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terça-feira, 16 de abril de 2013

A Europa de Thacther e Merkel

A recente morte de Margaret Thatcher trouxe à baila a questão da desregulação da economia vs socialismo. A história diz-nos que foi a Dama de Ferro a responsável, juntamente com Ronald Reagan, daquilo que muitos chamam de capitalismo. 
Não podemos associar a tudo o que de mal aconteceu no mundo ao capitalismo, isso é conversa de esquerda. Da mesma forma que é discurso de direita culpabilizar o socialismo pelo Estado em que se encontram as contas públicas. Se a morte de alguém pode trazer alguma coisa boa, o falecimento de Thacther reabriu a discussão sobre que caminho ideológico devemos seguir. Esta é uma questão que nunca terá consenso tendo em conta a evolução da sociedade. Não podemos querer uma Europa virada, ora para o socialismo, ora para o capitalismo. O principal erro dos líderes europeus tem sido precisamente esse: criar uma uniformidade nas políticas que sejam abrangentes aos países europeus, em particular aos que têm menor força económica, como é o caso de Portugal.

A Alemanha quer impor um caminho perigoso para os países em dificuldade mas também para a própria Europa. A crise do Euro não pode ser resolvido com uniformidade na resolução dos problemas, mas sim atender à especificidade de cada problema e à natureza do país, pelo que é normal que os programas de austeridade não estejam a ter o sucesso desejado por Angela Merkel.  Não devemos optar por políticas socialistas para mais tarde abrir a torneira e voltar tudo ao mesmo, pelo que a discussão reaberta após a morte de Margaret Thatcher tem razão de ser. A Europa deve ser aquilo que sempre foi, passo o pleonasmo. Ou seja, um continente marcado por diferentes culturas, mas acima de tudo onde as ideologias e o confronto político foram uma das marcas sua história. Ao seguir um modelo, a Europa não só entra em declínio político e financeiro como deixa de ser um espaço aberto a diferentes opiniões. É este Estado ditatorial que a Alemanha nos obriga a viver e que contradiz com as ideias de políticas adoptadas por Margaret Thacther. Se a ex-PM británica deixou um legado na política europeia, Angela Merkel também vai ser recordada, mas pelos piores motivos. 

A Europa não deve ser um espaço onde só caibam as decisões de Merkel nem que viva o passado Thacher. 

1 comentário:

Lídia Borges disse...


Perdemos as raízes, a identidade, a independência, a razão...
Tudo por uma Europa que se distancia mais e mais do projeto inicial.

Lídia

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