro Coimbra disse...

Mas o PS tem que estar nesta reunião, São.
Se não estivesse, amanhã levava tau-tau da troika.
E interessa-lhe estar para mostrar que está a colaborar.
Em boa verdade, não está.
São os dois grandes inimigos políticos e teimosos como burros.
Mas há que alinhar na encenação.
Noblesse oblige.


Fatyly,
Mas o Seguro, e a assombração Sócrates, não são menos teimosos que o PPC.
O cheiro é que é diferente, se me faço entender.
Esta reunião é uma imposição da troika.
Mas não servirá para nada, não vai sair dali nada.
O CDS, no meio disto tudo, vai vendo no que param as modas.
E, meia volta volta e meia, lá aprece um líder do partido a mandar umas bocas.
Pires de Lima foi o exemplo mais recente.
No meio de todo este imbróglio o que se constata é que quem efectivamente mexe os cordelinhos é essa entidade estranha chamada troika.
O resto é conversa para encher chouriços!
Beijos


Ricardo,
Será que o nosso PR tem a ilusão que esta reunião, este encontro para o café, foi uma resposta ao repto que ele lançou?
Se tem essa ilusão anda mesmo a fumar umas ganzas bem fortes!!
Aquele abraço!

Francisco Castelo Branco disse...

Cara São

é raro ver governo e lider da oposição juntos. Mérito de PPC que se tem portado de forma exemplar, ao contrário de seguro que há falta de alternativas só sabe criticar

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Tenho outra visão do problema, Pedro.
Passos Coelho foi obrigado pela troika a convocar Coelho e ponto final. Ele não tem qq ideia de fazer cedências e, last but not the least, eles não são inimigos. Trata-se apenas de arrufo...

ematejoca disse...

Concordo em absoluto com o Carlos, quando diz que o Coelho e o Toninho não são inimigos; são sim, irmãos gémeos e vão continuar a dar cabo do nosso país, porque o Seguro também tem muitas culpas no cartório.

Ambos oportunistas, incompetentes e só a pensar na cadeira do poder e que Portugal e os portugueses se lixem.

Enquanto o PS apostar no Seguro, podem esquecer o meu voto.

Pedro Coimbra disse...

Eu não tenho dúvidas que não foi o PPC a convocar o encontro, Carlos e ematejoca.
Foi o "trio odemira" europeu, claramente.
E é para ser um diálogo de surdos.
Os "jovens" Pedro Passos Coelho e Seguro não vão ceder um milímetro.
Apenas vão tomar um café amargo.

Amigos?
Não, não é nada disso que me dizem.
Há muitos anos.
Desdes os tempos das juventudes partidárias.
Hoje há conferência de imprensa.
E o que me apetece dizer é - tenham medo, tenham muito medo!


Francisco,
Acredita mesmo que foi Pedro Passos Coelho que estendeu a mão a António José Seguro?
Voluntariamente?
Nem com o recado de Cavaco Silva ele tomou essa iniciativa, quanto mais de forma voluntária!
Foi obrigado a isso.
E Seguro também.
Porque quem realmente manda no país neste momento.
A cara é a desse triunvirato.

Francisco Castelo Branco disse...

ele comanda a troika nacional

Pedro Coimbra disse...

ele é o joguete mais visível da troika a nível nacional, Francisco.
Assim já concordo.

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