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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cavaco igual a si próprio

Os discursos de Cavaco Silva são sempre enigmáticos. Por um lado fala com um inegável sentido de Estado que o cargo que ocupa lhe exige, mas por outro parece que despe o fato de PR e veste a pele de PM. É saudável que o Presidente actue somente quando as circunstâncias assim o exigem, contudo preocupa-me o facto de Cavaco ainda não se ter esquecido que já não é PM e que as suas palavras podem ser interpretadas como estando a interferir nas políticas do executivo. E Cavaco desde o seu primeiro mandato que não deixa de mandar umas bocas, quer no tempo de José Sócrates quer agora com Passos Coelho. Este duplo papel que o actual PR gosta de interpretar confunde todos os agentes políticos. Deixa o governo entre a espada e a parede e a oposição confiante numa atitude por parte de Cavaco. 

Em meu entender quem deve temer mais esta instabilidade do Presidente é o governo. É o executivo que não tem certeza absoluta das opções de Cavaco, por muito que ele afaste cenários de eleições antecipadas. Pode não haver eleições, no entanto ninguém garante que de um momento para outro o Presidente não demita o governo e nomeie outro PM. Aliás, essa é a vontade intrínseca de Cavaco expressa em vários momentos da crise que passamos. A dúvida está em cada palavra do Presidente e não nas acções que toma, porque essas têm sido poucas. Aquilo que Cavaco diz tem mais efeitos do que as atitudes a tomar. O Presidente tem falta de coragem para abrir uma crise política neste momento, da mesma forma que deixou Sócrates no governo até que Portugal caísse na bancarrota. 

O que Cavaco quer é nomear um PM da sua confiança, pelo que se o governo cair terá de ser por si mesmo e não pela iniciativa presidencial. No entanto, Passos Coelho não parece querer fazer a vontade ao Presidente, restando ao CDS cumprir o sonho de Belém. 

Cavaco fala pouco, mas quando o faz deixa o pais em total suspense....

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