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domingo, 10 de março de 2013

Uma mão cheia de nada



Antes de mais, deixo-vos aqui o link do vídeo sobre o qual farei o meu artigo de hoje: https://www.facebook.com/photo.php?v=131041033741608 

 Pois bem, mais uma vez, um vídeo quase cheio de nada vira viral e todos batem palmas!

Joana Manuel é uma actriz de 36 anos, “uma jovem”, diz a mesma repleta de ironia. Fazendo uma pesquisa muito rápida pelo facebook de Joana vemos que se considera uma activista, vemos que ergue o punho no ar com grande satisfação (talvez acompanhando isso com a Grândola Vila Morena), percebemos que é apoiante e ajudante do movimento “Que se lixe a troika”, que apela a greves e manifestações como forma de resolver os problemas internos e externos de Portugal, que “gosta” da página da CGTP, por exemplo, entre muitas outras do género. 

Dito isto, e sem qualquer preconceito, penso que é fácil concluir que a jovem Joana Manuel pertence, quase com certezas, a ideologias (para não dizer partidos) da esquerda, muito provavelmente até, da extrema-esquerda. Não significa isso que seja má pessoa, que não tenha razão em alguns aspectos que frisou (porque tem. Entre eles a problemática dos recibos verdes). No entanto, diz muito acerca do seu inflamado discurso. Discurso não, diria até durante a sua actuação encoberta, uma espécie de bruxa má que nos apresenta a sua maçã cheia de aparente vivacidade mas que tem objectivos muito podres (também conheço as histórias da Disney hein).

Antes de me pronunciar sobre o conteúdo do discurso há que referir um importante factor que influencia fortemente toda a intervenção de Joana Manuel: O facto de ser actriz! Joana Manuel é actriz, estudou para ser actriz, aprendeu portanto, a ser quem não é, aprendeu a vestir um personagem, aprendeu a transmitir e a trazer ao de cimo sentimentos e sensações do seu público, aprendeu a articular o seu discurso, a pausar nas alturas certas, a criar uma certa melodia nas suas frases, etc. Tudo o que aprendeu, Joana Manuel usou para conseguir transmitir a sua mensagem. Não é que isso seja errado. Simplesmente, é demagogia e populismo! José Sócrates, por exemplo, que se não era actor alguém lhe devia dar equivalência, tem Pós-Doutoramento em Demagogia e Populismo.


Agora sim, em relação ao conteúdo do próprio discurso de Jorna Manuel, há a realçar algumas afirmações e ideias que, na minha opinião, não fazem qualquer sentido, sendo mesmo algumas falsas.
Logo no início, diz que se criou a noção de que uma licenciatura não serve sem um mestrado, que um mestrado não serve sem um doutoramento e que por sua vez estes não valem sem um conjunto de estágios não remunerados. Ora, isto não é propriamente verdade. É a chamada, e tão típica, frase feita. Há-de variar de curso para curso, de empresa para empresa. No que respeita aos estágios, pode haver excessos por parte da entidade patronal, é verdade. Mas, se calhar, se perguntarmos a jovens (ou “jovens”) que há uns anos passaram por esses estágios não remunerados e hoje estão já empregados com muito melhores condições – quem sabe fruto do trabalho que mostraram durante esses mesmo estágios – talvez nos dirão que valeu a pena!
Tal como vale a pena termos um bom percurso académico, como vale a pena passarmos algumas noites sem dormir para estudar, como vale a pena fazermos centenas de coisas que poderão influenciar de forma positiva as nossas vidas, o nosso futuro.

Diferente, certamente, será perguntar aos jovens da mesma idade dos outros que, contrariamente, decidiram dizer “Não, não aceito prestar serviços sem ser remunerado, era só o que mais faltava!”. Estarão empregados? Estarão empregados na sua área? Ou estarão na rua a cantar a Grândola Vila Morena, quiçá a vandalizar espaços bancários, a apedrejar forças de segurança, a gritar para as camaras dos meios de comunicação social (quando estas lhes concedem o minuto de fama) que basta de roubo, que o Governo tem de cair, que a Troika tem de ir embora, que o Capitalismo tem de acabar, a, perdoem-me a expressão, chular os pais para terem dinheiro para as drogas, para o álcool, para os cartazes que usam nas manifestações e afins?

Injustiças, infelicidades e incapacidades acontecem, é verdade. Mas na maioria dos casos não se trata disso. As gerações que se seguiram ao 25 de Abril, particularmente, as que se seguiram à entrada de Portugal na UE, habituaram-se a ter tudo sem fazer quase nada. Habituaram-se a subsídios de “A” a “Z” tudo, a grandes e consecutivos empréstimos bancários, a baixos impostos, etc. A chamada altura das vacas gordas. Habituaram-se tanto a que o Estado fosse pai deles (culpa também das políticas que se desenrolaram), quando não é essa a sua função, que agora que a torneira fechou acham estar no direito de reclamar coisas que consideram ser direitos adquiridos deles. Mas na maior parte dos casos não são, desenganem-se os que acham que sim!

Como pequeno aparte, acrescentar que grande parte deste problema é consequência das ideologias e políticas desmedidas da esquerda portuguesa (PS, fortemente, mas também PSD, não se pense que se trata de um partido de Direita e Liberal. “Tem dias”)


No seguimento do seu discurso, Joana Manuel entra no tema do costume. Aquele tema que, com palavras bonitas e factos sobre a excepção e não a regra dos acontecimentos, deixa as pessoas com um aperto no coração: O EN.
Diz Joana Manuel que a “a dureza e a precariedade fizeram dos nossos pais adultos antes de tempo”. Acho até que já ouvi isto em algum livro…

Permitam-me, mais uma vez, discordar desta afirmação falaciosa. Entre defeitos e virtudes, entre excessos e qualidades que o EN teve, como qualquer outro regime, penso que as gerações que nele viveram têm/tiveram algo que as gerações pós 25 de Abril e pós entrada de Portugal na UE jamais terão se tudo continuar como está: Verdadeiros valores, ideais, ideias, tradições.
Essas gerações podem ter passado por muitas dificuldades, podem ter começado a trabalhar jovens, com 10, 11, 12 anos, podem ter feito Lisboa de uma ponta a outra com uns míseros escudos ou até a pé, podem ter passado anos longe das suas famílias e podem ter passado por muitas outras coisas que só eles sabem, mas de uma coisa eu tenho quase certezas: Tudo isso contribuiu para hoje serem mais fortes, para hoje darem mais valor à vida, ao dinheiro, ao trabalho. Tudo isso serviu para entenderem que só com esforço e dedicação se alcança o que se quer (muitos conseguiram, outros não…), que não é desistindo ou berrando que as coisas vão aparecer. 
E defendendo ou não o regime do país em que viviam, foram-lhes passados valores e ideais que ainda hoje grande parte segue e ainda hoje tem em si. Nós não, a nós o Estado não nos transmitiu nada. Os valores que temos, os ideais que seguimos, as tradições que conhecemos, dependeram da família onde nascemos (que é quem deve ter esse papel principal, é verdade. Mas não só), das companhias com quem andamos, das escolas que frequentamos (que muito pouco fazem no que a isto respeita).
Se olharmos para nós enquanto pessoas e virmos um reflexo nos nossos pais, tios (caso eles façam parte de gerações pré 25 de Abril e pré entrada de Portugal na UE) e avós, então, aí sim, somos uns privilegiados! Isto sim, é ser privilegiado!


Por último, não podia terminar sem comentar ainda uma frase que também já é moda ser dita em algumas facções: “Quero trabalhar e não me deixam" 
Eu entendo que quem estudou durante 4, 6 ou até 8 anos fique revoltado quando não consegue encontrar um emprego na sua área. É mais do que compreensível, é, certamente, frustrante, desmoralizador e até injusto em certa medida.
É certo que mudanças têm de ocorrer nesse aspecto para tentar evitar esse tipo de situações. Mas é certo também que temos de saber ver as questões e perceber que “cada caso é um caso”. Se estamos, por exemplo, a falar de um curso de Medicina ou Advocacia, em que um estudante acabou com uma boa média e não conseguiu emprego, estamos perante uma situação que tem de ser invertida. No entanto, não sei de situações destas que tenham ocorrido. Alunos muito bons, seja em que curso for, têm emprego. Nem sequer o procuram, o próprio trabalho é que os procura mal acabam ou estão a acabar o curso.
Agora, se por outro lado, estamos a falar de um aluno que tirou uma licenciatura também em Medicina ou Advocacia e que terminou com uma média igual à de tantos outros milhares de alunos, não pode esperar o Éden! O mesmo se aplica, obviamente, para cursos sem saída nenhuma ou que ninguém conhece. 
Ainda diferentemente, temos o caso de jovens e adultos que tinham os seus empregos, os seus trabalhos, e que ao fim de muitos anos o deixaram de ter. Aí, têm duas soluções: Ou se agarram ao que aparecer, passo a expressão, sem vergonhas e sem preconceitos, ou, por razões de crise económico-financeiras, terão muito maiores dificuldades em encontrar outro emprego na mesma área ou do seu agrado. Infelizmente, o que sucede mais, quer admitam ou não, é este segundo caso. Muitos têm vergonha de trabalhar nas obras, de lavar escadas, de lavar pratos, de limpar o lixo, entre outros empregos e trabalhos menos prestigiados, mas, ainda assim, dignos de respeito.

Não é por acaso que o trabalhador português é o terceiro melhor trabalhador em toda a UE. A maior parte dos emigrantes não vão para a Europa gerir grandes empresas, abrir grandes negócios. Vão para fazer o que têm vergonha de fazer no seu país.

  
Concluo, voltando ao que já tenho referido noutros artigos: É necessário uma revolução nos nossos valores, nos nossos ideais, na nossa moral! "The most important of all revolutions: A revolution in sentiments, manners and moral opinions." E. Burke

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