quarta-feira, 24 de abril de 2013

A justiça continua cega

A justiça em Portugal nem sempre funciona. As leis estão mal feitas, os agentes da justiça são na sua maioria incompetentes e o tráfico que se estabelece entre justiça e demais actividades descredibilizam uma das áreas mais importantes para o desenvolvimento de qualquer país. É relevante ter as contas do Estado em dia, apostar no crescimento económico, no entanto um país sem uma justiça célere, imparcial e "justa" não funciona. 

A detenção de Isaltino é aplaudida em todo o país, contudo há uma questão que perdura: porquê só agora? 

Foi só agora porque o sistema permitiu que o ex-autarca recorresse de várias formas e feitios de maneira a garantir a sua liberdade, sabendo de antemão que o seu destino seria sempre a cadeia. Contudo a pena que Isaltino cumprirá será ridículo tendo em conta a acusação. Mas a culpa não é dele nem dos advogados mas do sistema instituído que favorece este tipo de situações. Embora o país assista com agrado a esta detenção, este caso, tal como o caso Casa Pia é uma vergonha para os agentes da justiça, não havendo ninguém isento de culpas. Perante este cenário não percebo a hipocrisia das sessões solenes em cada abertura do ano judicial. Não se pode pedir que a justiça funcione 100%; contudo é necessário alterar alguns velhos hábitos como os prazos judiciais mas que são da responsabilidade dos juízes. Os advogados têm de cumprir prazos, os juízes não. Isto não faz sentido nenhum num país civilizado. A demora deve-se única e exclusivamente à tardia decisão dos magistrados, pelo que depois a desconfiança em relação às ligações entre política e justiça começa a fazer sentido de algum modo. 

Não é com esta detenção mediática que a justiça vai deixar de continuar a ser cega. Enquanto a justiça continuar a ser tardia deixará de ser justa para todos. 

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